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Funarj adere ao programa de Museus antirracistas do IPN

© divulgação/Funarj

A Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro (Funarj) formalizou sua adesão ao Programa de Museus Antirracistas do Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN – Museu Memorial), marcando um passo inédito para as instituições culturais fluminenses. Essa iniciativa pioneira visa incorporar de forma estruturada a perspectiva antirracista nas práticas museais e institucionais, redefinindo o papel dos equipamentos culturais. Seis importantes museus e casas históricas sob a gestão da Funarj agora integrarão este programa de museus antirracistas, que se propõe a transcender as narrativas expositivas, focando na transformação das políticas de gestão, na formação de equipes e nas ações cotidianas, promovendo a equidade étnico-racial no setor cultural. A adesão posiciona a Fundação na vanguarda da promoção de ambientes mais justos e inclusivos, estabelecendo um novo paradigma para a gestão cultural no Rio de Janeiro.

O programa de museus antirracistas e seus pilares

O Programa de Museus Antirracistas do Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN) é uma iniciativa estratégica que busca reconfigurar a atuação de instituições culturais para além da simples exposição de artefatos. Seu objetivo central é ir além das narrativas expositivas tradicionais, que muitas vezes reproduzem ou ignoram desigualdades históricas, e integrar a perspectiva antirracista nas mais diversas dimensões da vida museológica. Isso significa uma abordagem abrangente que engloba as políticas de gestão, a formação contínua das equipes e as ações institucionais desenvolvidas pelos museus participantes.

A essência do programa reside na promoção de reflexões estruturais e na implementação de mudanças concretas que contribuam de fato para a equidade étnico-racial no setor cultural. Para isso, são propostas diretrizes que orientam os museus a revisitar suas estruturas internas, desde os processos de curadoria e pesquisa até as políticas de contratação e acessibilidade. A ideia é descolonizar o olhar institucional, desafiando preconceitos enraizados e promovendo uma representação mais justa e plural das diversas identidades e histórias que compõem a sociedade brasileira, em especial as afro-indígenas, historicamente marginalizadas.

Além das exposições: uma transformação estrutural

A perspectiva de ir “além das exposições” é um dos pilares mais inovadores do programa. Tradicionalmente, muitos museus abordam a diversidade étnico-racial por meio de exposições temáticas ou eventos pontuais. No entanto, o Programa de Museus Antirracistas defende uma transformação mais profunda e sistêmica. Isso implica em:

Políticas de Gestão Inclusivas: A revisão de políticas internas para garantir que a diversidade seja um valor fundamental em todos os níveis, desde a seleção de funcionários e colaboradores até a formação de conselhos e parcerias. Busca-se a representatividade de pessoas negras e indígenas em cargos de liderança, curadoria e pesquisa, combatendo o racismo estrutural presente nas instituições.
Formação de Equipes Qualificadas: A capacitação contínua de todo o corpo funcional — desde a equipe de segurança e atendimento ao público até curadores e diretores — sobre questões de racismo, colonialidade e decolonialidade. Seminários, oficinas e cursos são ferramentas para desenvolver uma consciência crítica e habilidades para interagir de forma respeitosa e inclusiva com diferentes públicos e narrativas.
Ações Institucionais Alinhadas: O desenvolvimento de uma programação cultural que não apenas celebre a cultura afro-brasileira e indígena, mas que também promova o debate, a reflexão e o ativismo antirracista. Isso pode incluir projetos educativos, atividades comunitárias, parcerias com movimentos sociais e a criação de espaços de diálogo que ressignifiquem a relação do museu com a sociedade.

Ao integrar o programa, a Funarj passa a fazer parte de uma rede dedicada à promoção da equidade étnico-racial, à valorização das tradições afro-indígenas e ao fortalecimento de políticas culturais antirracistas. Essa articulação em rede permite o intercâmbio de experiências, o desenvolvimento de metodologias conjuntas e o ampliação do impacto das ações em nível estadual e nacional, criando um ambiente de colaboração para a construção de um setor cultural mais justo e representativo.

