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Coreia do Norte se afasta do Irã e impulsiona mísseis, revela agência sul-coreana

G1

Informações recentes, divulgadas por parlamentares sul-coreanos após uma reunião a portas fechadas com o Serviço Nacional de Inteligência (NIS) de Seul nesta segunda-feira (6), apontam para uma reorientação estratégica significativa da Coreia do Norte. Segundo os legisladores, Pyongyang demonstra um notável distanciamento em relação ao Irã desde o início do conflito no Oriente Médio, evitando manifestações diplomáticas públicas de apoio e o envio de armamentos. Em contrapartida, o regime norte-coreano estaria acelerando seu robusto programa de desenvolvimento de mísseis balísticos, focando em tecnologias avançadas como mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs) de fibra de carbono e motores de combustível sólido. Esses movimentos sublinham uma aparente priorização da autossuficiência militar e uma adaptação às pressões internacionais, enquanto o país também enfrenta consideráveis desafios econômicos internos.

Mudança estratégica: distanciamento do Irã e desafios internos

A postura da Coreia do Norte em relação aos eventos no Oriente Médio tem sido objeto de análise detalhada pela inteligência sul-coreana. Observou-se uma clara ausência de apoio diplomático público ou envio de qualquer tipo de armamento para o Irã desde o início do conflito na região. Essa falta de engajamento contrasta com a percepção anterior de um alinhamento entre os dois países, historicamente vistos como parceiros em desafios a potências ocidentais. Para os analistas do NIS, esse silêncio e a ausência de cooperação material sugerem um possível e deliberado distanciamento estratégico de Pyongyang. As raz razões para essa mudança podem ser multifacetadas, incluindo a busca por evitar novas sanções ou a reavaliação de suas prioridades geopolíticas, focando intensamente em suas próprias capacidades de defesa e dissuasão.

A postura em relação ao conflito no Oriente Médio

A Coreia do Norte, que manteve laços com o Irã em áreas como o desenvolvimento de mísseis no passado, parece ter optado por uma abordagem de não-envolvimento no atual cenário do Oriente Médio. A decisão de não fornecer armas ou emitir declarações de apoio diplomático público indica uma cautela estratégica. Esse afastamento pode ser motivado pela percepção de que um envolvimento direto ou indireto poderia atrair ainda mais a atenção da comunidade internacional e exacerbar a pressão sobre o regime já isolado. Além disso, a Coreia do Norte pode estar concentrando seus recursos e atenção em questões domésticas e no avanço de seu próprio programa de armas, priorizando sua segurança interna e sua capacidade de dissuasão nuclear e balística sobre alianças regionais distantes.

Impacto das sanções e escassez de suprimentos

Paralelamente à sua reorientação externa, a Coreia do Norte enfrenta significativas dificuldades internas. Segundo as informações repassadas aos parlamentares sul-coreanos, a economia do país tem sido severamente afetada pelo cenário internacional, resultando em uma escassez crítica de suprimentos industriais essenciais. As sanções econômicas impostas pela comunidade internacional, combinadas com as interrupções nas cadeias de suprimentos globais e as políticas de isolamento do próprio regime, têm criado um ambiente desafiador para a produção e o desenvolvimento em diversos setores. Essa escassez pode impactar desde a infraestrutura básica até componentes vitais para seus programas militares, embora o regime continue a priorizar os investimentos em defesa. A capacidade de Pyongyang de mitigar esses desafios internos é crucial para a estabilidade do regime e a continuidade de suas ambições militares.

Aceleração do programa de mísseis e avanços tecnológicos

Apesar das pressões internas e externas, o regime norte-coreano demonstra uma clara determinação em avançar com seu programa militar. O Serviço Nacional de Inteligência (NIS) indicou que a Coreia do Norte está investindo pesadamente no desenvolvimento de mísseis balísticos, com foco em tecnologias que aprimorem sua capacidade de ataque e dissuasão. Entre os projetos mais notáveis está o desenvolvimento de um míssil balístico intercontinental (ICBM) integrado, construído com fibra de carbono, e testes bem-sucedidos de motores de foguete de combustível sólido. Esses avanços representam um salto significativo na engenharia militar norte-coreana, visando aumentar o alcance, a capacidade de carga útil e a velocidade de implantação de seus armamentos estratégicos.

