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Bloco Bafo da Onça celebra 70 anos e estreia em Santa Teresa

Agência Brasil

O tradicional Bloco Bafo da Onça, um dos mais antigos e emblemáticos do carnaval carioca, marcou seu 70º aniversário com um desfile histórico na última segunda-feira de Carnaval. Pela primeira vez em sua longa trajetória, a agremiação ocupou as ladeiras sinuosas de Santa Teresa, no Centro do Rio de Janeiro, em uma celebração que combinou tradição e inovação. Este ano, o Bloco Bafo da Onça apresentou uma bateria renovada com mais de 100 ritmistas e oficializou uma parceria estratégica com o Cacique de Ramos, um grupo que, embora outrora visto como rival, agora se une em uma aliança para fortalecer o espírito do carnaval de rua. A mudança de percurso e as novidades destacam a capacidade do bloco de se reinventar, mantendo viva sua essência cultural e festiva em um dos cenários mais charmosos da cidade.

A tradição septuagenária do Bafo da Onça

Origens e legado no carnaval carioca
Fundado em 1956, em um botequim acolhedor no bairro do Catumbi, o Bloco Bafo da Onça nasceu da visão de Sebastião Maria, carinhosamente conhecido como Tião Maria. Desde sua concepção, o bloco rapidamente se estabeleceu como uma força vital no cenário carnavalesco do Rio de Janeiro, tornando-se o segundo bloco em atividade mais antigo da cidade, superado apenas pelo lendário Cordão da Bola Preta. Ao longo de sete décadas ininterruptas, o Bafo da Onça transcendeu a mera condição de bloco de carnaval para se consolidar como um símbolo incontestável do carnaval de rua e da rica cultura popular carioca. Sua presença vibrante em cada folia anualmente reafirma sua importância na narrativa cultural da cidade.

Há mais de meio século, o bloco tem sido magistralmente conduzido por Roberto Saldanha, figura carismática e líder incansável, mais conhecido como Capilé. Sua dedicação e paixão pelo Bafo da Onça foram fundamentais para preservar a identidade do bloco e para garantir sua longevidade em meio às transformações do carnaval. Capilé é visto não apenas como um presidente, mas como o guardião de uma história, um elo entre o passado glorioso e o presente efervescente da agremiação. Sob sua liderança, o Bafo da Onça continuou a ser um ponto de encontro para gerações de foliões, cultivando um espírito de comunidade e alegria que transcende os desfiles e se enraíza na vida dos seus integrantes e admiradores.

O novo capítulo em Santa Teresa

Um retorno simbólico e a energia renovada
A aguardada mudança de percurso para as ladeiras de Santa Teresa é vista pelos integrantes do Bafo da Onça como um verdadeiro retorno às origens, um movimento que reacende a chama de sua essência. Anteriormente, por vários anos, o bloco desfilou na Avenida Chile, um local que, embora tivesse seu charme, não carregava o mesmo peso simbólico da vizinhança que viu o bloco nascer. A comunidade de Santa Teresa, com suas ruas de paralelepípedos e casarões históricos, oferece um cenário que ressoa profundamente com a alma do Bafo da Onça. Rafa Manso, integrante do bloco há anos e que incorpora a “oncinha”, personagem central da agremiação, expressa a imensa alegria por essa nova fase: “É o quarto ano consecutivo que venho como oncinha do Bafo da Onça. É uma alegria muito grande. Todos os outros anos foram na Avenida Chile. A primeira vez em Santa Teresa traz muita alegria e muita coisa boa”. Ela complementa, explicando a simbologia da personagem: “A oncinha mostra o quanto a gente é uma fera. É uma personagem central do bloco”, sublinhando a força e o espírito indomável que o Bafo da Onça representa.

Para Roberto Saldanha, o presidente Capilé, desfilar em Santa Teresa tem um significado ainda mais profundo e pessoal. “Isso aqui para mim é um sonho. Eu tô no meu quintal. Eu tô em casa. Aqui a gente conhece todo mundo. Não tem nada de confusão, problema, aqui a gente só quer brincar”, declarou com emoção. Essa percepção de “estar em casa” reflete o forte laço do bloco com a comunidade e a sensação de pertencimento que um novo local pode proporcionar, em contraste com a impessoalidade de grandes avenidas. Entre os foliões que engrandecem o cortejo, destaca-se Chelen Verlink, a atual Rainha do Bafo da Onça. Sua trajetória com o bloco é um testemunho da paixão e do crescimento conjunto: “Comecei como princesa, com 13 anos. Hoje estou com 27 e no posto de Rainha. A gente vai crescendo junto com o bloco”, explica Chelen, ressaltando a natureza familiar do Bafo. “Minha mãe sempre gostou e o presidente me fez esse convite. Desde então, venho participando ativamente. O Bafo sempre foi um bloco família para mim”, complementa, mostrando como a agremiação é capaz de acolher e integrar seus membros por gerações.

