O recente debate com candidatos ao Senado Federal pelo Amazonas, realizado na noite de sexta-feira (25) em Manaus, evidenciou as principais preocupações e propostas dos postulantes em relação a temas cruciais para o estado. O encontro reuniu os candidatos Eduardo Braga (MDB), Capitão Alberto Neto (PL), Plínio Valério (PSDB), Wilson Lima (União Brasil), Ismael Munduruku (Rede) e Professora Evanyr (PSOL), que confrontaram ideias e apresentaram suas visões para o futuro do Amazonas. As discussões foram marcadas por abordagens detalhadas sobre a saúde pública, com críticas severas ao Sistema Nacional de Regulação (Sisreg), a defesa e ampliação do modelo econômico da Zona Franca de Manaus (ZFM), e políticas direcionadas aos povos indígenas, como inclusão linguística e projetos de turismo sustentável. Mediado pelo jornalista César Menezes, o debate foi dividido em três blocos distintos, permitindo aos candidatos explorar uma vasta gama de assuntos e apresentar seus planos de ação para a população amazonense. A interação entre os participantes permitiu um aprofundamento nas questões que mais afligem a região, demonstrando a diversidade de perspectivas na busca por soluções efetivas.
O primeiro bloco: Temas livres e confrontos diretos
O bloco inicial do debate proporcionou aos candidatos a oportunidade de abordar temas de livre escolha, gerando confrontos diretos e a apresentação de propostas variadas. A dinâmica permitiu aos eleitores uma visão abrangente das prioridades de cada postulante.
Zona Franca e saúde em pauta
O encontro começou com Capitão Alberto Neto questionando Plínio Valério sobre sua atuação em defesa da Zona Franca de Manaus nos últimos oito anos. Plínio destacou sua defesa pela prorrogação dos incentivos fiscais e a relatoria da Lei de Informática, enquanto Alberto Neto mencionou projetos e leis relacionados ao setor. Na tréplica, Plínio criticou a proximidade de Alberto Neto com o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Em seguida, Eduardo Braga abordou a saúde pública, questionando Alberto Neto sobre as filas do Sisreg e a falta de infraestrutura hospitalar. Alberto Neto prometeu buscar recursos no Senado para construir hospitais e centros de exames, e Braga propôs zerar a fila do Sisreg em 100 dias.
Saneamento, segurança e povos indígenas
A pauta de saneamento foi introduzida por Wilson Lima, que perguntou à Professora Evanyr sobre suas propostas para o acesso à água potável. Evanyr defendeu a garantia de água potável à população e a criação de políticas de Estado e destinação de emendas, enquanto Wilson Lima citou o programa “Água Boa” e ações de tratamento de esgoto de sua gestão. Ismael Munduruku, por sua vez, questionou Wilson Lima sobre segurança pública, crime organizado e tráfico de drogas, contestando o cenário apresentado e apontando a persistência do crime em Manaus. Wilson Lima defendeu maior atuação do Governo Federal, alegando que as forças estaduais não conseguem combater o crime organizado nas fronteiras sozinhas. A Professora Evanyr perguntou a Ismael Munduruku sobre a situação dos povos indígenas, que citou problemas das comunidades e afirmou representar também moradores do interior e periferias. Evanyr defendeu políticas de Estado voltadas às diferentes culturas e línguas tradicionais.
Políticas para mulheres e castração química
No último confronto do bloco, Plínio Valério questionou Eduardo Braga sobre políticas para mulheres. Braga defendeu a ampliação de maternidades e unidades de saúde, além de se posicionar a favor da castração química. Plínio mencionou emendas destinadas à saúde feminina e leis de prevenção do câncer do colo do útero.
O segundo bloco: Amazônia, desenvolvimento e desafios sociais
O segundo segmento do debate concentrou-se em temas estratégicos para a região, como a Amazônia, turismo, infraestrutura e desafios sociais. Os candidatos apresentaram suas visões sobre como conciliar desenvolvimento e preservação, além de discutir questões de emprego e segurança.
Meio ambiente e turismo sustentável
Eduardo Braga questionou Wilson Lima sobre as queimadas e a fumaça que afetaram Manaus, e as propostas para o combate aos incêndios. Wilson citou medidas de sua gestão e prometeu buscar recursos no Senado para ampliar as ações, enquanto Braga defendeu o reforço das equipes de bombeiros e citou projetos de sua autoria para a preservação florestal. Plínio Valério, em seguida, perguntou a Ismael Munduruku sobre o fortalecimento do turismo indígena. Munduruku lamentou a falta de estrutura técnica e turística nas comunidades, e os poucos recursos que chegam aos povos indígenas para fomentar o setor. Plínio mencionou recursos que destinou para o turismo no Amazonas.
