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Mulher agredida em Peruíbe relata não se lembrar da violência e nega medidas protetivas

G1

Uma mulher de 25 anos, vítima de agressão em Peruíbe, no litoral de São Paulo, surpreendeu as autoridades ao declarar que não se lembra das violências sofridas e, mais ainda, ao recusar a solicitação de medidas protetivas contra seu marido. O incidente, ocorrido na manhã do primeiro dia de 2026, teve grande repercussão após a circulação de imagens que mostram o companheiro, Luis Fernando de Sousa, de 34 anos, desferindo golpes contra ela em plena avenida da praia. A situação levanta questões complexas sobre a dinâmica da violência doméstica e os desafios enfrentados por vítimas e pelo sistema de justiça. Luis Fernando de Sousa, que confessou o crime, teve sua prisão em flagrante convertida em preventiva após uma audiência de custódia.

Agressão em público choca cidade no réveillon

O cenário de celebração do Ano Novo em Peruíbe foi brutalmente interrompido por um ato de violência que chocou testemunhas e a comunidade local. No dia 1º de janeiro de 2026, por volta das 7h, na orla da praia, o que deveria ser um momento de confraternização se transformou em palco para uma agressão brutal. A mulher, casada há seis anos com o agressor, foi atacada pelo marido em via pública, chegando a desmaiar em decorrência dos golpes.

Detalhes do ataque e a intervenção policial

Testemunhas que presenciaram a cena acionaram a Polícia Militar imediatamente. Imagens de segurança, que circularam posteriormente, capturaram o momento em que Luis Fernando de Sousa desferia socos na cabeça de sua esposa, que então caiu desacordada no chão. A rapidez da ação policial, baseada nos relatos e na identificação do agressor por populares, foi crucial para a prisão em flagrante de Luis Fernando. O casal foi prontamente levado a um pronto-socorro para atendimento médico antes de serem encaminhados à delegacia para prestar depoimento sobre o ocorrido. O homem confessou o crime, sendo autuado por lesão corporal contra a mulher, configurando violência doméstica por razões da condição do sexo feminino, crime cuja pena pode chegar a quatro anos de prisão. Contudo, os detalhes sobre o que teria motivado as agressões e como elas se iniciaram não foram especificados no boletim de ocorrência inicial.

Vítima recusa proteção em meio a desmemória

Um dos aspectos mais marcantes e preocupantes deste caso é a postura da vítima após a agressão. Em seu depoimento à Polícia Civil, a mulher declarou não se recordar dos fatos que levaram à violência sofrida na orla da cidade, logo após as festividades de Réveillon. A perda de memória em contextos de trauma intenso não é incomum, mas sua recusa em solicitar medidas protetivas adiciona uma camada de complexidade e desafio para as autoridades e para o sistema de suporte a vítimas de violência.

O depoimento à polícia e a complexidade do caso

A declaração da mulher, alegando não lembrar da agressão e, consequentemente, não ter intenção de pedir medidas que a afastassem do agressor, levanta alertas sobre o ciclo da violência doméstica e as barreiras que impedem as vítimas de buscar ajuda ou de se protegerem legalmente. Muitas vezes, fatores como dependência emocional, financeira, medo de retaliação, ou mesmo a esperança de mudança do agressor, levam as vítimas a desistir de prosseguir com as acusações ou a recusar a proteção oferecida. A Polícia Civil, por sua vez, deve seguir os protocolos para garantir a segurança da vítima, mesmo diante de sua recusa inicial, avaliando os riscos e oferecendo novamente o suporte adequado, enquanto o processo legal contra o agressor segue seu curso.

Consequências legais para o agressor

A prisão de Luis Fernando de Sousa em flagrante foi um passo imediato, mas o sistema de justiça rapidamente avaliou a necessidade de manter o agressor sob custódia. A decisão de converter a prisão em flagrante para preventiva após a audiência de custódia é um indicativo da seriedade do crime e da percepção de risco que o agressor representa.

Prisão preventiva e argumentos da defesa

Na audiência de custódia, realizada no dia seguinte ao incidente, a Justiça acatou o pedido de prisão preventiva, entendendo que a liberdade do agressor poderia colocar em risco a ordem pública, a instrução criminal ou a própria vítima. O advogado de defesa, Jairo Ribeiro, contestou a decisão, argumentando que seu cliente preenche todos os requisitos legais para responder ao processo em liberdade, como moradia fixa, bons antecedentes criminais e uma ocupação formal. Segundo Ribeiro, a prisão cautelar não deveria ser utilizada como uma antecipação de pena, nem se fundamentar em apelos sociais, mas sim em critérios estritamente legais. Ele afirmou que a audiência de custódia tem como finalidade primordial analisar a legalidade da prisão, e não questões de mérito ou os fatos que a determinaram, e expressou confiança de que a revogação da medida poderá ser acatada futuramente.

O panorama da violência doméstica

O caso de Peruíbe, embora específico em seus detalhes, reflete um problema social mais amplo e complexo: a violência doméstica. Milhões de mulheres em todo o Brasil são vítimas de agressões físicas, psicológicas, sexuais, patrimoniais ou morais, muitas vezes perpetradas por seus próprios companheiros ou ex-companheiros. A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) foi um marco fundamental na legislação brasileira para combater e prevenir essa forma de violência, criando mecanismos para coibir e punir agressores.

Desafios na proteção de vítimas e o ciclo da violência

A recusa de medidas protetivas por parte da vítima é um dos maiores desafios enfrentados pelos órgãos de segurança e de assistência social. O ciclo da violência, muitas vezes caracterizado por fases de tensão, explosão e lua de mel, pode confundir a vítima, levando-a a acreditar na possibilidade de mudança do agressor ou a temer as consequências de uma ruptura. Profissionais de saúde, psicólogos, assistentes sociais e policiais atuam em uma frente delicada, buscando quebrar esse ciclo e garantir que a vítima tenha acesso a todos os recursos necessários para sua segurança e recuperação. A conscientização pública e o fortalecimento das redes de apoio são essenciais para encorajar as mulheres a denunciar e a aceitar a ajuda disponível.

Desdobramentos e futuro do caso

O processo criminal contra Luis Fernando de Sousa seguirá seu curso na Justiça. A prisão preventiva garante que ele permaneça detido enquanto as investigações se aprofundam e o processo avança. A polícia e o Ministério Público deverão coletar mais provas, ouvir testemunhas e analisar todos os elementos para que o julgamento seja justo e eficaz. Paralelamente, a situação da vítima continuará sendo monitorada pelas autoridades, mesmo diante de sua recusa inicial em buscar proteção. A complexidade do caso de Peruíbe serve como um lembrete contundente da persistência da violência doméstica e da necessidade de uma abordagem multifacetada que combine a punição dos agressores com o suporte integral e contínuo às vítimas, para que possam reconstruir suas vidas em segurança.

Este caso realça a importância da atenção contínua e do suporte às vítimas de violência. Se você ou alguém que conhece precisa de ajuda, procure os canais de apoio disponíveis, como o Ligue 180, a Delegacia da Mulher mais próxima ou organizações não governamentais especializadas no combate à violência de gênero.

Fonte: https://g1.globo.com

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