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Mãe questiona a morte do filho em clínica de reabilitação e alega espancamento

G1

A dona de casa Mariselma Cardoso Silva Felipini vive dias de angústia e incredulidade após a trágica morte de seu filho, Wildson Cardoso Felipini, de 30 anos, em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos em Ribeirão Preto, São Paulo. O que inicialmente foi comunicado à família como um problema cardíaco, transformou-se em um cenário de suspeita profunda com a revelação do laudo do Instituto Médico Legal (IML), que aponta traumas e hemorragias como causa do óbito. Esta grave discrepância levou Mariselma a clamar por justiça e explicações, convicta de que seu filho foi vítima de espancamento dentro da instituição. A morte em clínica de reabilitação levanta sérias questões sobre a segurança e os protocolos de atendimento, enquanto a Polícia Civil de São Paulo já investiga o caso como morte suspeita, buscando esclarecer as circunstâncias que levaram ao desfecho fatal para Wildson.

O mistério da morte e as contradições

Relato inicial versus laudo oficial

A aflição de Mariselma Cardoso é palpável desde o momento em que recebeu a notícia da morte de Wildson. Impressionada e visivelmente abalada, a mãe afirma que não tem conseguido comer nem dormir. Inicialmente, a família foi informada de que o jovem, internado para tratamento de dependência química, teria sofrido um infarto ou problemas no coração. Contudo, essa versão foi abruptamente confrontada pelas conclusões preliminares da certidão de óbito, que descreve explicitamente a presença de traumas e hemorragias internas. Essa drástica diferença entre a comunicação inicial e os achados forenses intensificou as suspeitas maternas de que Wildson foi brutalmente agredido. “Não é possível. Ele é um menino forte, não pode ter sido infarto. Não acreditei em nenhum momento”, relata a mãe, expressando a profunda descrença e a sensação de que informações cruciais foram omitidas. A ausência de respostas claras por parte da clínica após a morte do filho aprofundou seu desespero e a convicção de que algo grave e inexplicável havia ocorrido. Ela tentou ligar para a instituição, mas afirma que não lhe deram “nenhuma satisfação, nem nada”, o que a fez entrar em pânico e desespero.

A internação e os dias que antecederam a tragédia

Wildson Cardoso Felipini, que enfrentava dependência química, havia sido internado pela família no Instituto Terapêutico Redentor, localizado no Jardim Paulistano, zona Leste de Ribeirão Preto. A decisão pela internação ocorreu durante o período do Natal, um momento de esperança e expectativa de recuperação para o jovem. Segundo os parentes, Wildson, que tinha 30 anos, foi internado durante o Natal, e o custo mensal pela internação era de R$ 2 mil. No entanto, a esperança transformou-se em tragédia apenas dois dias após sua admissão na instituição, quando a família recebeu a terrível notícia da morte do rapaz. Na madrugada de 27 de dezembro, Wildson foi encontrado sem vida em um dos quartos da clínica, desencadeando uma série de eventos que culminaram na atual investigação. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo confirmou que a Polícia Civil está tratando o caso como morte suspeita, mobilizando esforços para desvendar as verdadeiras causas do falecimento e as circunstâncias dentro da clínica de reabilitação.

A busca por justiça e as evidências chocantes

As marcas no corpo e a convicção materna

A dor de Mariselma transcende a perda e se manifesta em uma fúria silenciosa pela busca da verdade. Sua convicção de que o filho foi vítima de agressões é inabalável, e a principal prova que sustenta essa certeza são as condições em que ela encontrou o corpo de Wildson durante a identificação no Instituto Médico Legal. “Vi a cara do meu filho toda estourada, espancada. Não posso nem lembrar daquela imagem”, desabafa a dona de casa, visivelmente abalada pela lembrança traumática. Ela questiona veementemente a ausência de supervisão no local: “Onde que estavam os funcionários da clínica?”. Para Mariselma, a evidência é clara: o filho se envolveu em uma briga e nenhuma medida foi tomada para intervir ou prevenir a violência. A mãe refuta qualquer ideia de que Wildson pudesse ter problemas ou desavenças com outros internos, descrevendo-o como alguém engajado no processo de recuperação. “Ele ajudava na cozinha, trabalhava lá para o tempo passar rápido, sabe? Ele aceitava a internação, não tentava fugir nem nada”, afirma, reforçando a imagem de um jovem empenhado em sua jornada de reabilitação. A percepção de um fim tão brutal e injustificado para Wildson a consome em um profundo arrependimento por ter confiado na instituição. “Se soubesse o tanto que eu me arrependo de ter posto esse menino lá, porque eu me sinto culpada. Agora ver o menino morto desse jeito? O que eu faço? Eu quero justiça, eu quero entender o que aconteceu com meu filho lá dentro”, clama Mariselma, demandando clareza e responsabilização pelos eventos.

Posição da clínica e investigações em curso

Em resposta às indagações sobre a morte de Wildson, o Instituto Terapêutico Redentor divulgou um posicionamento oficial. A instituição informou que, após constatar a condição do paciente, foram realizadas tentativas de prestar os primeiros socorros. Diante da falta de êxito, a clínica acionou as autoridades policiais, que prontamente registraram um boletim de ocorrência. Posteriormente, a perícia foi mobilizada para o local, e o corpo de Wildson foi liberado para avaliação detalhada no Instituto Médico Legal (IML). No que tange à fiscalização e regularidade, a Secretaria Municipal de Saúde de Ribeirão Preto comunicou que a clínica tem licença para funcionar e que, até o presente momento, não havia registros de outras ocorrências significativas contra a instituição em seus arquivos. No entanto, a secretaria reiterou que todas as informações pertinentes ao caso seriam levantadas e analisadas pelas autoridades locais, colaborando integralmente com a investigação em andamento. A Polícia Civil mantém o inquérito como “morte suspeita”, e peritos trabalham para analisar todas as evidências materiais e testemunhais que possam elucidar as circunstâncias exatas do óbito de Wildson Cardoso Felipini, buscando determinar se houve negligência, agressão ou qualquer outra causa não natural para seu falecimento.

Conclusão

A trágica morte de Wildson Cardoso Felipini em uma clínica de reabilitação de Ribeirão Preto permanece um enigma doloroso para sua mãe, Mariselma, e um desafio para as autoridades. A discrepância entre a versão inicial da clínica e o laudo do IML, que aponta traumas e hemorragias, reforça as suspeitas de que o jovem possa ter sido vítima de violência. O clamor por justiça de uma mãe desolada ecoa a necessidade de total transparência e rigor nas investigações. Este caso não apenas busca desvendar a verdade por trás de uma morte suspeita, mas também reitera a importância da fiscalização e da segurança em instituições que cuidam de indivíduos em situação de vulnerabilidade. A apuração minuciosa dos fatos é crucial para garantir que a justiça seja feita e para restaurar a confiança pública em serviços de reabilitação.

Acompanhe as atualizações sobre este caso e outros desdobramentos de investigações relacionadas à segurança em clínicas de reabilitação.

Fonte: https://g1.globo.com

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