PUBLICIDADE

São Silvestre 2025 celebra recorde feminino em sua 100ª edição

© Paulo Pinto/Agência Brasil

A Corrida Internacional de São Silvestre, um dos eventos esportivos mais emblemáticos do Brasil, alcança um marco histórico em sua centésima edição. Marcada para 31 de dezembro de 2025, a prova registra um número recorde de 55 mil corredores inscritos, representando 44 países. Este volume sem precedentes reflete a crescente popularidade da corrida de rua no cenário nacional e internacional. Contudo, o destaque principal da edição centenária é o recorde feminino na São Silvestre 2025, com as mulheres representando 47% do total de participantes. Essa ascensão da presença feminina na corrida mais tradicional do país é celebrada como um avanço significativo, redefinindo o perfil da prova e inspirando gerações. As expectativas são altas para a corrida que encerrará o calendário esportivo brasileiro com muita emoção e histórias de superação.

A ascensão feminina na São Silvestre: um marco histórico

A significativa elevação na participação feminina na São Silvestre 2025 não é apenas um número, mas um testemunho da crescente força e protagonismo das mulheres no esporte. Com 47% dos inscritos, elas estabelecem um novo patamar na história da prova, que em seu início era exclusiva para homens. Este crescimento é motivo de grande celebração entre as atletas brasileiras de elite, que veem nesta marca um reflexo de uma transformação cultural e social. A participação cada vez maior de mulheres na corrida de rua simboliza superação de barreiras e a conquista de espaços antes inimagináveis, impulsionando outras a abraçarem o desafio do esporte.

Vozes da superação: atletas celebram a participação

Durante uma entrevista à imprensa concedida na capital paulista, a atleta Núbia de Oliveira, que conquistou a melhor colocação brasileira na São Silvestre do ano anterior, expressou seu entusiasmo com o aumento da presença feminina. “A São Silvestre tem 100 anos de história e, nos últimos anos, vem aumentando muito o número de mulheres. Essa participação era proibida para nós no passado. Foi só anos depois, a partir de 1975, que a mulher pôde participar”, relembrou, destacando a importância histórica do momento. Para Núbia, a inspiração é mútua: “Todas as mulheres que participaram da São Silvestre, e as que foram campeãs, me motivam e me inspiram, assim como a gente também, que agora está nesse cenário, motivamos outras mulheres a estarem participando”. Ela avalia que a corrida de rua se tornou um espaço onde a mulher se reencontra e vence desafios, demonstrando que “a gente não tem limite. A gente que impõe os nossos limites, e a corrida mostra isso: superação e determinação a todo momento”.

Outra corredora brasileira, Jeane dos Santos, compartilhou um relato emocionante sobre o impacto da corrida em sua vida e a importância da participação feminina. “Não esperava hoje estar participando da centésima São Silvestre. E hoje eu me vejo nesse cenário lindo, que me tirou da depressão e de uma crise de ansiedade”, confessou Jeane, revelando o poder transformador do esporte. Em sua cidade natal, Santo Antônio de Jesus, na Bahia, ela se tornou uma referência, inspirando muitas mulheres a iniciar na corrida. “Muitas mulheres mandam mensagem para mim dizendo que começaram a correr através de mim”, disse. Jeane enfatizou o sentido de libertação que a corrida proporciona: “Hoje a corrida é uma libertação para nós, mulheres. Quando eu começo a correr ou vou treinar, esqueço do mundo, esqueço de tudo e me sinto livre. É o que nós, mulheres, temos que sentir: sermos livres”. Esses depoimentos sublinham não apenas o aspecto competitivo, mas também o profundo significado pessoal e social da corrida para as mulheres.

O desafio brasileiro e a estratégia africana

Apesar da euforia com a participação feminina recorde e o espírito de superação, um desafio persistente paira sobre os atletas brasileiros: o tabu de vitórias. Desde 2006 na categoria feminina e 2010 na masculina, o Brasil não sobe ao pódio mais alto da São Silvestre. Esta lacuna tem sido preenchida, principalmente, por atletas africanos, que demonstram um domínio consistente na prova. A dificuldade de superar os corredores quenianos e tanzanianos, que frequentemente conquistam as primeiras posições, é uma realidade que motiva e ao mesmo tempo intriga os competidores nacionais.

