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Mulheres impulsionam ascensão de outras carreiras femininas

© Fernando Frazão/Agência Brasil

A ascensão feminina no ambiente corporativo é significativamente impulsionada pelo apoio mútuo entre mulheres, revelam dados recentes de um levantamento. Quatro em cada dez mulheres em cargos de liderança, correspondendo a 41% das entrevistadas, afirmaram ter recebido suporte preferencialmente feminino para progredir em suas trajetórias profissionais. Esse achado ressalta a importância de redes de apoio femininas, contrastando com apenas 14% que indicaram ter sido apoiadas primariamente por homens. A pesquisa, que ouviu 1.534 líderes femininas em todo o Brasil, detalha a dinâmica desse suporte, as renúncias pessoais feitas em nome do crescimento na carreira e como essas percepções variam entre diferentes grupos etários e setores. O estudo ilumina a fundamental contribuição feminina para o avanço coletivo no mercado de trabalho.

O papel central do apoio feminino na ascensão profissional

O cenário profissional contemporâneo mostra uma crescente valorização do networking e do mentorado, e para as mulheres, essa dinâmica adquire uma conotação particularmente feminina. O levantamento demonstrou que a grande maioria das mulheres em posições de liderança credita seu avanço a outras mulheres. Esse apoio preferencial se manifesta em diversas frentes, desde orientações sobre estratégias de carreira até a criação de oportunidades e o fomento de um ambiente de trabalho mais inclusivo. Além das 41% que apontaram o apoio predominantemente feminino, 29% mencionaram ter recebido auxílio tanto de homens quanto de mulheres, evidenciando uma colaboração mista, mas ainda assim com um componente feminino expressivo. Apenas 13% das líderes não identificaram suporte significativo, e uma minoria de 3% não conseguiu distinguir a origem do apoio.

Preferência pelo suporte entre gêneros

A percepção de quem impulsiona a carreira das mulheres não é uniforme em todos os grupos. Mulheres mais jovens, na faixa etária entre 25 e 40 anos, são as que mais fortemente identificam o apoio de outras mulheres como crucial para sua progressão, com um impressionante percentual de 48%. Essa geração, que vivencia um mercado de trabalho mais dinâmico e com maior conscientização sobre a equidade de gênero, parece mais apta a buscar e oferecer suporte entre pares femininos. Em termos de áreas de atuação, o impulso feminino é ainda mais proeminente em setores como marketing, publicidade e comunicação, onde atinge 56%, e em educação e treinamento corporativo, com 53%. Esses números sugerem que em campos que demandam alta colaboração e habilidades interpessoais, as redes femininas florescem com mais vigor. Por outro lado, o apoio predominantemente masculino, embora minoritário, é mais notável entre as mulheres em cargos de alta cúpula, como presidentes, vice-presidentes, CEOs ou sócias (20%), e diretoras ou líderes de área (18%). Esse padrão também é ligeiramente superior entre as mulheres com 41 a 59 anos (18%), indicando que, historicamente, a presença masculina em posições de poder poderia ter sido mais dominante para as gerações anteriores.

Variações por faixa etária e setor de atuação

A diretora executiva de uma organização dedicada a impulsionar lideranças femininas, Simone Murata, enfatiza a relevância desses achados. Ela observa que a preparação individual das mulheres, por si só, não é suficiente sem a retaguarda de uma “rede e uma aliança robusta” que promova o crescimento. Para Murata, o levantamento valida a crença de que “quando uma cresce, todas crescem”, destacando a força inerente à solidariedade feminina. Ela argumenta que, ao alcançar uma posição de privilégio, uma mulher tem a responsabilidade de auxiliar outras a ascenderem, o que se configura como um dos pilares primários da pesquisa. Essa interdependência profissional é vista como um motor de transformação e empoderamento coletivo, redefinindo as dinâmicas de poder no ambiente de trabalho.

Os sacrifícios enfrentados em nome da carreira

O caminho para o topo frequentemente exige concessões significativas, e para as mulheres, essa realidade é particularmente acentuada. O levantamento investigou as principais renúncias que profissionais femininas fazem em sua jornada. Os resultados são contundentes: três em cada quatro entrevistadas (74%) relataram ter abdicado do autocuidado, uma categoria que engloba a saúde física e a dedicação a hobbies pessoais. Esse alto índice sublinha a pressão para priorizar as demandas profissionais em detrimento do bem-estar individual, muitas vezes resultando em um desequilíbrio prejudicial.

