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Paralisação de motoristas afeta 20 linhas de ônibus em Curitiba

G1

A população de Curitiba enfrentou uma manhã de transtornos no transporte coletivo nesta quarta-feira, 14 de fevereiro, devido à paralisação de motoristas e cobradores da Auto Viação Mercês, também conhecida como Orlando Bertoldi. Cerca de 20 linhas de ônibus foram diretamente impactadas pelo movimento, que teve como principal motivação o atraso no pagamento de salários e a falta de depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) dos funcionários. A situação gerou consideráveis dificuldades para os usuários que dependem diariamente do serviço, especialmente nas regiões do Mercês, Santa Felicidade e Butiatuvinha. As autoridades municipais e o setor empresarial agiram rapidamente para mitigar os efeitos da interrupção, buscando soluções imediatas para a retomada do serviço essencial e minimizar o impacto sobre a rotina da cidade.

Impacto na mobilidade urbana e as causas da paralisação

Linhas e regiões atingidas
A paralisação dos trabalhadores da Auto Viação Mercês, que possui uma frota de 35 ônibus, causou um impacto significativo na rotina dos curitibanos, afetando diretamente a operação de quase duas dezenas de linhas de ônibus. De acordo As regiões mais atingidas pela interrupção do serviço foram os bairros Mercês, Santa Felicidade e Butiatuvinha, áreas que dependem majoritariamente da frota da empresa para o deslocamento diário de seus moradores. A falta dos ônibus nas primeiras horas da manhã gerou longas filas nos pontos e estações-tubo, obrigando muitos passageiros a buscar alternativas de transporte ou a atrasar seus compromissos.

A questão salarial e o FGTS
O cerne da paralisação residiu na insatisfação dos motoristas e cobradores com o atraso no pagamento de seus salários e na ausência dos depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Para os trabalhadores, a garantia de seus direitos laborais e a pontualidade no recebimento da remuneração são condições básicas para a manutenção do serviço, que é reconhecido como essencial para a cidade. A medida de paralisação foi um desdobramento da ausência de regularização dessas pendências, levando os funcionários a interromperem suas atividades como forma de protesto. A legislação brasileira determina que serviços essenciais, como o transporte público, devem ter um aviso prévio de no mínimo 72 horas antes de qualquer greve ou paralisação, permitindo que medidas preventivas sejam tomadas para minimizar os impactos à população. No entanto, neste caso, o movimento foi considerado surpreendente pelas autoridades, que não tiveram tempo hábil para organizar um plano de contingência abrangente.

Reações e medidas das autoridades

Posição da Urbs e possíveis transferências de linhas
A Urbanização de Curitiba (Urbs), órgão responsável pela gestão do transporte coletivo na cidade, prontamente se manifestou sobre a situação. Em nota, a Urbs informou que todos os repasses do município às empresas operadoras do sistema de transporte estão rigorosamente em dia, refutando qualquer insinuação de que a prefeitura teria responsabilidade financeira nos atrasos. O presidente da Urbs, Ogeny Pedro Maia Neto, destacou que a paralisação foi um movimento interno da empresa e dos trabalhadores, sem o devido aviso prévio. A Urbs também revelou que já vinha notificando a Viação Mercês desde o ano anterior devido a uma série de problemas recorrentes, incluindo atrasos em pagamentos, falhas na qualidade do atendimento aos usuários, queixas sobre a manutenção da frota e frequentes quebras de ônibus em operação.

Diante do cenário de instabilidade e da reincidência de problemas, a Urbs anunciou que está estudando a transferência definitiva de todas as linhas operadas pela Viação Mercês para outras empresas. A medida proposta visa garantir a totalidade do atendimento à população e visa realocar as operações para as empresas Santo Antônio e Glória, que, assim como a Viação Mercês, fazem parte do Consórcio Pontual. A determinação oficial para essa transferência seria encaminhada ao consórcio ainda na tarde da quarta-feira, após a resolução imediata da paralisação. A iniciativa reflete a preocupação do órgão em assegurar a continuidade e a qualidade do serviço essencial, protegendo os usuários de futuras interrupções.