A busca pelo fim de um tabu e a força do trabalho em grupo

As atletas brasileiras Núbia e Jeane, embora prontas e preparadas, reconhecem a magnitude do desafio. A queniana Cynthia Chemweno, segunda colocada no ano anterior, é uma das adversárias a ser batida. “Estou muito orgulhosa de representar o meu país e amanhã eu vou voar”, prometeu Chemweno, destacando o ambiente acolhedor da prova. “Correr no Brasil é muito bacana porque as pessoas, durante o percurso, ficam saudando os atletas. Isso traz muita alegria e me sinto muito bem correndo aqui”, complementou. Da Tanzânia, Sisilia Ginoka Panga, em sua primeira vez no Brasil, expressou sua satisfação com o clima e a energia de São Paulo, declarando-se pronta para a corrida após uma boa preparação.

No masculino, o cenário é similar, com o último brasileiro a vencer sendo Marilson Gomes dos Santos em 2010. Johnatas Cruz, o brasileiro mais bem colocado nas duas últimas edições, apontou uma diferença crucial na forma de competir entre brasileiros e africanos. Segundo ele, enquanto os africanos adotam uma abordagem coletiva no treino e na corrida, os brasileiros tendem a valorizar a individualidade. “Se esse jeito brasileiro de correr não for alterado, dificilmente o Brasil voltará ao topo da prova”, afirmou Johnatas, defendendo a importância do trabalho em grupo. Ele acredita que essa mudança seria um “divisor de águas” para o Brasil não só na São Silvestre, mas em outras competições de alto nível. “Correr em grupo é muito importante. Correr em grupo com o seu compatriota, com o colega do mesmo país, com o colega da mesma equipe, ajuda e muito”, explicou.

Wendell Jerônimo Souza, outro atleta brasileiro, corrobora essa visão: “É muito importante ter um grupo, no início da prova, mais cadenciado de brasileiros. E no mesmo ritmo, de preferência”. Embora reconheça as complexidades de manter um ritmo uniforme em um percurso desafiador como o da São Silvestre, ele ressalta que “se tiver um grupo, pode-se chegar mais adiante e fazer uma prova diferente”. A perspectiva africana foi compartilhada pelo queniano Wilson Maina, carinhosamente conhecido como “quase brasileiro”. Ele atribui o sucesso de seus compatriotas à união e ao companheirismo. “O segredo dos africanos hoje em dia é treinar juntos e ter amor “, revelou Maina. Joseph Panga, da Tanzânia, reforçou: “O mais importante, dentro do treinamento, é existir amizade entre os atletas. Isso é o que faz com que possamos ir para a frente”. Para Maina, a principal distinção é clara: “O brasileiro treina muito sozinho. O queniano treina junto. E essa coisa de estar em grupo é muito mais fácil. Quando você está só, você tem que superar algumas outras dificuldades sozinho”. Essa análise estratégica aponta para um caminho de transformação na abordagem brasileira se o objetivo é reverter o domínio africano.

O legado e as próximas edições

A centésima edição da Corrida Internacional de São Silvestre promete ser um evento memorável, não apenas pelos recordes de participação, mas também pela celebração da história do esporte no Brasil. A prova, que encerra o calendário esportivo nacional, está agendada para a manhã de quarta-feira, 31 de dezembro de 2025. A programação de largadas terá início às 7h25 com a categoria Cadeirantes. Em seguida, às 7h40, será a vez da Elite A e B feminina, destacando a crescente visibilidade das mulheres na corrida. Às 8h05, a largada será para os corredores da Elite A e B masculina, pessoas com deficiência e Pelotão Premium masculino e feminino, seguidos pelo pelotão geral.

O percurso de 15 quilômetros da São Silvestre, estabelecido desde 1991 e com pequenos ajustes ao longo dos anos, mantém sua tradição ao passar por pontos icônicos da cidade de São Paulo. A largada acontece na Avenida Paulista, número 2084, desafiando os corredores com a famosa subida da Avenida Brigadeiro Luiz Antônio. A emocionante chegada se dá em frente ao prédio da Fundação Cásper Líbero, também na Avenida Paulista, no número 900. Este trajeto clássico, combinado com a energia da cidade e o apoio do público, cria uma atmosfera única que cativa atletas e espectadores anualmente. A celebração da centésima edição, com seus recordes e histórias de superação, reafirma a São Silvestre como um ícone do atletismo e um espelho das transformações sociais no esporte brasileiro.

Não perca a cobertura completa da 100ª edição da São Silvestre e acompanhe de perto os resultados e as histórias inspiradoras deste evento histórico!

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Leia mais

PUBLICIDADE