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Edgar Davilla relembra amizade com Rick: “Um ser humano incrível”

G1

A comunidade artística e os fãs da música sertaneja foram abalados pela trágica notícia do falecimento do cantor Rick, da dupla Rick & Renner, aos 59 anos, em um acidente de helicóptero na Serra de Santa Catarina. A queda da aeronave, ocorrida na segunda-feira (21), ceifou a vida de outras quatro pessoas, deixando um vazio imenso. Em meio à consternação, o apresentador Edgar Davilla, de 44 anos, amigo pessoal do artista há duas décadas, expressou sua profunda tristeza e compartilhou memórias que revelam a essência do homem por trás dos palcos. Para Davilla, a perda do cantor Rick não é apenas a de um ícone da música, mas a de um ser humano excepcional, cujo legado e simplicidade marcaram a todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo de perto.

A dor da perda e a memória de um amigo

A notícia da morte de Rick trouxe uma onda de luto e recordações para Edgar Davilla, que via no cantor um pilar de amizade e inspiração. O apresentador descreve Rick como um indivíduo notável, cujos valores se estendiam muito além de sua persona artística. “O Rick era um ser humano incrível fora do palco, um grande amigo, um cara responsável, muito sério, muito família, muito devoto de Nossa Senhora. Tinha muita fé, tudo que ele dizia tinha Deus”, pontua Davilla, ressaltando a profundidade da espiritualidade do cantor. Essa fé inabalável era uma característica marcante de sua vida, permeando suas palavras e atitudes.

Os laços de Rick com Sorocaba e a vida simples

Apesar do sucesso e da fama, Rick mantinha uma forte ligação com a cidade de Sorocaba, no interior de São Paulo, onde frequentemente buscava refúgio e momentos de lazer com sua família. Era lá que ele encontrava a simplicidade que tanto apreciava, desfrutando de prazeres cotidianos que contrastavam com a efervescência de sua carreira. “Gostava de fazer o frango caipira dele, tomar o cafezinho no copinho de massa de tomate, porque apesar de ser o Rick, ele era um cara muito simples. O simples encantava o Rick, isso que era incrível”, revela Edgar Davilla. Essa faceta despojada era complementada por um amor incondicional pela família: filhos, netos e sua esposa, Geralda Helena, com quem mantinha uma relação de cumplicidade que Edgar descreve como a de “dois adolescentes”. A paixão pela culinária local e a degustação de vinhos em Sorocaba eram rituais que Rick valorizava, integrando-se à comunidade e participando de eventos e confraternizações que reforçavam sua conexão com a região.

Da admiração de fã à parceria inesquecível

A trajetória de amizade entre Edgar Davilla e Rick é um testemunho de como a admiração pode evoluir para um laço profundo. O primeiro encontro, há 20 anos, foi o de um fã fervoroso. Edgar, então jovem e empolgado, pedalou até a rádio em Sorocaba onde a dupla Rick & Renner faria uma visita, apenas para ter um vislumbre de seus ídolos. A semente de uma futura conexão já estava plantada, esperando o momento certo para florescer.

A construção de uma amizade duradoura

Anos mais tarde, o destino uniu-os novamente, desta vez em um contexto profissional. Edgar já atuava como radialista e teve a oportunidade de entrevistar Rick. Foi nesse momento que ele compartilhou a história de sua admiração de fã, que encantou o cantor. A partir daí, a relação se aprofundou naturalmente, impulsionada por um amigo em comum. Edgar foi convidado para um encontro informal na casa desse amigo, onde, regados a vinho, a proximidade se solidificou. Essa noite marcou o início de uma amizade que o levou a integrar o seleto grupo “Amigos e Vinhos”, criado por Rick. Através desse círculo, Edgar passou a participar de diversos encontros, que incluíam desde confraternizações em variados locais até festas de aniversário do cantor, inclusive uma em Santa Catarina. A paixão pelo futebol também unia os amigos, que se reuniam em partidas no campo do condomínio de Rick, com a presença de outros artistas renomados como Rionegro e Solimões, em momentos de puro lazer e camaradagem.

