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PIB do Brasil cresce 2,3% em 2025: como a guerra no Irã pode frear o 2026 eleitoral?

G1

A economia brasileira registrou um crescimento de 2,3% em 2025, um desempenho que marca uma desaceleração significativa em comparação com a alta de 3,4% observada no ano anterior. Este resultado representa o menor avanço do Produto Interno Bruto (PIB), que compreende a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, desde a retração de 3,3% em 2020, período impactado pela pandemia de covid-19. Embora o número esteja em linha com as projeções do mercado, que já antecipava um arrefecimento da atividade econômica devido aos juros elevados, o cenário para 2026 é de maior incerteza. A taxa básica de juros, a Selic, mantida em 15% desde junho de 2025, encarece o crédito para empresas e famílias, atuando como um freio na economia e principal ferramenta do Banco Central para conter a inflação.

Desaceleração econômica em 2025 e perspectivas para o próximo ano

O crescimento do pib brasileiro em 2025 reflete um ambiente econômico desafiador, moldado principalmente pela política monetária restritiva. A manutenção da Selic em patamares elevados tem como objetivo primordial combater a inflação, mas invariavelmente impacta o ritmo de expansão econômica. Em 2025, a economia mostrou resiliência, mas a projeção para 2026 indica uma desaceleração ainda mais pronunciada, com analistas antevendo uma alta de apenas 1,8% para o PIB. Este cenário é particularmente sensível, pois coincidirá com um ano de eleições presidenciais, onde o desempenho econômico historicamente exerce influência direta sobre o humor do eleitorado e as decisões políticas.

O freio dos juros elevados

A dinâmica dos juros é um fator central na compreensão da performance econômica. Com a Selic em 15%, o acesso ao crédito torna-se mais caro, desestimulando tanto o consumo das famílias quanto os investimentos das empresas. Essa restrição no crédito afeta diretamente a demanda interna, um dos motores do crescimento. Empresas adiam planos de expansão e modernização, enquanto famílias postergam compras de bens duráveis, por exemplo. O Banco Central justifica essa postura como essencial para ancorar as expectativas de inflação, mas os efeitos colaterais são uma atividade econômica mais lenta.

O impacto da guerra no Irã: um fator de risco adicional para 2026

Um novo elemento de incerteza surge com a escalada da guerra no Irã. Este conflito geopolítico tem o potencial de complicar ainda mais as projeções para o PIB em 2026, especialmente através de sua influência sobre os preços globais do petróleo. Um aumento sustentado nos custos da commodity pode desencadear uma série de impactos negativos na economia global e, por consequência, na brasileira.

Inflação e juros em um cenário de conflito

Peterson Rizzo, gerente de relações institucionais de uma gestora de crédito, enfatiza que o conflito prolongado entre Estados Unidos e Irã representa um risco adicional significativo para o crescimento econômico. A principal via de impacto seria a elevação dos preços do petróleo, que, por sua vez, encareceria combustíveis, energia e o transporte de mercadorias. Esse efeito em cascata pressionaria a inflação internamente. Diante de uma inflação mais alta, o Banco Central teria pouca margem para reduzir a taxa de juros, podendo até ser forçado a mantê-la em patamares elevados por um período mais extenso. Juros altos, como já observado, dificultam a retomada da atividade econômica, limitando o acesso ao crédito e desestimulando o consumo e o investimento produtivo.

Sidney Lima, analista de investimentos, corrobora essa visão, afirmando que a escalada do conflito pode influenciar indiretamente o PIB, sobretudo se provocar uma alta persistente do petróleo e, consequentemente, pressionar a inflação. Embora o Brasil possa se beneficiar parcialmente como exportador de petróleo, os efeitos inflacionários e financeiros de um conflito internacional tendem a limitar o crescimento do PIB no curto e médio prazo, sobrepondo-se a eventuais ganhos pontuais. A incerteza geopolítica, portanto, adiciona um vetor de risco que pode frear o ritmo de crescimento ao longo de 2026.

Análise setorial e demanda interna no final de 2025

No quarto trimestre de 2025, o PIB brasileiro exibiu um crescimento marginal de apenas 0,1% em comparação com o trimestre imediatamente anterior, alinhando-se às expectativas do mercado. Em relação ao mesmo período do ano anterior, a expansão foi de 1,8%. A modesta elevação foi impulsionada pelo setor de serviços, que avançou 0,8%, e pela agropecuária, com alta de 0,5%. Em contrapartida, a indústria registrou uma retração de 0,7% na comparação trimestral.

Consumo e investimento em xeque

Do lado da demanda, o consumo do governo cresceu 1%, enquanto o consumo das famílias manteve-se estável (0%), revelando a cautela do consumidor brasileiro. O investimento, um componente crucial para o crescimento de longo prazo, apresentou uma forte queda de 3,5%. Na esfera externa, as exportações tiveram um aumento de 3,7%, superando a queda de 1,8% nas importações. Matheus Pizzani, economista, aponta que o elevado endividamento de famílias e empresas foi um fator determinante para a forte retração do investimento e a estagnação do consumo familiar no final do ano. Esse cenário inibiu os efeitos positivos de um mercado de trabalho dinâmico e da expansão da renda, beneficiada pela queda da inflação ao longo do ano. Segundo o economista, o resultado ligeiramente positivo do trimestre foi salvo pela contribuição do setor externo, com a balança comercial favorável.

Destaques de 2025: safra recorde e consumo contido

Ao longo de 2025, a desaceleração do PIB foi abrangente, impactando tanto a indústria, que cresceu 1,4% (abaixo dos 3,1% de 2024), quanto os serviços, com alta de 1,8% (contra 3,8% em 2024). A agropecuária, contudo, foi o grande destaque positivo, registrando um crescimento robusto de 11,7% em 2025, revertendo a queda de 3,7% observada em 2024 e refletindo uma safra recorde.

Na ponta da demanda anual, o consumo das famílias desacelerou para uma alta de 1,3% (ante 5,1% em 2024), evidenciando a contenção dos gastos. O investimento, por sua vez, cresceu 2,9%, recuperando-se de uma retração de 6,9% no ano anterior. O consumo do governo avançou 2,1%, mantendo-se próximo da alta de 2% de 2024. O setor externo contribuiu positivamente para o resultado anual, com as exportações em alta de 6,2% superando o avanço das importações (4,5%), mesmo diante das tarifas impostas ao Brasil a partir de julho. Esse cenário contrasta com 2024, quando as importações cresceram 15,6%, bem acima das exportações (2,8%), um indicativo negativo para o crescimento, pois sinaliza que uma parcela maior da demanda interna é atendida por produtos estrangeiros.

Perspectivas e desafios para a economia brasileira em 2026

O cenário econômico brasileiro para 2026 é de moderação, com o crescimento do pib projetado em 1,8% em um ano de eleições presidenciais. A desaceleração observada em 2025, impulsionada pelos juros elevados e pela cautela no consumo e investimento, deve persistir. Contudo, o principal ponto de atenção recai sobre a geopolítica, com a guerra no Irã adicionando uma camada de incerteza capaz de impactar diretamente a inflação e, consequentemente, a política monetária. Manter a estabilidade econômica e fiscal será crucial para mitigar os efeitos adversos de um ambiente global volátil e garantir um crescimento sustentável.

Para aprofundar-se nos desdobramentos da economia e entender como as decisões políticas e geopolíticas podem afetar seu orçamento, acompanhe as próximas análises e projeções de mercado.

Fonte: https://g1.globo.com

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