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Rio registra cinco atendimentos por hora devido ao calor no carnaval

© Tomaz Silva/Agência Brasil

O carnaval carioca, celebrado com intensidade e grandes aglomerações, revelou um desafio significativo para a saúde pública: os atendimentos por calor. Durante os dias de folia, as unidades de Pronto Atendimento (UPA) da rede estadual de saúde do Rio de Janeiro registraram uma média alarmante de cinco pacientes por hora com sintomas diretamente associados às altas temperaturas. Este panorama, que sublinha a vulnerabilidade da população às condições climáticas extremas, reflete a urgência de medidas preventivas e de conscientização. O levantamento detalhado das ocorrências serve como um balanço crucial para a gestão de eventos de grande porte, destacando a importância da infraestrutura de saúde em momentos de pico.

A onda de calor no carnaval e seus efeitos na saúde

Os dias de carnaval no Rio de Janeiro, que se estenderam de 13 a 17 de fevereiro, foram marcados por um volume preocupante de atendimentos relacionados ao calor nas Unidades de Pronto Atendimento estaduais. No total, 647 pessoas buscaram auxílio médico com sintomas de esgotamento térmico, desidratação e outras condições adversas provocadas pelas elevadas temperaturas. A média de cinco pacientes a cada sessenta minutos ilustra a constância e a intensidade da demanda imposta pelos efeitos do calor sobre os foliões e a população em geral, evidenciando uma pressão contínua sobre os serviços de emergência.

Os sintomas apresentados pelos pacientes eram variados, mas consistentemente ligados à sobrecarga térmica do organismo. Incluíam manifestações como dor de cabeça intensa, tontura persistente e náuseas, sinais claros de desidratação e mal-estar geral. Além desses, foram observados pele quente e seca, pulso acelerado e temperatura corporal elevada, que indicam um quadro de hipertermia. Em casos mais graves, houve relatos de distúrbios visuais, confusão mental, respiração rápida, taquicardia e, em situações mais críticas, insolação e desequilíbrio hidroeletrolítico, que podem levar a complicações sérias se não tratados rapidamente.

As unidades de saúde mais impactadas por esses casos específicos de calor foram as UPAs de Realengo, Botafogo e Irajá. A concentração nesses locais sugere uma correlação com áreas de maior circulação de blocos de rua, locais com menor infraestrutura de sombra ou pontos de maior exposição solar, onde os foliões e moradores estão mais suscetíveis aos efeitos nocivos do sol e das altas temperaturas. A identificação dessas áreas críticas é fundamental para o planejamento futuro de ações preventivas e para a alocação estratégica de recursos de saúde.

Sinais de alerta e a importância da prevenção

As condições extremas de calor podem ter consequências severas para a saúde, desde o esgotamento pelo calor até a insolação, uma emergência médica que pode ser fatal. O esgotamento se manifesta por tontura, sudorese excessiva, fadiga, náuseas e pele fria e úmida. Já a insolação é caracterizada por temperatura corporal superior a 40°C, pele quente e seca (ou úmida em alguns casos), confusão mental, perda de consciência e, em casos extremos, convulsões. Reconhecer esses sinais precocemente é vital.

A prevenção é a ferramenta mais eficaz para evitar esses quadros. Recomenda-se a hidratação constante com água, sucos naturais e isotônicos, mesmo sem sentir sede. Evitar a exposição direta ao sol nos horários de pico, geralmente entre 10h e 16h, é crucial. Utilizar roupas leves, claras e de tecidos que permitam a transpiração, além de chapéus e óculos de sol, pode minimizar a absorção de calor. Protetor solar é indispensável para proteger a pele dos raios UV. Além disso, é aconselhável moderar o consumo de bebidas alcoólicas, que contribuem para a desidratação, e buscar ambientes frescos e ventilados sempre que possível. A conscientização pública sobre essas medidas pode reduzir significativamente a incidência de casos relacionados ao calor em futuros eventos de grande porte.

A demanda geral nas unidades de saúde durante a folia

Para além dos atendimentos específicos por calor, o carnaval representa um período de intenso movimento para todo o sistema de saúde. No total, as 27 UPAs da rede estadual do Rio de Janeiro registraram 27.433 atendimentos durante os dias de folia. Esse volume representa um aumento de 2,05% na comparação com o carnaval do ano anterior, indicando uma crescente demanda pelos serviços de emergência e urgência. A elevação no número de pacientes reflete não apenas o maior número de pessoas nas ruas, mas também a complexidade e diversidade das ocorrências durante o feriado prolongado.

