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Haddad propõe a estados plano para conter preço de combustíveis

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou nesta quarta-feira uma iniciativa crucial do governo federal para enfrentar a crescente pressão sobre os preços dos combustíveis. A medida visa a apresentação de uma proposta aos estados para redefinir a incidência do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), um dos principais componentes do valor final pago pelo consumidor. A urgência da ação é impulsionada não apenas pelo cenário econômico interno, mas também pela escalada do conflito no Oriente Médio, que tem gerado instabilidade nos mercados globais de petróleo e ameaça provocar uma nova greve de caminhoneiros em resposta à alta do diesel. A estratégia será detalhada e mediada durante a reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que reúne os secretários de Fazenda de todas as unidades federativas.

A proposta federal para o ICMS

A iniciativa do Ministério da Fazenda busca uma solução conjunta com os estados para amenizar os impactos dos aumentos nos preços dos combustíveis, especialmente do diesel, essencial para o transporte de cargas e a economia nacional. A proposta de alteração na incidência do ICMS, um imposto estadual, é vista como um mecanismo central para alcançar esse objetivo sem comprometer a saúde fiscal dos governos locais. A expectativa é que, com ajustes na forma como o ICMS incide sobre os combustíveis, seja possível aliviar a carga tributária sem necessariamente reduzir as alíquotas de forma abrupta, o que poderia gerar perdas significativas de arrecadação.

O papel do Confaz na mediação

A reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) constitui o palco principal para a discussão e eventual aprovação da proposta federal. O Confaz é um colegiado de extrema importância para a coordenação fiscal no Brasil, composto pelos secretários de Fazenda de todos os estados e do Distrito Federal, e presidido pelo próprio ministro da Fazenda. Essa estrutura permite um diálogo direto entre o governo federal e as unidades federativas, buscando consenso para políticas tributárias que afetam todo o país. A mediação de Haddad no Confaz é estratégica, visando construir um acordo que contemple tanto a necessidade de estabilizar os preços dos combustíveis quanto a manutenção do equilíbrio fiscal dos estados. O sucesso da proposta dependerá da capacidade de harmonizar os interesses federais e estaduais diante de um cenário econômico desafiador.

Argumentos para a colaboração estadual

O governo federal argumenta que a colaboração dos estados na revisão do ICMS sobre combustíveis é factível e não acarretaria prejuízos fiscais. Haddad enfatiza que a arrecadação dos estados com o ICMS sobre os combustíveis já experimentou um aumento significativo, resultado de ações federais de combate à sonegação fiscal. Operações como a “Carbono Oculto”, que desarticulou esquemas de fraude no setor, contribuíram para formalizar o mercado e, consequentemente, elevar a base tributável. Além disso, o ministro aponta para a “Nova Lei do Devedor Contumaz”. Caso adaptada às legislações estaduais, essa lei, que visa combater a inadimplência fiscal reiterada, também tem potencial para aumentar a arrecadação. “Isso é um dado positivo, que a arrecadação aumenta sem que o imposto aumente”, destacou Haddad, sublinhando que as medidas federais já criaram uma margem para os estados atuarem sem comprometer seus orçamentos.

Desafios e resistências estaduais

Apesar da articulação federal, a proposta de alteração do ICMS sobre combustíveis enfrenta resistência por parte dos estados. A experiência anterior de reduções tributárias em combustíveis não tem se mostrado eficaz, segundo os governadores, em gerar um repasse integral dos benefícios ao consumidor final. Essa desconfiança gera cautela e dificuldade em ceder parte de sua autonomia fiscal sobre um imposto tão representativo para suas receitas.