Desenvolvimento de mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs)

O desenvolvimento de um ICBM integrado feito de fibra de carbono é um avanço crucial para a Coreia do Norte. A fibra de carbono, um material leve e resistente, permite a construção de mísseis mais ágeis e eficientes em termos de consumo de combustível, além de tornar o míssil mais difícil de ser detectado e interceptado. A integração de um ICBM de fibra de carbono sugere um esforço para otimizar o design e a funcionalidade do míssil, buscando maior precisão e confiabilidade. O objetivo declarado por Pyongyang para esses mísseis é ampliar seu alcance, o que significa a capacidade de atingir alvos mais distantes, incluindo o território continental dos Estados Unidos. Além disso, a engenharia visa permitir o transporte de ogivas mais pesadas e, potencialmente, múltiplas ogivas, conhecidas como MIRVs (Multiple Independently Targetable Reentry Vehicles). A capacidade de carregar várias ogivas independentemente direcionáveis aumentaria significativamente a complexidade para os sistemas de defesa antimísseis adversários, elevando o poder de dissuasão do arsenal norte-coreano.

O teste de motor a combustível sólido

Um componente vital para os ICBMs avançados é o motor de foguete de combustível sólido. Parlamentares sul-coreanos foram informados sobre testes realizados pela Coreia do Norte com um motor desse tipo, especificamente projetado para mísseis balísticos. A tecnologia de combustível sólido oferece vantagens significativas em relação aos motores de combustível líquido: permite o lançamento de mísseis com muito mais rapidez, reduzindo o tempo de preparação e aumentando a capacidade de surpresa. Mísseis de combustível sólido também são mais fáceis de transportar e ocultar em veículos móveis, tornando-os menos vulneráveis a ataques preventivos em comparação com mísseis de combustível líquido, que exigem um processo de abastecimento mais longo e visível. A capacidade de desenvolver e testar com sucesso um motor de foguete de combustível sólido demonstra uma maturidade tecnológica que fortalece consideravelmente a credibilidade do programa de mísseis da Coreia do Norte e sua ameaça potencial.

Cenário político: a sucessão de Kim Jong-un

Além das questões militares, a agência de inteligência sul-coreana também abordou o cenário político interno da Coreia do Norte, em particular a questão da sucessão de Kim Jong-un. Embora a dinastia Kim tenha governado o país desde sua fundação, a visibilidade crescente da filha do atual líder tem gerado especulações.

A ascensão de uma possível sucessora

De acordo com as informações do NIS, a filha de Kim Jong-un é considerada uma possível sucessora no comando do país. Sua aparição em eventos públicos ao lado do pai, incluindo inspeções militares e cerimônias importantes, tem sido interpretada como um sinal de que ela está sendo preparada para um papel de destaque na liderança. Embora a Coreia do Norte seja um regime patriarcal, a falta de filhos homens ou a idade ainda jovem de outros possíveis herdeiros poderia pavimentar o caminho para a filha de Kim Jong-un. A agência de inteligência está monitorando de perto essa evolução, ciente das implicações que uma transição de poder teria para a estabilidade regional e global, e para a própria continuidade das políticas do regime.

A Coreia do Norte, portanto, encontra-se em um momento de múltiplas transições e priorizações estratégicas. Seu distanciamento cauteloso do Irã, somado à aceleração do desenvolvimento de tecnologias avançadas de mísseis, como ICBMs de fibra de carbono e motores de combustível sólido, sinaliza um foco intransigente na autossuficiência militar e na consolidação de sua capacidade de dissuasão nuclear. Paralelamente, o regime enfrenta desafios econômicos significativos e projeta um cenário político de possível sucessão, que poderá redefinir o futuro da península coreana. A combinação desses fatores cria um quadro complexo e dinâmico, exigindo vigilância contínua da comunidade internacional.

Mantenha-se informado sobre os desdobramentos na península coreana e as implicações desses movimentos para a segurança global.

Fonte: https://g1.globo.com

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