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Minas Gerais adere a programa federal para renegociar dívida com a União

G1

Minas Gerais obteve a tão aguardada autorização da União para formalizar sua adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). A decisão, publicada em despacho no Diário Oficial da União nesta quarta-feira, 31 de janeiro, e assinada pelo ministro substituto da Fazenda, Dario Carnevalli Durigan, representa um marco fiscal significativo para o estado. A oficialização ocorreu no último dia do prazo legal estabelecido para que os estados interessados confirmassem sua participação, atestando que Minas Gerais cumpriu todos os requisitos mandatórios para a renegociação de sua expressiva dívida junto ao governo federal sob condições especiais. Este movimento é crucial para a saúde financeira do estado e a capacidade de investimento em setores essenciais.

Adesão ao Propag: um passo crucial para Minas Gerais
Formalização e contexto legal
O Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), regulamentado este ano, visa oferecer aos entes federativos em situação de endividamento condições mais flexíveis para reestruturar seus débitos com a União. A lei que o institui permite a renegociação em prazos estendidos, com juros zerados e correção monetária limitada, em troca de contrapartidas fiscais e de investimentos.

A aprovação de Minas Gerais foi precedida de pareceres técnicos e jurídicos favoráveis da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Essas instituições foram responsáveis por uma análise rigorosa da conformidade jurídica e fiscal da operação, assegurando que o pedido do estado mineiro atendia a todos os critérios estabelecidos pela legislação do Propag. O processo teve início formal em 6 de novembro, quando o governo mineiro protocolou seu pedido de adesão junto à STN, culminando na autorização dentro do prazo legal final.

A dívida e a escolha da modalidade
A dívida de Minas Gerais com a União é uma das maiores entre os estados brasileiros, atualmente estimada em aproximadamente R$ 181 bilhões. Essa montanha de débitos tem sido um dos principais entraves para o desenvolvimento e a capacidade de investimento do estado ao longo dos anos.

Na proposta de adesão ao Propag, o governo mineiro optou pela modalidade que permite um abatimento máximo de 20% do saldo devedor. Para concretizar esse desconto substancial, o estado deverá utilizar um rol de ativos, conforme previsto na legislação do programa. Este rol pode incluir imóveis de propriedade estatal, recebíveis futuros e participações acionárias em empresas estatais, um mecanismo que visa dar liquidez à União e, ao mesmo tempo, reduzir o passivo do estado.

Entre os ativos estratégicos, destaca-se a possível inclusão de participações na Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). A permissão para a desestatização da Copasa foi um passo político importante, aprovado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais um dia antes do envio do pedido de adesão ao Propag e sancionada pelo governador Romeu Zema em 23 de janeiro, demonstrando a proatividade do governo em viabilizar os requisitos do programa.

Implicações e próximos passos
Condições de renegociação e contrapartidas
A principal vantagem da adesão ao Propag para Minas Gerais reside nas condições de pagamento drasticamente mais favoráveis. O estado terá um prazo estendido de até 30 anos para quitar sua dívida, com juros zerados e correção monetária atrelada exclusivamente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial de inflação do país. Essa mudança representa uma significativa redução no custo do serviço da dívida, liberando recursos orçamentários que antes seriam destinados a juros elevados.

Em contrapartida a esses benefícios, a lei do Propag exige que o estado destine anualmente 1% do saldo devedor remanescente ao Fundo de Equalização Federativa. Além disso, outro 1% do saldo devedor deverá ser direcionado para investimentos prioritários em diversas áreas sociais e de infraestrutura. Tais áreas incluem educação, habitação, saneamento básico, transporte e segurança pública. Estas destinações obrigatórias buscam assegurar que a renegociação fiscal se traduza em melhorias tangíveis para a população mineira, vinculando a saúde financeira do estado ao desenvolvimento social e econômico.

A estratégia dos ativos e o debate político
Para garantir o abatimento máximo de 20% de sua dívida, o governo de Minas Gerais apresentou à União uma robusta lista de ativos avaliados em cerca de R$ 96 bilhões. Este montante é quase o triplo do valor mínimo exigido pelo programa, que seria de aproximadamente R$ 36 bilhões (equivalente a 20% dos R$ 181 bilhões da dívida atual). A estratégia de oferecer um volume superior visa proporcionar maior margem de negociação e demonstrar o comprometimento do estado com a reestruturação fiscal.

A composição desses ativos é diversificada e inclui imóveis, créditos da dívida ativa do estado, recebíveis futuros e as já mencionadas participações em estatais. Cerca de 75% do total oferecido corresponde a fluxos de recebíveis, ou seja, valores que o estado tem direito a receber ao longo dos próximos 30 anos. Esses recursos provêm de diversas fontes, como compensações financeiras pela exploração de recursos naturais, acordos estabelecidos com a União e créditos reconhecidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a exemplo dos valores referentes ao antigo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef).

O vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), defendeu a ampliação da lista de ativos enviados à União como uma tática para fortalecer a posição do estado nas negociações. No entanto, a estratégia não é isenta de controvérsias. Na Assembleia Legislativa, a oposição tem levantado questionamentos, alegando que a vasta oferta de ativos serviria como um pretexto para acelerar um projeto de privatizações no estado, incluindo a potencial venda de empresas como a Copasa e a Cemig, gerando um intenso debate sobre o futuro do patrimônio público mineiro.

Desafios futuros e o impacto no estado
A adesão de Minas Gerais ao Propag representa um alívio fiscal sem precedentes e abre caminho para uma gestão financeira mais equilibrada. Ao renegociar sua dívida sob condições muito mais favoráveis, o estado terá a oportunidade de redirecionar recursos significativos que antes seriam consumidos pelo serviço da dívida para investimentos essenciais em infraestrutura e serviços públicos. Isso pode impulsionar o desenvolvimento econômico, melhorar a qualidade de vida da população e fortalecer a capacidade de resposta do estado a demandas sociais urgentes.

Os próximos passos para Minas Gerais incluem a assinatura do termo aditivo que formalizará plenamente a entrada no programa. Após essa formalização, o governo estadual deverá detalhar os ativos que serão efetivamente utilizados para amortizar a dívida e garantir o cumprimento rigoroso de todas as obrigações e contrapartidas previstas na legislação do Propag. A transparência e a eficiência na gestão desses ativos e na alocação dos recursos liberados serão cruciais para o sucesso a longo prazo da renegociação.

Embora a autorização da União seja um marco positivo, o caminho para a plena recuperação fiscal e econômica de Minas Gerais ainda demandará disciplina orçamentária contínua e uma gestão estratégica dos recursos. A renegociação é um instrumento poderoso, mas sua efetividade dependerá da capacidade do estado em capitalizar as novas condições para promover um desenvolvimento sustentável e robusto, superando os desafios históricos de seu endividamento.

Para acompanhar os desdobramentos desta renegociação histórica e entender como ela moldará o futuro financeiro de Minas Gerais, continue informando-se sobre as notícias do estado.

Fonte: https://g1.globo.com

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