Impacto na saúde e bem-estar

Outras áreas da vida pessoal que sofrem impacto significativo incluem o tempo dedicado à família, citado por 53% das mulheres, e a saúde mental, também mencionada por 53%. A constante busca por excelência e o gerenciamento de múltiplas responsabilidades podem levar a um esgotamento severo. O lazer foi sacrificado por 37%, enquanto a maternidade ou o desejo de ter filhos foi uma renúncia para uma em cada quatro entrevistadas, revelando a complexa escolha entre aspirações profissionais e pessoais. Simone Murata complementa essa perspectiva, afirmando que as mulheres tendem a se colocar por último na lista de prioridades. “Eu não abro mão dos meus filhos, não abro mão de entregas do meu trabalho, não abro mão de cuidar dos meus amigos”, observa, ilustrando a dificuldade em ceder em aspectos que não sejam o próprio cuidado. Essa dinâmica é corroborada por dados do Ministério da Saúde, que apontam um aumento de 54% nos atendimentos relacionados à Síndrome de Burnout entre mulheres no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2023, em comparação com o ano anterior, superando os casos entre homens e indicando uma crise de esgotamento profissional feminino.

Diferenças geracionais nas renúncias

As renúncias observadas variam consideravelmente entre as diferentes faixas etárias, refletindo as mudanças nas expectativas e no mercado de trabalho ao longo das décadas. Entre as mulheres mais jovens, de 18 a 24 anos, as maiores perdas foram na vida social e no lazer (50%) e em relacionamentos afetivos (32%). Isso sugere que a geração que inicia sua carreira está disposta a sacrificar sua vida pessoal e social em busca de reconhecimento e ascensão. Já para as mulheres entre 25 e 40 anos, a saúde mental emerge como a principal renúncia, destacada por 58% delas, um período da vida que coincide com o auge da carreira e, muitas vezes, com a maternidade e outras responsabilidades familiares. Entre as mais velhas, com mais de 40 anos, o tempo com a família foi o sacrifício mais citado, atingindo 60%.

As mudanças no mercado e o apoio entre mulheres

A diretora executiva Simone Murata interpreta essas variações geracionais como um reflexo das transformações do mercado de trabalho e do crescente espaço das mulheres em posições de liderança. Ela argumenta que, há duas décadas, a exigência sobre as mulheres era ainda maior, demandando uma necessidade constante de “se provar”. As concessões feitas pelas mulheres mais velhas, hoje com cerca de 50 anos, foram, portanto, superiores às que a nova geração enfrenta. Contudo, Murata acredita que, à medida que mais mulheres avançam na carreira, a necessidade de validação constante tende a diminuir. A meta, segundo ela, é que a ascensão feminina seja equilibrada, permitindo que o trabalho seja uma fonte de prazer e não de esgotamento.

Desafios contemporâneos e o legado das gerações passadas

A trajetória de mulheres como Denise Hamano, de 43 anos, exemplifica o poder do apoio feminino. Após mais de 15 anos em tecnologia, um setor historicamente dominado por homens, Hamano se tornou uma das líderes femininas em uma grande rede de varejo. Em colaboração com a presidente do Conselho de Administração da companhia, ela co-criou uma comunidade de mulheres de negócio dentro do grupo. Essa iniciativa reúne mais de 3 mil empreendedoras e lojistas, oferecendo um espaço crucial para o compartilhamento de conhecimentos, dicas de vendas e um programa de mentoria totalmente gratuito, onde as próprias integrantes atuam como mentoras e mentoradas.

O poder das comunidades de apoio femininas

A comunidade liderada por Denise Hamano não apenas impulsiona negócios, mas também aborda as dificuldades específicas enfrentadas por essas mulheres. Uma pesquisa entre as participantes revelou que a principal barreira para o crescimento era a tripla jornada de trabalho: gerenciar a casa, o negócio, os filhos ou cuidar de parentes. Nesse contexto, o autocuidado, o lazer e até o aperfeiçoamento profissional acabam sendo negligenciados. A existência dessas comunidades de apoio prova ser vital, fornecendo um ambiente onde as mulheres podem se conectar, validar suas experiências e encontrar soluções coletivas para os desafios impostos por uma sociedade que ainda as sobrecarrega. Essas redes são essenciais para construir uma base sólida de apoio que empodera cada mulher a superar obstáculos e alcançar seu pleno potencial, transformando o “quando uma cresce, todas crescem” em uma realidade tangível.

Conclusão

A pesquisa reforça que o impulsionamento da ascensão feminina é um fenômeno predominantemente construído e sustentado por outras mulheres. Essa solidariedade, evidenciada por redes de apoio e mentorias, é fundamental para o progresso profissional em um mercado que ainda apresenta desafios específicos para elas. Contudo, essa trajetória muitas vezes exige sacrifícios substanciais, impactando a saúde, o bem-estar e a vida pessoal. As variações geracionais nas renúncias revelam um mercado em constante evolução, onde as novas gerações, embora ainda enfrentem pressões, podem se beneficiar de um cenário ligeiramente menos exigente, impulsionado pela própria atuação das mulheres que vieram antes. O fortalecimento dessas comunidades de apoio mútuo se mostra não apenas benéfico, mas essencial para construir um futuro onde o sucesso feminino seja coletivo e equilibrado, permitindo que o trabalho seja uma fonte de satisfação e não de esgotamento.

Para aprofundar a discussão sobre equidade de gênero no trabalho e compartilhar experiências sobre como o apoio feminino pode transformar carreiras, participe de fóruns e redes profissionais dedicadas ao empoderamento de mulheres.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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