As principais queixas que levaram os pacientes às UPAs foram dores em geral e gastroenterite. As dores podem estar associadas a diversos fatores, como o esforço físico da dança, longas caminhadas, quedas ou até mesmo exacerbação de condições preexistentes. A gastroenterite, por sua vez, é um problema comum em períodos de grandes aglomerações e consumo de alimentos e bebidas fora de casa, muitas vezes em condições não ideais de higiene, o que facilita a proliferação de vírus e bactérias.

As unidades de Mesquita, Campo Grande I e Nova Iguaçu (Botafogo) concentraram o maior número de pacientes no geral, apontando para a distribuição da população e a densidade de eventos nas respectivas regiões, bem como a capacidade de atendimento e a relevância dessas UPAs em suas localidades.

Complementando o panorama das UPAs, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) da capital, único operado pela rede estadual, registrou 3.262 atendimentos. Os principais motivos para a acionamento do Samu foram casos cardiovasculares, neurológicos e quedas da própria altura. As ocorrências foram mais numerosas nos bairros de Campo Grande, Centro, Copacabana, Santa Cruz e Guaratiba. Os casos cardiovasculares e neurológicos podem ser intensificados pelo estresse físico, desidratação e, em alguns casos, pelo consumo excessivo de álcool. As quedas, por sua vez, são frequentemente resultado de aglomerações, pisos irregulares, cansaço e, novamente, a influência de substâncias psicoativas.

Pressão sobre o sistema de emergência e desafios logísticos

O incremento de 2,05% no total de atendimentos de um ano para outro, somado à incidência de casos específicos como os relacionados ao calor, demonstra a pressão contínua sobre o sistema de saúde do estado durante o carnaval. Gerenciar um volume tão expressivo de pacientes exige não apenas recursos humanos e materiais adequados, mas também uma logística apurada para garantir o fluxo eficiente de atendimento e a resposta rápida a emergências.

A coordenação entre as UPAs e o Samu 192 é vital para desafogar os prontos-socorros e garantir que os casos mais graves cheguem rapidamente à assistência necessária. No entanto, a alta demanda geral, combinada com os desafios operacionais de um evento de grande porte como o carnaval – que inclui tráfego intenso, ruas fechadas e aglomerações –, impõe desafios logísticos consideráveis para o transporte de pacientes e a chegada das equipes de socorro. A constante vigilância epidemiológica e a capacidade de adaptação dos protocolos de atendimento são cruciais para manter a qualidade e a segurança dos serviços prestados.

Balanço e perspectivas para a saúde pública

O balanço dos atendimentos durante o carnaval carioca sublinha a importância de uma abordagem integrada e preventiva para a saúde pública em eventos de grande magnitude. Os dados revelam que, embora a folia seja um momento de celebração, ela também gera um aumento significativo na demanda por serviços de saúde, com destaque para as condições relacionadas ao calor, que requerem atenção especializada e rápida. A elevação geral nos atendimentos e a predominância de queixas como dores e gastroenterites reforçam a necessidade de campanhas de conscientização contínuas sobre higiene, hidratação e moderação.

Para futuros carnavais e outros grandes eventos que atraiam multidões e ocorram sob altas temperaturas, a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro e demais órgãos competentes precisarão intensificar as estratégias de prevenção e aprimorar a capacidade de resposta. Isso inclui a divulgação massiva de informações sobre os riscos do calor, a disponibilização de pontos de hidratação e sombreamento, a fiscalização da higiene em pontos de venda de alimentos e bebidas, e o reforço das equipes de saúde. O monitoramento contínuo desses indicadores é essencial para adaptar as políticas de saúde pública, garantindo que a celebração não se transforme em um risco à saúde da população.

Para se preparar para eventos de grande porte e manter a saúde em dia, é fundamental estar bem informado sobre as condições climáticas e seguir as recomendações de especialistas. Visite o portal da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro para mais detalhes sobre os serviços de emergência e orientações preventivas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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