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Guns N’ Roses em Campo Grande: fãs a pé por 10 km, trânsito caótico e show atrasado

G1

A noite de quinta-feira, 9 de novembro, prometia ser memorável para os fãs do Guns N’ Roses em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. No entanto, a tão esperada apresentação da banda norte-americana no Autódromo Internacional de Campo Grande transformou-se em um cenário de frustração e caos logístico. Milhares de pessoas enfrentaram um congestionamento severo na BR-262, a única via de acesso ao local do evento, com relatos de mais de três horas de espera. Muitos espectadores, impacientes com o trânsito parado, optaram por abandonar seus veículos e percorrer a pé trechos que, em alguns casos, superaram 10 quilômetros. Esse cenário de desorganização resultou no atraso do show, que, previsto para as 20h30, só teve início às 22h, com grande parte do público ainda presa nas vias de acesso.

O drama do acesso ao autódromo

Mais de 10 km a pé pela BR-262

O planejamento para o show do Guns N’ Roses em Campo Grande, que atraía uma expectativa de 35 mil pessoas, foi severamente comprometido pela infraestrutura de acesso ao Autódromo. A BR-262, que serve como via exclusiva para chegar ao local do evento, tornou-se um gargalo intransponível. Mesmo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) tendo montado um esquema de trânsito, a capacidade da rodovia foi insuficiente para absorver o fluxo intenso de veículos, resultando em congestionamentos que se estenderam por quilômetros.

Fãs de todas as idades, utilizando carros particulares, transportes por aplicativo, ônibus e vans fretadas, viram suas jornadas se converterem em odisseias. Relatos de pessoas que saíram da Praça do Rádio Clube, a cerca de 18 quilômetros do autódromo, às 16h e chegaram somente por volta das 21h, evidenciam a magnitude do problema. A ausência de transporte coletivo público e acessível, disponibilizado pela prefeitura, para o local do evento agravou a situação, forçando muitos a depender de alternativas precárias.

Ainda mais dramática foi a decisão de uma parcela significativa do público de abandonar seus veículos. Impacientes diante de mais de 13 quilômetros de fila, conforme dados da Guarda Civil Metropolitana (GCM) que monitorou o trânsito desde a Avenida Ministro João Arinos até a BR-262, essas pessoas iniciaram uma caminhada extenuante. Muitos percorreram mais de 10 quilômetros a pé pela rodovia escura, sob a esperança de não perder a apresentação. Outros, em busca de uma solução mais rápida, recorreram a mototaxistas ou motoristas de aplicativo dispostos a realizar corridas de moto, driblando o trânsito parado.

Às 21h, cerca de 16 mil fãs haviam conseguido entrar na arena, menos da metade da expectativa de público. Esse dado sublinha o quão caótico estava o acesso, com a maioria dos espectadores ainda tentando chegar ao autódromo quando o show já deveria ter começado. Diante da situação, a produção do evento foi ao palco às 21h45 para anunciar o atraso da banda, atribuindo-o a questões de logística, o que gerou uma compreensão mista entre a plateia já presente. O congestionamento persistiu mesmo após o início do show, com filas de veículos por mais de seis quilômetros na rodovia.

Impacto na mobilidade urbana e na vida dos moradores

Moradores e trabalhadores presos no congestionamento

O caos gerado pelo show do Guns N’ Roses em Campo Grande não se restringiu apenas aos fãs que se dirigiam ao evento. A região leste da cidade, onde o autódromo está localizado, sofreu um colapso na mobilidade que afetou diretamente a vida de trabalhadores e moradores que tentavam voltar para casa em seus trajetos cotidianos. O congestionamento na Avenida Ministro João Arinos, que se estendia por quilômetros, prejudicou severamente o transporte público e a circulação geral.

Dados de aplicativos de mobilidade, baseados no Consórcio Guaicurus, revelaram atrasos de quase 40 minutos na linha 075, que conecta o Terminal General Osório ao Guaicurus. O que normalmente seria um percurso de aproximadamente nove minutos até a proximidade do autódromo, nesta quinta-feira, transformou-se em uma jornada de mais de três horas para muitos usuários. Esse cenário de desorganização e demora gerou grande indignação.

No ponto de integração Hércules Maymone, um local crucial para moradores de bairros como Jardim Noroeste e José Abrão, a situação era de abandono. Passageiros aguardavam ônibus que simplesmente não apareciam. Funcionários informaram que os veículos haviam deixado de circular por volta das 16h, deixando centenas de pessoas sem alternativa para o retorno.

A vendedora Araújo Costa expressou sua revolta diante da situação. “Estou aqui desde às seis e meia. Eu deveria pegar o 517, que é o Leon ou o Noroeste, qualquer um dos dois já me atenderia. Nenhum! Eu estou indignada, revoltada, porque é uma coisa totalmente sem planejamento. Não pensaram no pessoal que depende do ônibus. Já não é fácil usar o transporte público e ainda acontece isso. Estou há duas horas esperando e não tem”, desabafou. Sua experiência ecoava a frustração de muitos que dependem do transporte público e se viram esquecidos em meio à euforia do evento.

Mesmo por volta das 22h, o trânsito na Avenida Ministro João Arinos permanecia parado, dificultando a saída da região. O eletricista Gustavo Henrique Rodrigues, morador do Jardim Noroeste, ilustrou outro tipo de prejuízo: ele aguardava um guincho havia mais de cinco horas. “É prejuízo para gente, cansaço. Vou chegar que horas em casa? Dez, onze horas? Tô correndo atrás de guincho até agora e não consegui. Tá difícil”, relatou. As dificuldades enfrentadas por esses moradores e trabalhadores ressaltam a falta de um planejamento abrangente que considerasse o impacto de um evento de grande porte na rotina da cidade.

Lições de um evento caótico para o futuro da cidade

O show do Guns N’ Roses em Campo Grande, que prometia ser um marco cultural, terminou por expor fragilidades significativas no planejamento e na infraestrutura de mobilidade da cidade. O cenário de congestionamento extremo, a ausência de transporte público eficaz e o longo atraso do espetáculo, somados à experiência exaustiva de fãs e moradores, sublinham a necessidade urgente de uma revisão nas estratégias para eventos de grande porte. É imperativo que futuros acontecimentos considerem não apenas a atração de público, mas também o impacto integral na rotina urbana, garantindo acessibilidade, segurança e conforto para todos os cidadãos. A experiência serve como um alerta para a importância de um planejamento logístico robusto e inclusivo.

Para se manter atualizado sobre a infraestrutura de eventos e o desenvolvimento urbano de Campo Grande, acompanhe nossa cobertura contínua sobre as iniciativas e desafios da cidade.

Fonte: https://g1.globo.com

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