A cidade de Campinas, no interior de São Paulo, enfrentou um cenário preocupante em 2025, ao registrar uma média de quatro incidentes diários na assistência à saúde. Tais dados, provenientes de levantamentos nacionais, revelaram um total de 1.501 notificações de eventos adversos na metrópole paulista ao longo do ano. Este panorama local insere-se em um contexto ainda mais amplo, onde o Brasil computou quase meio milhão de registros. A recorrência de falhas na assistência à saúde sublinha a urgência de aprimoramento contínuo nos sistemas e processos hospitalares, visando garantir a segurança dos pacientes e a qualidade dos serviços prestados em todas as unidades, tanto públicas quanto privadas. O levantamento destaca a importância da vigilância e da transparência para mitigar riscos evitáveis.
A persistência de incidentes em Campinas
Cenário local e a abrangência nacional das falhas
Em 2025, Campinas foi palco de 1.501 notificações de incidentes na assistência à saúde, evidenciando uma média de quatro ocorrências por dia. Estes números colocam em pauta a discussão sobre a segurança do paciente e a qualidade dos serviços prestados na região. As falhas mais frequentes na metrópole foram classificadas em duas categorias principais: incidentes relacionados a processos ou procedimentos clínicos, que totalizaram 426 registros, e lesões por pressão, com 250 casos notificados. Um especialista em qualidade na saúde, Gilvane Lolato, aponta que essas não são complicações inerentes à condição do paciente, mas sim falhas geralmente consideradas evitáveis. Ele ressalta a existência de um sistema de registro obrigatório, embora reconheça a provável subnotificação de eventos.
O panorama nacional é ainda mais alarmante, com o Brasil atingindo a marca de 480.283 registros de incidentes na saúde em 2025. Deste total, 3.158 casos, equivalentes a 0,6%, resultaram na morte do paciente. Esses números abrangem tanto unidades de saúde públicas quanto privadas em todo o território. A maioria dos registros, 428.231 eventos adversos, concentrou-se em hospitais, enquanto outros serviços de saúde, como clínicas e laboratórios, somaram 52.052 ocorrências. A análise desses dados reforça a necessidade de estratégias abrangentes e articuladas para elevar os padrões de segurança em todas as esferas da assistência médica no país.
O sistema de notificação e o perfil dos afetados
A participação social e as características demográficas
A notificação de eventos adversos na saúde é uma prática legalmente obrigatória, conforme as regulamentações vigentes. Em 2025, a captação desses registros foi majoritariamente impulsionada por profissionais de saúde, responsáveis por 202,1 mil notificações em âmbito nacional. Contudo, a participação de outros atores também foi significativa: pacientes realizaram 19,8 mil registros, familiares contribuíram com 2,9 mil, outros pacientes somaram 1,4 mil e cuidadores registraram 432 ocorrências. Essa diversidade de fontes de informação é crucial para a abrangência do sistema e para a identificação de diferentes perspectivas sobre as falhas.
Ao analisar o perfil demográfico dos afetados pelos incidentes na saúde, observa-se que os homens representaram 50,92% dos registros, totalizando 244.562 ocorrências, enquanto as mulheres somaram 235.721 falhas. Em relação à faixa etária, o maior impacto foi percebido em pacientes com idades entre 66 e 75 anos, com 85.164 registros. Em seguida, figuram os pacientes de 56 a 65 anos, com 73.492 ocorrências, e aqueles entre 76 e 85 anos, com 68.101 registros. Este dado sugere uma vulnerabilidade maior em populações mais idosas. Após a notificação, as instituições são obrigadas a instaurar um processo de investigação, envolvendo os profissionais, analisando prontuários e sistemas, buscando a causa raiz das falhas para implementar ações corretivas e preventivas.
Perspectivas futuras e a busca pela segurança do paciente
Apesar dos desafios apresentados, Campinas demonstrou um esforço notável na redução de incidentes, com uma queda de 15,7% no total de ocorrências registradas em 2025, em comparação com as 1.781 notificações de 2024. Essa redução, embora modesta, indica que as estratégias de vigilância e aprimoramento podem gerar resultados positivos. A obrigatoriedade do registro de eventos adversos é uma ferramenta essencial para a melhoria contínua da qualidade e segurança na assistência à saúde, permitindo que as instituições identifiquem padrões, compreendam as causas profundas dos problemas e implementem medidas eficazes para evitar sua reincidência. A transparência na divulgação desses dados e o compromisso com a investigação aprofundada são passos fundamentais para construir um sistema de saúde mais seguro e confiável para todos os cidadãos.
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Fonte: https://g1.globo.com