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Contratação de pessoas 50+ impulsiona setores de comércio e serviços em São Paulo

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

O mercado de trabalho no estado de São Paulo está vivenciando uma notável transformação, com um aumento significativo na contratação de pessoas 50+ nos setores de comércio e serviços. Essa tendência, observada entre janeiro e novembro de 2025, reflete não apenas o envelhecimento da população economicamente ativa, mas também uma crescente valorização da experiência e estabilidade por parte das empresas. Em meio a um cenário de 5,88 milhões de admissões formais no período, a participação desses profissionais alcançou 9%, um avanço considerável em relação aos 7% registrados em 2021. Este movimento aponta para uma reconfiguração da força de trabalho, onde a longevidade profissional e a busca por talentos maduros se tornam pilares para a sustentabilidade e eficiência dos negócios.

Mudanças no perfil etário do mercado de trabalho

Aumento da participação de profissionais com mais de 50 anos

A elevação da participação de trabalhadores com mais de 50 anos nas novas admissões é um dos dados mais expressivos do levantamento. Com um crescimento de dois pontos percentuais em quatro anos, de 7% em 2021 para 9% em 2025, esse grupo demográfico tem se consolidado como uma fatia relevante da força de trabalho formal no comércio e nos serviços. Entre os setores analisados, o de serviços se destaca, concentrando 10% das contratações de profissionais acima de 50 anos até novembro, superando os 8% verificados no comércio atacadista.

No comércio varejista, embora a concentração de trabalhadores mais jovens ainda seja predominante (56% de pessoas com até 29 anos, uma redução em relação aos 60% de 2021), a participação de profissionais com mais de 50 anos quase dobrou, passando de 5% para 8% entre novembro de 2021 e 2025. Esse dado sublinha uma mudança de paradigma, onde a experiência e a maturidade ganham espaço, mesmo em segmentos tradicionalmente associados à mão de obra mais jovem. Essa transição está intrinsecamente ligada ao envelhecimento da população, que leva a uma permanência mais longa dos indivíduos no mercado de trabalho. Para as empresas, a valorização de atributos como experiência, estabilidade e menor rotatividade é um fator crítico, especialmente em setores como comércio e serviços, que frequentemente enfrentam custos elevados associados à troca constante de funcionários. A escassez relativa de mão de obra em determinadas ocupações também impulsiona as companhias a expandir seu leque de busca por talentos, encontrando nos profissionais maduros uma solução eficaz e confiável.

Crescimento da presença feminina nos quadros de contratação

A ascensão das mulheres no mercado

Outro ponto de destaque no cenário de contratações é a crescente participação feminina. Entre janeiro e novembro de 2025, o total de admissões nos setores de comércio e serviços registrou a contratação de 3,15 milhões de mulheres, em contraste com 2,73 milhões de homens. Comparado ao mesmo período de 2021, a presença feminina avançou três pontos percentuais, passando a representar 54% do total de contratações.

Essa liderança das mulheres se manifesta de maneira particularmente forte no comércio varejista, onde elas ocupam 55% das vagas. No setor de serviços, a participação feminina também é majoritária, atingindo 54% do total contratado. Apenas no comércio atacadista os homens ainda se mantêm à frente, com 60% das contratações. A maior participação feminina é um reflexo direto de transformações estruturais na sociedade e no mercado de trabalho brasileiro. A expansão de atividades intensivas em atendimento ao cliente, vendas e serviços administrativos, aliada ao avanço da escolaridade média das mulheres e a mudanças nos arranjos familiares e sociais, tem sido crucial para impulsionar a autonomia econômica feminina e sua inserção profissional. Essa dinâmica não apenas altera a composição da força de trabalho, mas também contribui para uma economia mais diversificada e resiliente.

A escolaridade como pilar do emprego atual

A consolidação do ensino médio

A análise dos níveis de escolaridade entre os profissionais contratados nos setores de comércio e serviços entre janeiro e novembro de 2025 revela uma clara predominância do ensino médio completo, que concentra 68% das admissões. Profissionais com ensino superior representam 17% das contratações, sendo que o setor de serviços registra a maior proporção desse grupo, com 20%. Aqueles que estudaram apenas até o ensino médio ou níveis inferiores correspondem a 15% das admissões.

Apesar de um leve aumento na participação de pessoas com menor nível de escolaridade e da estabilidade do contingente com nível superior, os números indicam uma consolidação do ensino médio como o principal patamar de formação exigido pelo mercado. Este padrão demonstra que o crescimento do emprego ocorre, majoritariamente, em funções de média qualificação. Tal cenário reforça a urgência e a importância de políticas públicas e iniciativas privadas focadas na formação técnica e na qualificação profissional. Alinhar esses programas às necessidades específicas dos setores de comércio e serviços é fundamental para garantir que a força de trabalho esteja devidamente preparada para as demandas atuais e futuras, preenchendo as lacunas de competências e promovendo a empregabilidade em um mercado em constante evolução.

Um mercado em transformação: desafios e perspectivas

Necessidade de adaptação e inovação nas empresas

A transição no perfil das contratações, marcada pelo aumento de profissionais mais experientes e de mulheres, além da consolidação do ensino médio como principal patamar de escolaridade, impõe reflexos significativos para os setores de comércio e serviços. Esses movimentos demandam uma adaptação profunda das políticas de gestão de pessoas, a criação de ambientes de trabalho mais inclusivos e o desenvolvimento contínuo de estratégias de atualização de competências. A inclusão de diversas gerações e gêneros no ambiente de trabalho exige lideranças preparadas para gerenciar equipes heterogêneas, promovendo a troca de conhecimentos e experiências.

Este cenário também se insere em um contexto de escassez relativa de mão de obra qualificada, particularmente em ocupações operacionais e de média qualificação. Essa realidade tem levado as empresas a ampliarem o seu público potencial de contratação, valorizando a experiência e a maturidade profissional. As mudanças estruturais na sociedade brasileira, como a maior participação das mulheres no mercado de trabalho e o avanço de sua autonomia econômica, são forças motrizes que contribuem substancialmente para a ampliação da presença feminina nas admissões, especialmente em atividades de atendimento e serviços. Para que as empresas prosperem neste ambiente dinâmico, é crucial investir em programas de capacitação que atendam tanto aos profissionais recém-chegados quanto aos mais experientes, garantindo que todos possuam as habilidades necessárias para um mercado cada vez mais competitivo e digitalizado. A flexibilidade e a inovação na gestão de talentos serão diferenciais para o sucesso.

Para profissionais e empresas, a adaptação a essas novas realidades se mostra crucial para o sucesso futuro.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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