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Operação Abadom: PMs do Pará presos por tráfico de drogas

Operação Abadom prende PMs no Pará por tráfico de drogas

A Operação Abadom, uma ação conjunta e de grande envergadura, desmantelou uma complexa rede de tráfico de drogas interestadual nesta terça-feira, 31 de outubro. Realizada pelas polícias civis do Pará e do Amapá, com apoio crucial da Polícia Federal, a operação resultou na prisão de 42 suspeitos em diversas localidades do país. No estado do Pará, 17 indivíduos foram detidos, entre eles dois policiais militares, levantando sérias questões sobre a infiltração do crime organizado em instituições públicas. As investigações apontam para Pedro de Morais Santos Garcia, um guarda municipal de Marituba, como o suposto chefe da facção “Família Terror do Amapá”, responsável por movimentar dezenas de milhões de reais em atividades ilícitas. A Operação Abadom revela a sofisticação e a abrangência das redes de narcotráfico que desafiam a segurança pública na região amazônica.

A desarticulação da rede e as prisões no Pará
A Operação Abadom, nomeada em referência a um termo bíblico associado à destruição, executou uma série de mandados de prisão e busca e apreensão em diversos estados, focando principalmente no Pará e no Amapá. A ação visava desmantelar uma facção criminosa que, segundo as investigações, dominava o tráfico de drogas interestadual, com ramificações que se estendiam para além das fronteiras nacionais. O número total de detidos, 42 suspeitos, reflete a escala da rede criminosa e a complexidade de sua estrutura.

O envolvimento de agentes públicos
Particularmente preocupante foi a prisão de 17 pessoas no Pará, incluindo dois policiais militares. Fernando Henrique da Silva Albernás, de 35 anos, e José das Graças Peres Monteiro, de 40 anos, foram identificados e detidos em Belém, chocando a comunidade e as próprias instituições de segurança. A suspeita de que agentes públicos estariam envolvidos em esquemas de tráfico de drogas ressalta a audácia do crime organizado e a necessidade de vigilância constante dentro das corporações. As investigações buscam determinar a profundidade do envolvimento desses oficiais, bem como identificar outros possíveis colaboradores dentro das forças de segurança. A quebra de confiança que tais casos provocam exige uma resposta firme e transparente das autoridades.

A liderança da facção e o intrincado esquema
As apurações, conduzidas pelo Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) do Amapá com apoio da Polícia Federal, convergiram para a figura de Pedro de Morais Santos Garcia, de 43 anos. Ele, que atuava como guarda municipal em Marituba, no Pará, é apontado como o principal articulador e chefe da “Família Terror do Amapá”, uma facção criminosa com vasta atuação no tráfico. A polícia estima que Garcia movimentou aproximadamente R$ 40 milhões em um período de três anos, evidenciando a lucratividade e o poder financeiro da organização.

A fuga do líder e a complexidade da lavagem de dinheiro
Pedro de Morais Santos Garcia e seu cunhado, considerado o principal comparsa na estrutura criminosa, conseguiram fugir durante a execução da operação, acompanhados da namorada do guarda municipal. A circunstância da fuga levantou suspeitas de que possa ter ocorrido um vazamento de informações sobre a ação policial, o que está sendo rigorosamente investigado pelas autoridades.

A trajetória de Garcia não era desconhecida das forças de segurança. Ele já havia sido alvo de uma operação anterior em 2021, quando foi ligado ao roubo de uma aeronave utilizada no transporte de entorpecentes, indicando um histórico de envolvimento em atividades de alta complexidade. Depoimentos de investigadores revelaram que o guarda municipal utilizava seu cargo público para mascarar suas ações ilícitas. Ele era capaz de realizar prisões e, simultaneamente, coordenar o tráfico de drogas no Amapá e no Pará, operando em uma espécie de dupla identidade que dificultava sua detecção.