A Funarj e o compromisso com a equidade

A adesão da Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro ao Programa de Museus Antirracistas do IPN é um marco significativo, refletindo um compromisso institucional com a promoção da equidade étnico-racial. A iniciativa envolve um conjunto de seis importantes equipamentos culturais sob a gestão da Funarj, distribuídos por diferentes regiões do estado, que agora atuarão como polos de transformação antirracista: o Museu Antonio Parreiras (Niterói), o Museu do Ingá (Niterói), o Museu Carmen Miranda (Flamengo, zona sul do Rio), a Casa de Oliveira Vianna (Niterói), a Casa da Marquesa de Santos (São Cristóvão, zona norte do Rio) e a Casa de Euclides da Cunha (Cantagalo).

Essa participação representa um avanço notável na gestão cultural e no fortalecimento de práticas alinhadas à equidade e à diversidade no campo museal, conforme avaliação de especialistas. Trata-se de uma iniciativa que contribuirá para a qualificação da gestão, da formação das equipes e das ações culturais, reafirmando o papel intrínseco dos museus públicos como espaços de diálogo, memória e responsabilidade social. A Funarj, ao abraçar o programa, demonstra uma proatividade em enfrentar os desafios do racismo estrutural, transformando suas instituições em verdadeiros agentes de mudança social.

Dentro da Funarj, a implementação do programa será robusta, contando com uma série de ações formativas e de debate. Estão previstos seminários, oficinas e outras atividades voltadas à reflexão crítica sobre as práticas museológicas e institucionais. Estas ações terão como propósito não apenas capacitar as equipes, mas também fomentar o intercâmbio de experiências entre os museus e fortalecer práticas institucionais comprometidas com o enfrentamento ao racismo em todas as suas manifestações.

Implementação e o papel dos museus como espaços de diálogo

A implementação do Programa de Museus Antirracistas nos equipamentos da Funarj demandará um esforço contínuo e integrado. Para as equipes dos museus envolvidos, a participação implicará em um mergulho em novas metodologias e abordagens, que questionam conceitos pré-estabelecidos e promovem uma revisão crítica de coleções, exposições e linguagens. A valorização de vozes e histórias antes silenciadas ou sub-representadas passará a ser uma prioridade, garantindo que o acervo e a programação reflitam a riqueza e a diversidade da sociedade brasileira.

Os museus, por sua própria natureza, são guardiões da memória e, ao se tornarem espaços antirracistas, ampliam sua capacidade de educar e transformar. Ao invés de meros depositários de objetos, eles se configuram como palcos vibrantes de diálogo e reflexão, onde a história é contada sob múltiplas perspectivas e onde o público é convidado a uma interação mais profunda e crítica com o patrimônio cultural. Isso reforça a responsabilidade social dessas instituições, que deixam de ser neutras para assumir um posicionamento ativo na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

A expectativa é que a iniciativa da Funarj sirva de inspiração para outras fundações e instituições culturais em todo o Brasil, pavimentando o caminho para uma museologia mais engajada e consciente de seu papel na promoção dos direitos humanos e da equidade. A articulação entre a Funarj e o IPN representa um modelo de colaboração que pode catalisar uma transformação mais ampla no setor, colocando a cultura no centro dos debates sobre justiça social.

Um futuro mais inclusivo para a cultura fluminense

A adesão da Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro ao Programa de Museus Antirracistas do Instituto Pretos Novos representa um divisor de águas na gestão cultural do estado. Ao incorporar explicitamente a perspectiva antirracista em suas estruturas e práticas, a Funarj não apenas se alinha a um movimento global por justiça social, mas também assume um papel de liderança na promoção de uma cultura mais inclusiva e representativa. Esta iniciativa transcende a esfera expositiva, mergulhando nas políticas de gestão, na formação de equipes e na essência das ações institucionais, garantindo que a equidade étnico-racial seja um pilar fundamental em seus seis equipamentos culturais. A expectativa é que essa transformação estrutural contribua significativamente para desconstruir narrativas históricas eurocêntricas e fortalecer a valorização das ricas tradições afro-indígenas. O compromisso assumido pela Funarj abre caminhos para um futuro onde os museus do Rio de Janeiro sejam verdadeiros espaços de diálogo, memória e responsabilidade social, contribuindo ativamente para a construção de uma sociedade mais justa e consciente de sua diversidade.

Para saber mais sobre as iniciativas e a programação dos museus da Funarj, e aprofundar-se no Programa de Museus Antirracistas do IPN, visite os canais oficiais da Fundação e do Instituto Pretos Novos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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