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Pakoba e Pari: dupla de onças-pintadas é registrada pela primeira vez no Pantanal de MT

G1

O pantanal mato-grossense testemunhou um evento raro e significativo em março deste ano: o primeiro registro de duas jovens onças-pintadas juntas às margens do rio Claro, na região de Poconé, a 105 km de Cuiabá. Nomeadas como Pakoba e Pari, a dupla de felinos foi flagrada pelo fotógrafo e biólogo Marcos Ardevino, que descreveu o momento como inesquecível e um dos mais especiais de sua carreira de mais de uma década dedicada ao bioma. Este avistamento não apenas oferece insights valiosos sobre o comportamento desses magníficos predadores, que são os maiores das Américas, mas também reforça o papel crucial da observação da fauna para a compreensão e conservação de um dos ecossistemas mais ricos do planeta. O encontro desses dois exemplares reacende o debate sobre a dinâmica familiar e social das onças, pilares da biodiversidade pantaneira e símbolos econômicos para o ecoturismo local.

O encontro inesperado e a identificação dos felinos

Detalhes do registro e a nomeação
Marcos Ardevino, um experiente fotógrafo e biólogo com mais de onze anos de atuação no Pantanal, foi o responsável pelo inédito flagrante de Pakoba e Pari. Ele descreveu o momento como um privilégio único, destacando a raridade de observar duas onças-pintadas jovens juntas. A cena, capturada em março, representou um dos pontos altos de seu ano, evidenciando a beleza imprevisível da vida selvagem pantaneira. O biólogo expressou sua emoção ao testemunhar e documentar tal evento, reforçando a conexão intrínseca entre o trabalho de campo e a paixão pela natureza.

Por ter sido o primeiro a documentar a dupla, Ardevino teve a honra de nomear os animais. Ele escolheu os nomes Pakoba e Pari, ambos de origem Tupi-Guarani e de natureza unissex. Pakoba, em sua essência, significa “banana” ou “bananeira”, evocando a exuberância da flora local e a riqueza dos ecossistemas. Pari, por sua vez, remete a uma engenhosa armadilha de pesca utilizada há séculos pelos povos indígenas, simbolizando a astúcia, a conexão com os rios e a sabedoria ancestral. Essa escolha não apenas homenageia a cultura originária da região, mas também confere uma identidade a esses indivíduos, facilitando futuros estudos e o reconhecimento por parte da comunidade de pesquisadores e turistas que frequentam a área. As onças-pintadas, conforme a avaliação preliminar do biólogo, aparentam ter entre um e dois anos de idade, sugerindo que são animais em fase de transição para a independência, um período crítico no desenvolvimento desses grandes felinos.

A hipótese da irmandade
A observação do comportamento de Pakoba e Pari foi crucial para Marcos Ardevino formular uma hipótese sobre o vínculo entre elas. Os felinos foram vistos juntos por um período que excedeu mais de semanas, uma convivência consideravelmente longa para onças-pintadas, especialmente se comparado ao tempo em que casais em acasalamento permanecem unidos. Em períodos de cópula, a permanência conjunta de um macho e uma fêmea geralmente não excede poucos dias, uma estratégia para evitar a competição e garantir a dispersão genética.

Essa distinção comportamental levou o biólogo a considerar a principal teoria de que Pakoba e Pari seriam irmãos. Embora não haja uma confirmação genética para essa ligação familiar, a durabilidade de sua convivência sugere uma dinâmica fraterna, possivelmente indicando uma fase em que os jovens ainda exploram seu território natal sob a eventual supervisão da mãe, antes de se dispersarem para estabelecer seus próprios domínios. A ocorrência de onças-pintadas jovens se mantendo juntas por semanas é um registro valioso, pois adiciona dados importantes à compreensão das fases de desenvolvimento, dispersão e das interações sociais desses felinos no Pantanal. A observação contínua será fundamental para confirmar essa hipótese e para aprender mais sobre as estratégias de sobrevivência e formação de território de jovens onças-pintadas neste bioma dinâmico.

