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Moraes vota por perda imediata do mandato de Zambelli

© Rosinei Coutinho/STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proferiu um voto crucial nesta sexta-feira (12), reafirmando a anulação da votação que manteve o mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP). A decisão judicial determina a perda imediata do mandato da parlamentar, que já acumula duas condenações à prisão. Em sua deliberação, Moraes ordenou ao presidente da Câmara que emposse o suplente, Adilson Barroso (PL-SP), em até 48 horas. Este movimento sublinha o entendimento de que cabe ao Poder Judiciário a prerrogativa de determinar a cassação de mandatos de parlamentares com condenações transitadas em julgado, com o Legislativo restrito a uma declaração formal. A votação da Primeira Turma do STF está em curso, com os demais ministros avaliando a ratificação da decisão.

A decisão do Supremo e o papel do Judiciário

Anulação da votação e determinação da perda do mandato

A recente decisão do ministro Alexandre de Moraes, atuando como relator no caso envolvendo a deputada Carla Zambelli, reacende o debate sobre os limites e as responsabilidades dos Poderes Legislativo e Judiciário em situações de condenação criminal de parlamentares. Na quinta-feira (11), Moraes já havia emitido uma liminar que estabelecia a perda imediata do mandato de Zambelli, além de instruir o presidente da Câmara, Hugo Motta, a providenciar a posse do suplente, Adilson Barroso, em um prazo de até 48 horas. A votação formal da Primeira Turma do STF teve início nesta sexta-feira (12), com o ministro replicando em seu voto a liminar proferida anteriormente. Os demais integrantes da Turma – ministros Cármen Lúcia, Flávio Dino e Cristiano Zanin – têm até as 18h para apresentar seus votos, decidindo se referendam ou não a decisão inicial de Moraes.

O cerne da argumentação do ministro reside na interpretação da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Segundo Moraes, a competência para determinar a perda do mandato de um parlamentar condenado por decisão transitada em julgado é inerente ao Poder Judiciário. À Câmara dos Deputados caberia, neste cenário, apenas a função de “declarar a perda do mandato”, um ato de natureza formal e não deliberativa sobre o mérito da condenação. Essa posição contrasta com a votação ocorrida no plenário da Câmara, também na quinta-feira (11), onde a cassação do mandato da deputada foi rejeitada. Naquela ocasião, foram registrados 227 votos a favor da perda do mandato e 110 contra, com 10 abstenções. Para que a medida fosse aprovada no âmbito legislativo, seriam necessários 257 votos, o que não foi alcançado.

A jurisprudência do STF, no entanto, estabelece que, em casos de condenação à prisão em regime fechado, a perda do mandato parlamentar ocorre de forma automática. Nesses cenários, a aprovação pelo plenário da Casa legislativa torna-se desnecessária, dependendo a efetivação da perda apenas de um ato formal da mesa diretora. Esta interpretação reforça a visão de que a decisão judicial tem precedência e efeito vinculante sobre a situação do mandato, independentemente da vontade política expressa pelo parlamento.

O histórico de condenações e o caso de extradição

Fuga, invasão do CNJ e primeira condenação

O histórico legal de Carla Zambelli é complexo e inclui episódios que culminaram em condenações significativas. Em julho do ano corrente, a deputada foi detida em Roma, Itália, em uma tentativa de evasão de um mandado de prisão emitido pelo próprio ministro Alexandre de Moraes. Zambelli, que possui dupla cidadania, havia deixado o Brasil buscando asilo político em solo italiano após ser condenada pelo STF a uma pena de 10 anos de prisão. Esta condenação se deu em 2023, resultado de sua participação na invasão do sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

As investigações detalharam que Carla Zambelli foi identificada como a mentora intelectual por trás da invasão, cujo objetivo era emitir um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. O trabalho técnico para a invasão foi executado por Walter Delgatti, que também foi condenado no processo e confirmou ter agido sob as instruções da parlamentar. Após a sua fuga para a Itália, o governo brasileiro, em junho, formalizou o pedido de extradição da deputada para que ela pudesse cumprir suas sentenças no Brasil, marcando um capítulo tenso nas relações jurídicas internacionais.

Segunda condenação e o reforço do pedido de extradição

O cenário jurídico de Zambelli se agravou em agosto, quando a parlamentar foi novamente condenada pelo Supremo Tribunal Federal. Desta vez, as acusações envolviam porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo. Este segundo caso está diretamente relacionado a um incidente amplamente divulgado, ocorrido pouco antes do segundo turno das eleições de 2022. Naquela ocasião, a deputada foi flagrada perseguindo um homem com uma arma em punho pelas ruas de São Paulo, gerando grande repercussão e controvérsia pública.

A nova condenação serviu para fortalecer o pedido de extradição que já estava em andamento. A existência de múltiplas condenações por crimes graves no Brasil adicionou peso aos argumentos apresentados pelo governo brasileiro às autoridades italianas. A decisão final sobre o processo de extradição de Carla Zambelli para o Brasil é aguardada com expectativa e será tomada durante uma audiência programada para a próxima quinta-feira (18) pela Justiça italiana. Este desfecho é crucial tanto para a aplicação da justiça no Brasil quanto para o futuro político e pessoal da deputada.

Consequências e o futuro político de Zambelli

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, que determina a perda imediata do mandato de Carla Zambelli, caso seja referendada pela Primeira Turma do STF, estabelece um precedente robusto sobre a aplicação da lei a parlamentares condenados. Essa postura reafirma a visão do Supremo de que mandatos eletivos não conferem blindagem contra as consequências de sentenças judiciais transitadas em julgado, especialmente em casos de crimes graves que impliquem pena de prisão. A efetivação da perda do mandato não apenas altera a composição da Câmara dos Deputados com a posse do suplente Adilson Barroso, mas também envia uma mensagem clara sobre a prevalência da autoridade judicial em determinados contextos.

As implicações para Carla Zambelli são profundas. Além da possível perda de seu cargo legislativo, que a privaria de prerrogativas e imunidades parlamentares, ela enfrenta o iminente desfecho do processo de extradição na Itália. A combinação das condenações por invasão do CNJ e porte ilegal de arma, somadas à tentativa de fuga, desenha um futuro político e pessoal desafiador. A decisão da Justiça italiana, prevista para a próxima quinta-feira, será determinante para saber se Zambelli retornará ao Brasil para cumprir suas penas, o que impactaria diretamente sua capacidade de participação na vida pública e política nos próximos anos. Este caso exemplifica a complexidade das relações entre os Poderes e a persistência da justiça em buscar a responsabilização de figuras públicas.

Acompanhe as próximas atualizações sobre o desfecho do caso na Justiça italiana e os próximos passos no Supremo Tribunal Federal.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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