Reconstrução, inovação e alianças históricas

Superando desafios e fortalecendo o carnaval de rua
O desfile de 70 anos do Bafo da Onça não foi apenas uma celebração de sua história, mas também um poderoso testemunho de resiliência e reconstrução. Em 2020, a agremiação enfrentou um momento devastador quando um incêndio de grandes proporções atingiu sua sede histórica, resultando na perda de valiosos instrumentos, fantasias icônicas e parte significativa de seu acervo documental e cultural. A tragédia, no entanto, serviu como um catalisador para a renovação. Como parte desse processo de renascimento, o bloco estreou no desfile de Santa Teresa uma bateria completamente nova, equipada com instrumentos modernos e de alta qualidade, adquiridos por meio de uma emenda parlamentar, demonstrando o apoio e o reconhecimento à importância cultural do Bafo da Onça. Essa nova bateria, composta por mais de 100 ritmistas, trouxe uma energia e uma sonoridade revigoradas ao cortejo, simbolizando a capacidade do bloco de se reerguer e de inovar.

Outro destaque de grande relevância no desfile foi a oficialização e celebração da parceria com o Cacique de Ramos. Essa aproximação começou a ser construída em 2025, quando a tradicional roda de samba do Cacique se apresentou pela primeira vez na quadra do Bafo da Onça, durante o evento “Mergulho da Onça”. O que antes poderia ser visto como uma rivalidade histórica entre blocos tradicionais, hoje se transformou em uma aliança estratégica e fraterna. Roberto Saldanha, o presidente Capilé, fez questão de enfatizar a natureza dessa relação: “Na realidade, nós nunca fomos rivais. Nós somos irmãos. Eles trazem uma ala para desfilar com a gente. Carnaval é festa”. Essa declaração reflete um espírito de união e colaboração que busca enriquecer ainda mais o carnaval de rua carioca. Entre os foliões, a novidade foi igualmente celebrada. Luana Brito, de 31 anos, que viajou de Bangu, na Zona Oeste, para acompanhar o desfile, expressou sua satisfação: “Eu já tinha planejado vir. No sábado, fui para outros blocos, mas hoje quis vir para o Bafo da Onça, que eu sei que é um bloco muito bom. Essa parceria é perfeita. A expectativa é que seja perfeito”. Para os integrantes do Bafo da Onça, essa união entre blocos tradicionais é fundamental para o fortalecimento do carnaval de rua. “Vai atrair mais público. É bom que outros blocos também se unifiquem para valorizar os blocos tradicionais”, avalia Rafa Manso, sublinhando a importância de um movimento coletivo para preservar e engrandecer a cultura carnavalesca da cidade.

O futuro vibrante de um ícone carioca

O desfile dos 70 anos do Bafo da Onça em Santa Teresa transcende a mera celebração de um aniversário. Ele reafirma o posicionamento do bloco no circuito oficial do carnaval carioca e, mais importante, consolida sua vocação de ocupar o espaço público como um território sagrado de encontro, de memória e de festa ininterrupta. A capacidade de se reinventar após desafios, de inovar na música e nos trajetos, e de forjar alianças significativas com outras agremiações tradicionais, demonstra a vitalidade e a relevância contínua do Bafo da Onça na cultura carioca. O bloco não apenas desfila, mas também tece a tapeçaria social da cidade, proporcionando um ambiente onde a história encontra o futuro, e onde todas as gerações podem se unir em uma paixão compartilhada pelo carnaval. Sua jornada de sete décadas é um testemunho do poder da cultura popular em resistir, adaptar-se e prosperar, sempre com o rugido vibrante de sua onça a guiar o caminho.

Para não perder nenhuma atualização e acompanhar a trajetória contínua de um dos mais emblemáticos blocos do Rio de Janeiro, siga as redes sociais do Bloco Bafo da Onça e faça parte dessa história de alegria e resistência cultural.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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