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Israel ataca Irã em nova ofensiva; Teerã relata explosões e fecha Estreito de Ormuz

G1

A tensão no Oriente Médio atingiu um novo patamar com a confirmação de que Israel iniciou uma nova onda de ataques contra a capital do Irã, Teerã. No mesmo período, a mídia iraniana reportou a audição de pelo menos duas explosões nas proximidades da sede da emissora estatal. Este desenvolvimento ocorre em um cenário já extremamente volátil, marcado por retalições e acusações mútuas entre as nações. Em resposta aos ataques e à morte de seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, o Irã anunciou o fechamento do estratégico Estreito de Ormuz, uma rota vital para o transporte global de petróleo, ameaçando incendiar qualquer embarcação que tentar atravessá-lo. A escalada do conflito no Oriente Médio promete ter sérias repercussões geopolíticas e econômicas, exacerbando a instabilidade regional.

Escalada militar e o impacto no Golfo

Ataques israelenses e a resposta iraniana

Em uma ação que aprofunda a crise no Oriente Médio, as Forças Armadas de Israel informaram ter lançado uma nova série de ataques contra Teerã. Os incidentes ocorreram por volta das 18h30 desta segunda-feira (2), no horário de Brasília, madrugada de terça-feira no horário local iraniano. Simultaneamente, veículos de imprensa iranianos relataram a ocorrência de, no mínimo, duas explosões nas imediações do complexo da emissora estatal do país, intensificando a sensação de urgência e perigo na região. Esta ofensiva israelense surge em um contexto de retaliação e hostilidade crescente, após eventos que resultaram na morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, acendendo o pavio para uma série de respostas iranianas. A Guarda Revolucionária, uma das principais forças militares do Irã, havia previamente emitido alertas severos, declarando que os responsáveis pela morte do antigo líder não estariam seguros em lugar algum do mundo, indicando que a resposta iraniana seria firme e abrangente, como demonstrado pelo fechamento do Estreito de Ormuz.

Estreito de Ormuz: rota vital sob ameaça

Ainda nesta segunda-feira, o Irã comunicou o fechamento do Estreito de Ormuz, alertando que qualquer navio que tentar transitar pela passagem será atacado. A declaração, veiculada por um assessor do comandante da Guarda Revolucionária iraniana, Ebrahim Jabari, em nome da força militar, representa o aviso mais explícito de Teerã desde que a rota foi mencionada como alvo de possível bloqueio no último sábado. A medida é justificada pelas autoridades iranianas como uma retaliação direta à morte do aiatolá Ali Khamenei. O Estreito de Ormuz possui uma importância estratégica incomensurável, conectando os maiores produtores de petróleo do Golfo — como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos — com o Golfo de Omã e o Mar Arábico. Por esta rota, transita aproximadamente um quinto do fluxo global de petróleo, tornando seu fechamento uma ameaça iminente à oferta mundial do produto e com o potencial de elevar drasticamente os preços do petróleo bruto, possivelmente superando a marca de US$ 100 por barril. Antes do anúncio de bloqueio, a Guarda Revolucionária já havia empreendido um ataque com drones contra o petroleiro Athen Nova, que navegava pelo estreito, sublinhando a seriedade das intenções iranianas.

Acusações mútuas e a postura dos Estados Unidos

Irã denuncia ataques a civis e exige responsabilização

Em um pronunciamento no X (anteriormente Twitter) também na segunda-feira, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, clamou pela responsabilização dos Estados Unidos e de Israel pelos ataques dirigidos a infraestruturas civis iranianas. Pezeshkian citou especificamente bombardeios contra uma escola de meninas no sul do país, que resultou em 168 mortes no sábado, e contra um hospital na capital Teerã, ocorrido no domingo. Em suas palavras, o presidente iraniano condenou veementemente as ações: “Um ataque a um hospital é um ataque à vida, e um ataque a uma escola é um ataque ao futuro de uma nação. Atacar pacientes e crianças é uma clara violação de todos os princípios humanitários e o mundo deve condená-lo. Manifesto minha solidariedade à nação enlutada; a República Islâmica do Irã não se calará nem se renderá diante de tais crimes”. Contudo, nem os Estados Unidos nem Israel confirmaram a autoria dos ataques mencionados.

Objetivos e retórica de Washington no conflito

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu publicamente a ofensiva contra o Irã, classificando-a como “a nossa última e melhor chance de eliminar a ameaça do regime iraniano”. Em seu discurso em Washington, Trump estimou que o conflito poderia se estender por “quatro ou cinco semanas ou mais”. O líder norte-americano delineou os objetivos primários de sua campanha militar: destruir mísseis iranianos, desmantelar a Marinha do país, interromper as “ambições nucleares” e coibir o financiamento iraniano a grupos considerados terroristas. Trump reiterou sua posição de que não há espaço para diálogo com Teerã, afirmando: “Não dá para lidar com essas pessoas”. A postura de Washington se fortaleceu após relatos de quatro militares americanos mortos e dezoito feridos gravemente em ataques retaliatórios iranianos. O presidente Trump criticou veementemente o antigo acordo nuclear com o Irã, negociado pela administração anterior, e expressou satisfação por tê-lo rescindido. Ele reafirmou que a guerra é “nossa última e melhor chance para atacar e eliminar a ameaça intolerável representada pelo Irã”, alegando ter “eliminado a liderança em 1 hora” e destruído capacidades de mísseis, além de afundar pelo menos 10 navios iranianos. Os objetivos da guerra, segundo Trump, são garantir que o Irã jamais possua uma arma nuclear e que o regime iraniano não financie mais grupos terroristas. A diplomacia, segundo ele, falhou repetidamente: “Achamos que tínhamos um acordo, aí eles deram para trás. De novo, achamos que tínhamos fechado um acordo, e eles novamente deram para trás. Uma hora falamos chega”. Trump também indicou que uma “grande leva de ataques ao Irã ainda está por vir”.

O futuro incerto do Oriente Médio

A mais recente escalada no Oriente Médio, marcada por ofensivas israelenses contra Teerã e a audaciosa resposta iraniana de fechar o Estreito de Ormuz, evidencia um cenário de extrema volatilidade. As acusações iranianas de ataques a civis, somadas à retórica intransigente de Washington, sublinham a gravidade da situação. A interrupção de uma das rotas marítimas mais críticas do mundo não apenas representa um risco econômico global, mas também sinaliza a disposição do Irã em confrontar seus adversários de forma direta. A comunidade internacional observa com apreensão a evolução dos acontecimentos, ciente de que a intensificação deste conflito tem o potencial de desestabilizar ainda mais a região e gerar repercussões além de suas fronteiras. A ausência de canais de diálogo efetivos e a crescente agressividade das ações militares apontam para um futuro incerto, onde a busca por uma resolução pacífica se mostra cada vez mais desafiadora.

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Fonte: https://g1.globo.com

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