A perspectiva do Setransp e a normalização do serviço
O Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba (Setransp) também se pronunciou, acompanhando de perto os desdobramentos da paralisação. A entidade informou ter atuado de forma institucional, promovendo reuniões com as partes envolvidas, tanto individualmente quanto em conjunto, na tentativa de evitar a interrupção do serviço. Apesar dos esforços e dos alertas sobre os impactos negativos para a população e a necessidade de cumprimento das exigências legais, como o aviso prévio de 72 horas e a manutenção de um percentual mínimo da operação, o impasse não foi superado, culminando na paralisação.

Em sua nota, o Setransp enfatizou que a situação enfrentada pela Auto Viação Mercês é um caso isolado e não representa o panorama geral do transporte coletivo de Curitiba. O sindicato garantiu que as demais empresas do sistema continuam operando normalmente, com regularidade e qualidade. O Setransp foi comunicado pela Auto Viação Mercês de que a quitação dos salários deveria ocorrer ainda na quarta-feira, por intermédio do Consórcio Pontual, o que permitiria a retomada gradual do serviço e a normalização das operações, minimizando os transtornos para os passageiros.

O posicionamento da empresa e o futuro das operações

Explicação da Auto Viação Mercês e a nova gestão
A Auto Viação Mercês, também identificada como Orlando Bertoldi, emitiu uma nota explicando os motivos dos atrasos. Segundo a empresa, a não efetivação dos pagamentos foi decorrente de “intercorrências pontuais no processamento bancário”, e não por falta de recursos financeiros. A companhia afirmou que uma parcela significativa dos salários já havia sido processada e que a regularização integral estava programada para ser concluída ainda na manhã da quarta-feira. A Viação Mercês também expressou compreensão pela “angústia e preocupação geradas” pela situação e reiterou seu compromisso com o diálogo aberto e respeitoso com seus colaboradores e suas representações, buscando a resolução plena da questão como prioridade máxima.

A empresa também aproveitou para contextualizar sua situação, mencionando que está sob uma nova gestão desde março de 2025. A atual administração assumiu a operação em um cenário considerado desafiador, com a herança de passivos de gestões anteriores. Quanto ao pagamento do 13º salário, a Viação Mercês confirmou que este foi parcelado em quatro vezes, atribuindo a decisão às mesmas intercorrências bancárias e operacionais que afetaram os salários regulares, justificando a medida como forma de assegurar o cumprimento integral da obrigação.

Histórico de notificações e desafios operacionais
O histórico de notificações da Urbs à Viação Mercês, que remonta ao ano anterior, ilustra um cenário de desafios operacionais mais amplos do que apenas a questão salarial pontual. As advertências da Urbs abrangiam desde atrasos financeiros, que culminaram na paralisação mais recente, até problemas crônicos na prestação do serviço. Reclamações de usuários sobre a qualidade do atendimento, falhas na manutenção da frota de ônibus e o registro de veículos quebrando em serviço eram pautas constantes nas notificações. Esse panorama sugere que a empresa já vinha enfrentando dificuldades significativas em sua gestão e operação, corroborando a declaração da Viação Mercês sobre os “passivos herdados” de administrações anteriores e o cenário desafiador para a nova gestão. A soma desses fatores acende um alerta para a necessidade de uma reestruturação ou de medidas mais contundentes para garantir a estabilidade e a qualidade de um serviço tão vital para Curitiba.

Desdobramentos e a garantia do serviço essencial

A paralisação dos motoristas da Auto Viação Mercês em Curitiba, embora de curta duração, revelou a fragilidade de um serviço essencial quando questões trabalhistas fundamentais não são atendidas. A rápida atuação das autoridades municipais, por meio da Urbs, e a intermediação do Setransp foram cruciais para a busca de uma solução imediata, com a expectativa de regularização dos pagamentos e a retomada gradual do serviço. No entanto, o episódio também expôs um histórico de problemas operacionais e financeiros da empresa, que já vinha sendo notificada pela Urbs. A possibilidade de transferência das linhas para outras operadoras do Consórcio Pontual sinaliza um esforço para blindar o sistema de transporte coletivo de futuras interrupções e garantir a estabilidade e a qualidade do serviço para a população de Curitiba. A manutenção de um diálogo transparente e o cumprimento das obrigações contratuais e trabalhistas são imperativos para a resiliência do sistema de mobilidade urbana.

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Fonte: https://g1.globo.com

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