Infraestrutura, emprego e a BR-319
Na discussão sobre infraestrutura, Capitão Alberto Neto questionou Eduardo Braga sobre o asfaltamento da BR-319. Braga afirmou atuar há 30 anos pela recuperação da rodovia, classificando-a como estratégica. Alberto Neto prometeu atuar para viabilizar o licenciamento ambiental da BR-319 e defendeu investimentos em outras estradas. O tema trabalho e emprego foi abordado por Wilson Lima, que questionou Alberto Neto sobre a Zona Franca e a destinação de emendas a outros estados. Alberto Neto defendeu que suas medidas beneficiam o estado e criticou a gestão de Wilson Lima, mencionando denúncias.
Feminicídio, educação e a realidade amazonense
Em segurança pública, a Professora Evanyr perguntou a Plínio Valério sobre o aumento dos casos de feminicídio e propostas de proteção às mulheres. Plínio defendeu ações de educação desde a infância para ensinar o respeito às mulheres. Evanyr defendeu atuação integrada entre as secretarias, políticas de prevenção, combate à violência e acolhimento das vítimas, além de um Sistema Único de Saúde (SUS) fortalecido e humanizado. No último tema do bloco, educação, Ismael Munduruku questionou a Professora Evanyr sobre o ensino no Amazonas. Ela defendeu investimentos em talentos e potencialidades locais, integração entre educação básica e universidades, e incentivo à pesquisa para buscar soluções aos problemas do estado, incluindo questões climáticas. Munduruku citou dificuldades de acesso às universidades e a falta de formação profissional de estudantes de escolas de tempo integral.
O terceiro bloco: STF, questões fundiárias e o futuro do trabalho
O último bloco do debate explorou temas como o Supremo Tribunal Federal (STF), atuação de organizações não governamentais (ONGs), a BR-319, saúde pública, a escala de trabalho 6×1, questões fundiárias e segurança pública, culminando nas considerações finais dos candidatos.
Posicionamentos sobre instituições e rodovias
Plínio Valério questionou a Professora Evanyr sobre sua posição em relação ao STF, ONGs e a BR-319. Evanyr expressou respeito à atuação das ONGs, afirmando que algumas organizações chegam a suprir lacunas do poder público. Sobre a BR-319, defendeu a conclusão, mas questionou os impactos ambientais da obra e sugeriu alternativas de transporte, como ferrovias. Plínio discordou, afirmando que o asfaltamento da estrada não precisa provocar desmatamento. Eduardo Braga, em seguida, questionou Ismael Munduruku sobre a saúde pública e a fila do Sisreg. Munduruku classificou a situação como “um caos” e defendeu mudanças para garantir atendimento à população. Braga citou unidades de saúde construídas em sua gestão e reiterou seu compromisso com a redução da fila do Sisreg e a construção de novas maternidades.
Saúde pública, escala de trabalho e denúncias
A Professora Evanyr perguntou a Capitão Alberto Neto sobre o fim da escala de trabalho 6×1. Alberto Neto afirmou ser favorável à proposta, defendendo medidas para evitar demissões, criar empregos e fortalecer diferentes matrizes econômicas no Amazonas. Evanyr argumentou que é possível reduzir a jornada sem diminuir salários ou prejudicar empresários. Wilson Lima, em seguida, questionou Plínio Valério sobre uma propriedade em uma unidade de desenvolvimento sustentável, levantando dúvidas sobre possíveis conflitos de interesse. Plínio negou irregularidades, afirmando que a propriedade era permitida e contribuía para a reserva. Wilson Lima mencionou documentos que apontam irregularidades e questionou a fiscalização de emendas destinadas por Plínio ao interior.
Regularização fundiária e segurança integrada
No quinto confronto, Capitão Alberto Neto questionou Wilson Lima sobre sua atuação como governador, com foco em regularização fundiária. Wilson citou ações de suas gestões nas áreas de segurança pública e saúde, e questionou Alberto Neto sobre o Porto de Manaus. Alberto Neto respondeu que os portos não são de competência estadual e criticou a saída de Wilson do cargo de governador para disputar o Senado. No último confronto, Ismael Munduruku perguntou a Eduardo Braga sobre segurança pública e medidas para enfrentar a criminalidade no Amazonas. Braga defendeu a criação de um sistema integrado de segurança pública, com atuação conjunta de governos federal, estadual e municipais. Munduruku, por sua vez, questionou a situação atual da segurança no estado, lembrando os mandatos anteriores dos candidatos presentes.
Perspectivas finais e o caminho para as eleições
O debate proporcionou um panorama detalhado das propostas e divergências entre os candidatos ao Senado pelo Amazonas. Os temas que dominaram as discussões — saúde, Zona Franca de Manaus, e povos indígenas — reiteraram sua centralidade para o desenvolvimento e bem-estar da população amazonense. A interação direta entre os postulantes permitiu aos eleitores confrontar ideias e avaliar a profundidade das soluções apresentadas para os desafios complexos do estado, desde a infraestrutura precária e o combate ao crime organizado até a preservação ambiental e a valorização das culturas locais. A intensidade dos debates sublinhou a urgência de respostas efetivas para as demandas da região, que busca representatividade capaz de catalisar mudanças significativas no cenário nacional e local.
Aprofunde-se nos perfis e planos dos candidatos para fazer uma escolha informada nas próximas eleições.
Fonte: https://g1.globo.com