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Pezeshkian afirma que o Irã não nutre inimizade pelo povo dos EUA

© Irã/WANA

Em um momento de intensas tensões geopolíticas, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, dirigiu uma mensagem direta “ao povo dos Estados Unidos da América” e “àqueles que continuam a buscar a verdade”, reafirmando que a nação persa não cultiva hostilidade contra outras populações. Esta declaração, divulgada em uma postagem na rede social X, sublinha uma distinção fundamental na política externa iraniana: a separação entre governos e os povos que representam. O Irã, com uma longa história de intervenções estrangeiras, busca desconstruir o que Pezeshkian descreve como “enxurrada de distorções e narrativas fabricadas”, num esforço para esclarecer sua posição e as raízes de suas políticas. A iniciativa ocorre em um cenário de conflito acirrado na região, com desdobramentos que afetam diretamente a estabilidade global e as relações Irã-EUA, marcadas por décadas de desconfiança e antagonismo.

A distinção iraniana e o legado histórico

Distinção entre povos e governos

Masoud Pezeshkian enfatiza que os iranianos sempre fizeram uma clara distinção entre os governos e os povos sob sua administração. Este princípio, segundo ele, é profundamente enraizado na cultura e na consciência coletiva iraniana, não sendo meramente uma posição política passageira. Pezeshkian destaca o Irã como uma das civilizações contínuas mais antigas da história humana, uma nação que, apesar de suas vantagens históricas e geográficas, “nunca escolheu o caminho da agressão, da expansão, do colonialismo ou da dominação”. Esta perspectiva busca contrastar a imagem do Irã com a narrativa frequentemente divulgada sobre suas intenções e ações no cenário internacional, especialmente em relação a potências ocidentais e seus aliados regionais.

Intervenções estrangeiras e a Operação Ajax

A deterioração das relações entre o Irã e os Estados Unidos é atribuída por Pezeshkian a eventos históricos críticos, começando com o golpe de Estado articulado pelos norte-americanos, com apoio do Reino Unido, para derrubar o primeiro-ministro democraticamente eleito Mohammad Mossadegh. Este evento, conhecido como Operação Ajax em 1953, ocorreu após o governo iraniano decidir nacionalizar os recursos petrolíferos do país. Pezeshkian argumenta que este golpe “desestruturou o processo democrático iraniano, restaurou uma ditadura e semeou uma profunda desconfiança entre os iranianos em relação às políticas dos EUA”. A desconfiança, ele acrescenta, foi aprofundada pelo apoio americano ao regime do Xá, o respaldo a Saddam Hussein durante a guerra imposta nos anos 1980, a imposição das mais longas e abrangentes sanções da história moderna e, finalmente, “agressões militares não provocadas — duas vezes, inclusive em meio a negociações — contra o Irã”.

A presença militar dos EUA e a autodefesa iraniana

Bases militares americanas ao redor do Irã

O presidente iraniano aborda a questão da presença militar dos Estados Unidos na região, afirmando que o país concentra o maior número de suas forças, bases e capacidades militares ao redor do Irã. Esta concentração é vista por Pezeshkian como uma ameaça direta a um país que, ele ressalta, “ao menos desde a fundação dos Estados Unidos, nunca iniciou uma guerra”. As “agressões americanas recentes lançadas a partir dessas mesmas bases” demonstram, na visão iraniana, o quão ameaçadora essa presença militar realmente é. Diante desse cenário, Pezeshkian argumenta que é natural que “nenhum país submetido a tais condições deixaria de fortalecer suas capacidades defensivas”, justificando assim os investimentos do Irã em sua própria segurança.

Resposta comedida e agressões externas

Pezeshkian reitera que as ações do Irã são uma “resposta comedida, fundamentada na legítima autodefesa, e de forma alguma uma iniciativa de guerra ou agressão”. Ele observa que, apesar das pressões contínuas, incluindo sanções e conflitos, o Irã não se enfraqueceu, mas sim se fortaleceu em diversas áreas após a Revolução Islâmica. O presidente cita o triplicar das taxas de alfabetização, a expansão significativa do ensino superior, avanços expressivos em tecnologia moderna, a melhoria dos serviços de saúde e o desenvolvimento de infraestrutura em um ritmo e escala incomparáveis ao passado. Estas são, segundo ele, “realidades mensuráveis e observáveis, que existem independentemente de narrativas fabricadas”. Contudo, Pezeshkian também reconhece o “impacto destrutivo das sanções, da guerra e da agressão sobre a vida do resiliente povo iraniano”, enfatizando que a continuidade da agressão militar e os bombardeios afetam profundamente a vida e as perspectivas das pessoas, que não permanecem indiferentes aos responsáveis por tais danos.