A posição dos governadores e do Comsefaz

Os governadores e seus representantes, reunidos no Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), manifestaram-se contrários à redução do imposto. Em nota divulgada recentemente, o Comsefaz afirmou que esse tipo de medida frequentemente resulta em uma “perda dupla” para a população. A argumentação é que o preço final dos combustíveis não sofre uma redução proporcional à desoneração, ao mesmo tempo em que os estados perdem recursos essenciais que seriam destinados a políticas públicas nas áreas de saúde, educação e segurança. Essa postura reflete a preocupação em proteger as receitas estaduais, que já enfrentam desafios na manutenção de serviços públicos. A falta de garantias de que a redução tributária se traduzirá em preços mais baixos nas bombas para o consumidor final é um dos principais entraves para a adesão dos estados à proposta federal.

A experiência federal e o PIS/Cofins

Na semana anterior, o governo federal já havia adotado uma medida para aliviar a pressão sobre o diesel, zerando temporariamente o PIS e a Cofins, impostos federais, sobre o combustível. No entanto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu que o impacto dessa desoneração no bolso do consumidor seria limitado sem a colaboração dos estados. Lula, ao pedir “boa vontade” dos governadores, enfatizou que a efetividade das ações para conter a alta dos combustíveis depende de um esforço conjunto. A experiência federal, portanto, reforça a percepção de que a estrutura tributária complexa do país exige uma coordenação mais ampla para que as reduções fiscais de fato cheguem ao consumidor, e não sejam absorvidas por outros elos da cadeia de comercialização.

Ações complementares de fiscalização e combate à especulação

Paralelamente à busca por um acordo tributário, o governo federal tem implementado e reforçado uma série de medidas de fiscalização e transparência para combater o que considera um aumento abusivo dos preços dos combustíveis, muitas vezes impulsionado por especulação. A estratégia visa coibir práticas desleais de mercado e garantir que quaisquer desonerações ou subsídios cheguem efetivamente ao consumidor.

Medidas de fiscalização e transparência

Além da desoneração do diesel, o governo federal determinou, em caráter permanente, ações robustas de fiscalização e transparência. Essas medidas buscam identificar e punir práticas abusivas na formação dos preços dos combustíveis. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) está encarregada de desenvolver critérios objetivos para definir o que constitui “abusividade”, permitindo uma atuação mais precisa e eficaz dos órgãos de controle. O objetivo é assegurar que o mercado opere de forma justa, sem que oscilações externas ou decisões governamentais sejam exploradas para ganhos excessivos às custas do consumidor.

Inquéritos da Polícia Federal e o impacto da guerra

O ministro Fernando Haddad também ressaltou que a Polícia Federal iniciou inquéritos para investigar irregularidades no mercado de combustíveis, com o intuito de garantir que a redução dos impostos federais seja repassada aos preços nas bombas. Haddad fez um alerta sobre a especulação, especialmente no contexto da guerra no Oriente Médio. Ele observou que, enquanto o preço da gasolina não sofreu alteração na Petrobras, “os especuladores estão aproveitando esse clima tenso em função da guerra para tirar proveito da situação, prejudicando a economia popular. Então, isso é grave”. Em relação ao diesel, mesmo após a compensação tributária e a subvenção para evitar o aumento na bomba, alguns agentes do mercado não haviam baixado os preços. A ação da Polícia Federal visa coibir essa conduta e proteger o consumidor de práticas oportunistas que impactam diretamente o custo de vida e a estabilidade econômica.

Perspectivas para a estabilização dos combustíveis

A proposta do Ministério da Fazenda para os estados representa um esforço concentrado do governo federal em conter a escalada dos preços dos combustíveis, um fator crítico para a inflação e para a economia nacional. A discussão no Confaz será determinante para o desfecho dessa iniciativa, que busca um equilíbrio entre a necessidade de aliviar o custo para o consumidor e a manutenção da autonomia fiscal dos estados. A articulação contínua e as ações de fiscalização complementam essa estratégia, visando um ambiente de mercado mais justo e transparente. O diálogo entre as esferas de governo e a vigilância contra a especulação são essenciais para garantir que as medidas adotadas realmente se traduzam em benefícios para a população.

Mantenha-se informado sobre as próximas etapas dessas negociações e como as políticas econômicas impactarão os preços dos combustíveis no país.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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