A onça-pintada: majestade do pantanal e motor do ecoturismo

O protagonismo ecológico e econômico
A onça-pintada (Panthera onca) transcende seu papel de maior felino das Américas para se consolidar como o verdadeiro rei do Pantanal, um bioma de rios serpenteantes e vasta biodiversidade que se estende por Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Pesando até 135 kg, esse predador de topo da cadeia alimentar não só controla populações de presas como capivaras, jacarés e veados, mantendo o equilíbrio ecológico, mas também se tornou um pilar econômico insubstituível. Sua presença e, em especial, seu avistamento em seu habitat natural é o principal motor do ecoturismo na região, atraindo visitantes de todo o mundo.

A busca por um encontro com a majestosa onça-pintada impulsiona expedições fluviais e terrestres, transformando a experiência em um momento marcante na vida de muitos turistas. Essa demanda gerou um segmento turístico robusto, com a observação de onças-pintadas representando um valor econômico considerável, que sustenta comunidades e gera renda, comprovando a interdependência entre conservação e desenvolvimento local. A imagem da onça-pintada estampada em souvenirs e roteiros turísticos reflete seu status não apenas como um animal selvagem, mas como um símbolo de prosperidade e vitalidade para a economia pantaneira.

Ecoturismo e conservação: uma relação simbiótica
O ecoturismo no Pantanal vai além da simples contemplação da natureza; ele se estabeleceu como uma ferramenta fundamental para a conservação ambiental. Os turistas, ao capturarem fotos e vídeos das onças-pintadas e outros animais, contribuem de forma voluntária para o monitoramento da fauna. Essas imagens fornecem dados cruciais para pesquisadores e biólogos, ajudando na identificação individual dos animais – através de suas manchas e pintas únicas, que funcionam como uma “impressão digital” para cada felino – e no acompanhamento de suas populações, territórios, hábitos e saúde.

Marcos Ardevino reitera a importância dessa prática, afirmando que a atividade vai muito além da beleza cênica, integrando práticas sustentáveis que não apenas protegem o bioma, mas também elevam a conscientização ambiental dos visitantes. Ao vivenciar o Pantanal de perto, os turistas se tornam embaixadores da conservação, compreendendo a necessidade de preservar esses ecossistemas. O impacto econômico do turismo de onças-pintadas é tão significativo que diversas pesquisas indicam que seu valor pode ser dezenas de vezes maior do que os prejuízos causados por eventuais ataques a gado, reforçando o argumento de que a preservação desses felinos é economicamente vantajosa para a região e para as comunidades locais. Deste modo, a observação responsável da vida selvagem não é apenas uma fonte de deleite, mas um componente ativo na proteção do patrimônio natural do Pantanal e na sustentação de suas gerações futuras.

Conclusão
O inédito registro de Pakoba e Pari no Pantanal mato-grossense representa um marco significativo não apenas para a biologia da conservação, mas também para a compreensão pública da riqueza de nosso bioma. O flagrante desses dois jovens felinos, seja qual for a natureza exata de seu vínculo, oferece uma janela para os complexos comportamentos sociais das onças-pintadas e a dinâmica de suas populações. Em um cenário onde a preservação da biodiversidade é cada vez mais urgente, cada avistamento documentado se torna um dado valioso, alimentando pesquisas e estratégias de proteção eficazes.

A contínua observação de animais como Pakoba e Pari, aliada ao desenvolvimento de um ecoturismo consciente e sustentável, demonstra que é possível conciliar o desenvolvimento econômico com a salvaguarda do meio ambiente. As onças-pintadas, ao impulsionarem o turismo e a economia local, provam ser elementos-chave para a sustentabilidade da região. Pakoba e Pari são, assim, mais do que meras onças-pintadas; são símbolos vivos da majestade do Pantanal e testemunhas da importância da coexistência harmoniosa entre o homem e a natureza selvagem. Seu aparecimento sublinha a necessidade imperativa de continuar investindo em práticas que garantam a saúde e a integridade deste ecossistema vital para o Brasil e o mundo.

Para aprofundar-se nos esforços de conservação e descobrir mais sobre a fascinante vida selvagem do Pantanal, explore iniciativas de ecoturismo responsável e apoie projetos dedicados à proteção das onças-pintadas.

Fonte: https://g1.globo.com

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