O papel de Israel e o questionamento dos interesses dos EUA

Negociações e a retirada de acordos

Pezeshkian destaca que o Irã buscou negociações e cumpriu seus compromissos internacionais. No entanto, ele critica a “decisão de se retirar desse acordo, escalar rumo ao confronto e lançar dois atos de agressão em meio às negociações” como “escolhas destrutivas feitas pelo governo dos EUA — escolhas que serviram às ilusões de um agressor estrangeiro”. Ele reitera que atacar a infraestrutura vital do Irã, incluindo instalações energéticas e industriais, atinge diretamente o povo iraniano, tornando-o alvo de políticas agressivas.

A influência de Israel e o custo humano

O presidente iraniano questiona abertamente se os interesses do povo norte-americano estão sendo verdadeiramente atendidos pela política externa de seu governo em relação ao Irã. Ele indaga: “Havia alguma ameaça objetiva por parte do Irã que justificasse tal comportamento? O massacre de crianças inocentes, a destruição de instalações farmacêuticas de tratamento contra o câncer, ou vangloriar-se de bombardear um país ‘de volta à idade da pedra’ serve a algum propósito além de prejudicar ainda mais a posição global dos Estados Unidos?”. Pezeshkian levanta a possibilidade de manipulação, perguntando se “Israel, ao fabricar uma ameaça iraniana, busca desviar a atenção global de seus crimes contra os palestinos” e se o país “pretende lutar contra o Irã até o último soldado americano e até o último dólar do contribuinte americano”. Ele conclui sua mensagem convidando a audiência a “olhar além da máquina de desinformação” e a considerar a perspectiva de quem visitou o Irã ou de imigrantes iranianos bem-sucedidos que contribuem globalmente em diversas áreas, sugerindo que essas realidades contrastam com as “distorções” apresentadas.

Cenário atual do conflito e implicações

Um mês de conflito e seus desdobramentos

O cenário geopolítico atual reflete a gravidade das tensões. Os ataques combinados de Estados Unidos e Israel contra o território iraniano completaram um mês, sem perspectiva concreta de um acordo que ponha fim ao conflito. Entre os mortos, figuram importantes autoridades do país persa, incluindo o líder supremo, Ali Khamenei. A escalada do conflito levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica controlada pelo Irã, por onde circulam aproximadamente 20% dos carregamentos de petróleo no mercado internacional. Como consequência direta, o preço do barril de petróleo já aumentou cerca de 50%, gerando instabilidade econômica global. Pesquisadores e analistas já apontam para os riscos ambientais e climáticos associados a esta crise prolongada. Enquanto a situação se desenrola, o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, tem um pronunciamento agendado para o mesmo dia, com previsão de ir ao ar às 22h (horário de Brasília), para abordar os desdobramentos da guerra, indicando a alta prioridade e o impacto internacional do conflito.

Perspectivas em um cenário de tensão crescente

A comunicação de Masoud Pezeshkian, presidente do Irã, ressalta a complexidade das relações internacionais e a busca do Irã por redefinir sua narrativa perante a comunidade global. Ao diferenciar o governo do povo e ao listar grievances históricas, Teerã busca justificar suas ações como autodefesa e desafiar a percepção ocidental de sua política externa. A mensagem evidencia um profundo ressentimento em relação a intervenções passadas e a contínua presença militar estrangeira na região, elementos que, segundo a perspectiva iraniana, alimentam a desconfiança e impedem a resolução pacífica. A escalada do conflito, o impacto no mercado global de petróleo e as potenciais consequências ambientais sublinham a urgência de uma abordagem diplomática que transcenda as narrativas polarizadas e explore caminhos para a desescalada e a estabilidade regional. O chamado à verdade e à observação imparcial da realidade iraniana serve como um convite ao diálogo em meio a uma das crises mais críticas do nosso tempo.

Para análises aprofundadas e atualizações contínuas sobre os desenvolvimentos geopolíticos no Oriente Médio e suas implicações globais, continue acompanhando nossas reportagens.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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