Para lavar o dinheiro obtido com o tráfico, a facção mantinha uma elaborada rede de empresas de fachada. Oficinas de carros e lava-jatos, que operavam também no Pará, eram utilizadas para disfarçar a origem dos lucros ilícitos. O grupo empregava “laranjas” e realizava depósitos bancários fracionados para movimentar grandes volumes de recursos financeiros sem levantar suspeitas das autoridades. Essa estratégia de ocultação demonstra a sofisticação da organização criminosa em sua tentativa de se manter à margem da lei.

Rotas do tráfico e a integração das forças de segurança
As investigações detalharam as complexas rotas utilizadas pela organização criminosa. A cocaína, por exemplo, era transportada do Pará para o Amapá por via fluvial, em um esquema logístico que explorava a vasta rede de rios da região amazônica. As conexões do grupo não se limitavam aos estados do Norte; a polícia aponta para ligações com outros estados brasileiros e, possivelmente, com organizações criminosas internacionais, o que amplia a dimensão do desafio imposto às autoridades. O dinheiro gerado pelo tráfico era reinvestido na compra de armamentos e no financiamento de outras atividades criminosas, perpetuando um ciclo de violência e ilegalidade.

O transporte e a ocultação das drogas
O tráfico envolvia principalmente cocaína e crack, que eram enviados em navios entre as cidades de Macapá, no Amapá, e Santana. Para evitar a detecção durante o transporte, as drogas eram cuidadosamente fracionadas e escondidas em objetos comuns, dificultando a inspeção e a identificação por parte das autoridades portuárias e policiais. Essa tática de camuflagem evidencia a astúcia dos criminosos e a constante adaptação das forças de segurança para combater suas estratégias.

A integração entre as polícias estaduais e federais foi um fator crucial para o sucesso da Operação Abadom. As investigações tiveram início com a Polícia Federal, que identificou a crescente influência de facções criminosas de alcance nacional no Amapá. O delegado Everton Manso, coordenador de operações da Polícia Federal, ressaltou a importância dessa colaboração: “Essas facções não atuam só no tráfico local. Elas enviam drogas para o exterior e se aliam a grupos internacionais. Por isso, só uma polícia integrada consegue dar resposta eficaz.”

Esta foi a segunda operação de grande porte contra o crime organizado em menos de uma semana, demonstrando o empenho das autoridades no combate a essas redes. O secretário de Justiça e Segurança Pública, Cezar Vieira, afirmou que as equipes estão totalmente dedicadas a conter a expansão das facções no estado. “Estamos em linha dura contra a criminalidade. Os resultados mostram que é possível conter o avanço das facções”, declarou Vieira, reforçando o compromisso do governo.

A Prefeitura de Marituba, por sua vez, divulgou uma nota oficial, assegurando que não compactua com condutas ilegais. A gestão municipal informou que, caso o envolvimento de seu guarda municipal seja confirmado após as investigações da Operação Abadom, todas as medidas administrativas cabíveis serão tomadas de forma imediata. A prefeitura reiterou sua plena disposição em colaborar com as investigações, visando ao total esclarecimento dos fatos.

O impacto da Operação Abadom na segurança pública regional
A Operação Abadom representa um golpe significativo contra o crime organizado na região amazônica, especialmente no Pará e no Amapá. A desarticulação de uma rede tão extensa, com a prisão de dezenas de suspeitos, incluindo agentes públicos, e a revelação de um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro, demonstra a capacidade das forças de segurança quando atuam de forma coordenada. Contudo, a fuga do suposto líder e a complexidade das ramificações nacionais e internacionais do grupo criminoso evidenciam que a luta contra o tráfico de drogas é um desafio contínuo e multifacetado. As autoridades reafirmam seu compromisso com a repressão ao crime organizado, buscando assegurar a paz e a segurança da população por meio de investigações rigorosas e ações integradas.

Para mais informações sobre o combate ao tráfico de drogas e as ações das forças de segurança na região amazônica, acompanhe as atualizações em nosso portal de notícias.

Fonte: https://g1.globo.com

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