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Incêndio atinge estrutura do Açude Epitácio Pessoa, no Agreste da Paraíba

G1

No fim da tarde da última quinta-feira (5), um incêndio no sistema de captação do Açude Epitácio Pessoa, popularmente conhecido como Boqueirão, mobilizou equipes de emergência no Agreste da Paraíba. As chamas, que atingiram as instalações das bombas flutuantes, foram prontamente controladas pelo Corpo de Bombeiros no início da noite, evitando uma escalada maior do incidente. Este açude é o principal reservatório responsável pelo abastecimento de água potável para Campina Grande e aproximadamente vinte outros municípios nas regiões do Agreste e do Cariri paraibano, um sistema vital operado pela Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa). A rápida intervenção e a ativação de um sistema de captação alternativo garantiram que o fornecimento de água não fosse comprometido para a população atendida, demonstrando a robustez dos protocolos de emergência e a capacidade de resposta das autoridades locais.

Detalhes do incidente e resposta emergencial

Ocorrência e ação do Corpo de Bombeiros
O incidente teve início por volta do fim da tarde de quinta-feira, quando as chamas irromperam nas instalações que abrigam as bombas do sistema de captação flutuante do Açude Epitácio Pessoa, localizado no município de Boqueirão. Este sistema é crucial para ajustar a captação de água conforme as variações do nível do reservatório. Ao receber o alerta, o Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba agiu com celeridade, deslocando equipes e equipamentos para o local. Graças à pronta-resposta, o fogo foi debelado e completamente controlado no início da noite, impedindo que se alastrasse para outras áreas da estrutura do açude. É importante ressaltar que, durante toda a operação e inspeção subsequente, não houve registro de feridos, o que é um alívio em incidentes dessa natureza, reforçando a segurança dos profissionais envolvidos e a ausência de pessoas no local no momento crítico. As causas exatas do incêndio, no entanto, ainda estão sob investigação, sem que haja, até o momento, uma identificação precisa do que teria provocado o sinistro.

Impacto imediato na infraestrutura de captação
A Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) confirmou que o incêndio afetou diretamente equipamentos essenciais do sistema de captação flutuante. Imediatamente após a ocorrência, um técnico especializado da companhia foi enviado ao local para realizar uma avaliação detalhada dos danos e determinar as providências mais urgentes a serem tomadas. Diante da situação, a medida inicial e mais importante foi o desligamento preventivo do sistema flutuante atingido. Para assegurar a continuidade ininterrupta do abastecimento, a Cagepa procedeu à ativação imediata do sistema convencional de captação. Essa transição ágil entre os sistemas evidencia a existência de redundâncias e planos de contingência bem estabelecidos, essenciais para a manutenção de serviços públicos vitais como o fornecimento de água. Segundo a Cagepa, esta mudança estratégica não resultou em qualquer comprometimento tanto do abastecimento quanto da distribuição de água para os múltiplos municípios atendidos pelo Açude Epitácio Pessoa.

Abastecimento de água e projeções futuras

Garantia do fornecimento e o papel da Cagepa e Dnocs
A prioridade após o incidente foi a garantia da estabilidade no fornecimento de água. A Cagepa, como operadora do sistema, rapidamente tranquilizou a população, afirmando que a ativação do sistema convencional de captação preveniu qualquer interrupção ou irregularidade na distribuição para as cidades dependentes do reservatório. Essa declaração foi corroborada pela direção do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), órgão federal responsável pela gestão de grandes obras hídricas, incluindo o Açude Epitácio Pessoa. O Dnocs informou que as chamas atingiram exclusivamente tubulações pertencentes à Cagepa, e que o evento não comprometeu a estrutura primária do açude ou a capacidade geral de captação de água do reservatório em si. A colaboração e a comunicação clara entre essas duas instituições foram fundamentais para gerenciar a crise e reforçar a confiança pública na capacidade de resposta e manutenção dos serviços essenciais. A inspeção inicial não indicou danos permanentes à estrutura fundamental de captação, o que é um fator crucial para a rápida recuperação.

Situação hídrica do Açude Epitácio Pessoa
O Açude Epitácio Pessoa, um pilar para a segurança hídrica da Paraíba, apresentava, na última medição realizada na quarta-feira (5) – um dia antes do incêndio –, um volume armazenado de 179,2 milhões de metros cúbicos de água. Este volume corresponde a 38,43% de sua capacidade total, que é de 466,5 milhões de metros cúbicos. Este dado contextualiza a importância de qualquer evento que possa afetar o reservatório. O histórico recente do açude mostra uma redução gradual em seu volume armazenado desde o início do ano, sem a ocorrência de recargas significativas advindas de chuvas expressivas. Essa realidade climática da região, marcada por períodos de seca e pouca pluviosidade, torna o açude ainda mais estratégico. Para mitigar os impactos da escassez hídrica e garantir a sustentabilidade do abastecimento, a região conta com o apoio fundamental das águas provenientes da transposição do Rio São Francisco, um mega-projeto que interliga bacias hidrográficas e assegura um fluxo contínuo para reservatórios como o de Boqueirão, especialmente em momentos de baixa natural de seus volumes.

Desafios e perspectiva de futuro

O incidente no sistema de captação do Açude Epitácio Pessoa, embora rapidamente contido e sem maiores consequências para o abastecimento, serve como um lembrete da vulnerabilidade das infraestruturas críticas e da necessidade constante de vigilância e manutenção. A eficiência na resposta do Corpo de Bombeiros, a pronta ação da Cagepa em ativar sistemas de contingência e a colaboração com o Dnocs foram determinantes para minimizar os impactos e assegurar a continuidade de um serviço essencial para milhões de paraibanos. A investigação sobre as causas do incêndio continua, sendo crucial para implementar medidas preventivas futuras e fortalecer ainda mais a segurança operacional. A gestão dos recursos hídricos na região, já desafiada pela variabilidade climática e pela dependência da transposição do Rio São Francisco, exige um compromisso contínuo com a inovação tecnológica e a resiliência dos sistemas. A recuperação total dos equipamentos danificados e a análise de risco são passos subsequentes que garantirão a perenidade do abastecimento proveniente deste vital manancial.

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Fonte: https://g1.globo.com

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