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Trump intensifica retórica contra Irã e minimiza alta do petróleo

© REUTERS/Kevin Lamarque/Proibida reprodução

Em um pronunciamento à nação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, delineou uma postura intransigente frente ao conflito com o Irã, que já dura 32 dias. O líder norte-americano afirmou que as forças militares do país estão em processo de desmantelamento sistemático das capacidades de defesa iranianas, indicando que os objetivos estratégicos centrais da operação estão próximos de serem alcançados. Apesar da retórica bélica e da promessa de intensificar os ataques nas próximas semanas, Trump também mencionou a possibilidade de negociações. Paralelamente, ele minimizou as preocupações sobre a recente alta nos preços do petróleo, atribuindo-a a ações do regime iraniano e afirmando a independência energética dos EUA, desviando a responsabilidade pela segurança do Estreito de Ormuz para outras nações.

Escalada da pressão militar e diplomática

Desmantelamento da capacidade iraniana e próximos passos

Em sua declaração, com duração aproximada de 20 minutos, o presidente Donald Trump enfatizou o progresso das operações militares contra o Irã. Ele assegurou que as forças americanas estão “desmantelando sistematicamente” a estrutura de defesa do regime iraniano, reiterando que as metas estratégicas fundamentais do conflito, em andamento há 32 dias, estariam prestes a ser atingidas. Trump exaltou o que considerou vitórias no campo de batalha e prometeu uma escalada nos ataques. “Vamos atacar com extrema força nas próximas duas a três semanas. Vamos levá-los de volta à idade da pedra, onde pertencem”, declarou, sem, contudo, descartar a continuidade das negociações.

Curiosamente, o presidente abordou a questão da mudança de regime no Irã, afirmando que, embora não fosse um objetivo inicial dos EUA (“nunca dissemos isso”), ela teria ocorrido de fato em virtude da morte de “praticamente todos os líderes originais”. Segundo Trump, esse vácuo de poder resultou na ascensão de um “novo grupo”, que ele descreveu como “menos radical e mais razoável”. Apesar dessa avaliação, o líder americano alertou que, caso um acordo não seja alcançado no período estabelecido, alvos estratégicos definidos serão atacados, especificamente usinas de geração de energia. Trump justificou a decisão de não atacar instalações de petróleo, apesar de serem “o alvo mais fácil”, para não aniquilar as chances de “sobrevivência ou reconstrução” do país persa.

Alegações sobre o poderio militar iraniano

Ao longo de seu pronunciamento, o presidente Trump empregou uma retórica vigorosa para descrever o impacto das operações americanas sobre as Forças Armadas iranianas. Sem apresentar provas concretas para suas alegações, ele afirmou ter “destruído e esmagado” componentes significativos do poderio militar do Irã, incluindo sua Marinha e Força Aérea. Essas declarações, contudo, contrastam com a realidade observada no Estreito de Ormuz, uma passagem marítima crucial que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã. Por esse estreito, onde historicamente circula até 20% das exportações globais de petróleo, o acesso continua a ser controlado e restrito pelos iranianos, gerando impactos consideráveis nos preços internacionais dos combustíveis. A incapacidade de os EUA garantirem o livre trânsito nesse ponto estratégico levanta questões sobre a extensão real do “esmagamento” militar iraniano proclamado por Trump.

O estreito de Ormuz, aliados e o preço do petróleo

Controle do Estreito de Ormuz e impacto global

A persistência do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, uma rota vital para o transporte global de petróleo, e seus reflexos no mercado internacional foram um ponto central na abordagem de Trump. Reconhecendo o impacto dessa restrição no preço do combustível, o presidente dos EUA reiterou que seu país não depende do petróleo comercializado por essa via. Ele defendeu que as nações que dependem do Estreito para suas importações de energia devem assumir a responsabilidade primária por garantir o acesso e a segurança do canal marítimo. “Os Estados Unidos importam quase nenhum petróleo pelo Estreito de Ormuz — e não importarão no futuro. Não precisamos disso”, declarou. “Derrotamos e praticamente dizimamos o Irã. Eles estão devastados e os países do mundo que recebem petróleo pelo Estreito de Ormuz precisam cuidar dessa passagem. Nós ajudaremos, mas devem liderar a proteção do petróleo do qual dependem tanto.”

Agradecimento a aliados e minimização da crise do petróleo

Em seu discurso, Donald Trump fez questão de agradecer publicamente e mencionar os países aliados dos Estados Unidos na região do Oriente Médio. Foram citados Israel, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein. Essas nações são de particular importância estratégica, pois abrigam bases militares norte-americanas em seus territórios e têm sido alvo de retaliações por parte do Irã, em resposta a ataques atribuídos a Israel e aos EUA.

Sobre a crescente preocupação com a alta global dos preços do petróleo, o presidente americano buscou minimizar o problema, classificando-o como uma “situação passageira” e de “curto prazo”. Ele atribuiu o aumento diretamente a “ataques terroristas insanos do regime iraniano contra petroleiros comerciais em países vizinhos que nada têm a ver com o conflito”. Trump utilizou essa narrativa para reforçar sua posição de que o Irã “jamais pode ser confiável com armas nucleares”, ligando a instabilidade econômica à suposta ameaça nuclear iraniana.

Contexto histórico e desafios internos

Comparação com conflitos passados e investimento no futuro

Para justificar a duração e a continuidade do conflito com o Irã, o presidente Trump recorreu a comparações com outros engajamentos militares históricos dos Estados Unidos. Ele listou a participação americana na Primeira Guerra Mundial (1 ano, 7 meses e 5 dias), na Segunda Guerra Mundial (3 anos, 8 meses e 25 dias), na Guerra da Coreia (3 anos, 1 mês e 2 dias), na Guerra do Vietnã (19 anos, 5 meses e 29 dias) e na Guerra do Iraque (8 anos, 8 meses e 28 dias). Contrastando esses longos períodos, Trump enfatizou que a atual “operação militar poderosa e estratégica” contra o Irã está em curso há apenas 32 dias. Ele argumentou que, nesse curto espaço de tempo, o país persa foi “devastado”, deixando de ser uma “ameaça relevante”, e apresentou o conflito como um “investimento real no futuro dos seus filhos e netos”, visando assegurar a segurança de gerações vindouras.

Silêncio sobre protestos e baixa aprovação popular

Apesar de seu pronunciamento nacional focar intensamente na política externa e na situação com o Irã, Donald Trump optou por manter um silêncio total sobre os massivos protestos internos que têm varrido os Estados Unidos. Nos dias que precederam o discurso, centenas de milhares, se não milhões, de norte-americanos foram às ruas das principais cidades, como Nova York, Dallas, Filadélfia e Washington, além de dezenas de pequenas e médias comunidades. As manifestações não se limitaram à oposição ao envolvimento do governo na guerra, mas também criticaram as ações policiais e as políticas de deportação de imigrantes. Esta é a terceira onda de protestos de grande escala nos últimos meses, e, de acordo com análises da imprensa norte-americana, o presidente enfrenta o ponto mais baixo de sua avaliação popular desde o início de seu segundo mandato, há pouco mais de um ano, registrando cerca de um terço de aprovação em levantamentos de institutos de pesquisa de opinião.

Acompanhe os próximos desenvolvimentos no Oriente Médio e as repercussões políticas nos Estados Unidos em nossa cobertura contínua.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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