O legado musical e a presença em lives

A parceria entre Edgar e Rick transcendeu os momentos de lazer, estendendo-se para o âmbito profissional. Edgar sempre esteve presente nos shows da rádio em que trabalhava, conduzindo inúmeras entrevistas com a dupla. Durante a pandemia, a confiança de Rick em Edgar se tornou ainda mais evidente, ao convidá-lo para ser o apresentador oficial das lives de Rick & Renner. Essa colaboração levou-os a viajar por diversas cidades do Brasil, de Imperatriz do Maranhão a Balneário Camboriú, passando por Rio Verde, Tatuí, Belo Horizonte e Curitiba. Uma dessas lives, inclusive, foi realizada em São Joaquim, local para onde Rick estava se dirigindo quando a tragédia ocorreu. Para Edgar, o legado de Rick na música sertaneja brasileira é imenso, não apenas por sua voz marcante e presença de palco, mas também por sua habilidade como compositor. “Onde a gente fala de Rick, não tem uma pessoa que não conhece a sua música, não tem uma pessoa que não goste, que fale mal, porque era um artista referência, um grande artista, que vivia para a música sertaneja e a música sertaneja vivia ao redor do Rick”, afirma Edgar. O cantor, com seus 40 anos de carreira, se destacava por suas letras que “tinham sentido”, verdadeiras poesias que, mesmo com algumas sátiras alegres, sempre transmitiam mensagens profundas e positivas.

A tragédia que silenciou uma voz

A morte do cantor Rick, cujo nome de batismo era Geraldo Antônio de Carvalho, é o triste desfecho de um acidente aéreo que chocou o país. O helicóptero Bell 430, no qual Rick e outras quatro pessoas viajavam, desapareceu do radar na segunda-feira (21) e teve seus destroços localizados após horas de intensas buscas na localidade de Santa Bárbara, em Urubici, uma área de mata de difícil acesso na Serra de Santa Catarina.

Os detalhes do acidente e as vítimas

A aeronave decolou de Porto Belo, no Litoral Norte de Santa Catarina, com destino a São Joaquim, na Serra, mas nunca chegou ao seu destino previsto. Além do cantor Rick, o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira também perderam a vida no trágico incidente. A Força Aérea Brasileira (FAB) conduziu sobrevoos por mais de 13 horas até que os destroços fossem avistados. A região enfrentava previsão de fortes tempestades, segundo informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o que pode ter contribuído para as condições adversas do voo. O resgate dos corpos foi uma operação complexa, exigindo o apoio de aeronaves do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar. Devido ao terreno íngreme e de difícil acesso, a retirada das vítimas foi realizada de forma aérea, com o uso de cordas, e os cinco corpos foram posteriormente encaminhados para o Instituto Médico Legal (IML) de Florianópolis para liberação.

A despedida e o luto da família

O velório e sepultamento de Rick serão realizados em Sorocaba nesta quinta-feira (24), a partir das 8h, no Jardim Cemitério Pax. As cerimônias serão reservadas para familiares e amigos próximos, um momento íntimo para a despedida de quem tanto amou e foi amado. Geralda Helena, esposa de Rick, que estava nos Estados Unidos no momento do acidente, desembarcou no Brasil na terça-feira (22). Após um mal-estar durante o voo, a família confirmou que ela estava bem e não precisou de atendimento médico. Em suas redes sociais, Geralda publicou uma emocionante homenagem ao marido, com quem foi casada por mais de 40 anos. Em suas palavras, ela relembrou a longa trajetória ao lado do músico, a família que construíram juntos e a imensa dificuldade de seguir sem a presença daquele que descreveu como o amor de sua vida, pedindo que ele continue a cuidar dela “de onde estiver” e buscando forças na família e no legado construído em conjunto.

A memória viva de um artista

Rick deixa um legado que transcende as paradas de sucesso, fincado na alma da música sertaneja e no coração de seus fãs e amigos. Para Edgar Davilla, a maior homenagem é lembrar Rick como a pessoa boa que ele foi e o grande artista que se tornou. “Um cara que sempre levava o bem, levava a música de uma forma muito boa. Não cantava coisas, assim, do momento, ele sempre cantou músicas que tinham sentido, né? A letra”, conclui Davilla. Sua poesia musical, sua simplicidade e sua fé permanecerão como marcas indeléveis em sua memória e na cultura brasileira. A partida de Rick é um adeus doloroso, mas sua essência e sua arte continuarão a ecoar, inspirando gerações e perpetuando a imagem de um ser humano verdadeiramente incrível.

Para aprofundar-se na trajetória e nas canções que marcaram a carreira de Rick, procure por seus grandes sucessos nas plataformas digitais e celebre o legado musical que ele nos deixou.

Fonte: https://g1.globo.com

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