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Ataque dos EUA na Venezuela gera apreensão em refugiados em Mato Grosso

G1

A recente ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, que resultou em uma série de explosões na capital Caracas, reverberou intensamente entre a comunidade de venezuelanos refugiados em Mato Grosso. Longe de sua terra natal, mas com os laços familiares e emocionais intactos, esses indivíduos acompanham com profunda apreensão o desdobramento do conflito, temendo pela segurança de seus parentes e pelo futuro de seu país. A notícia do ataque à Venezuela, ocorrido na madrugada de um sábado, reacendeu traumas e preocupações, transformando o dia-a-dia de Elvis Fermin, Victor Bermudez e Franklin Blanco, que vivem na Casa do Migrante em Cuiabá, em um misto de angústia e incerteza sobre o que pode acontecer.

A apreensão dos venezuelanos em Mato Grosso

Relatos de medo e incerteza

Para Elvis José Sanchez Fermin, músico refugiado, a madrugada trouxe consigo um alarme que o mergulhou em desespero. Sua mãe o contatou por volta das três horas da manhã, relatando o terror das bombas explodindo em Caracas. O impacto emocional foi imediato e avassalador. “Minha mãe me ligou umas 3 horas da manhã e disse que estava assustada pois estavam explodindo bombas,” relatou Fermin, com a voz embargada. Ele aconselhou a família a procurar um abrigo seguro, temendo uma escalada para um conflito de proporções ainda maiores. Embora os parentes estivessem bem no momento do contato, a incerteza pairava no ar: “Não sabemos o que vai acontecer. O medo faz a gente pensar ‘será que a gente vai morrer? O que vai acontecer?'”.

Elvis tem duas irmãs pequenas na Venezuela, e a preocupação com a segurança delas é constante. A notícia o deixou em estado de impotência, mal conseguindo dormir diante do fluxo ininterrupto de informações alarmantes. Apesar de seus familiares não residirem na área mais diretamente afetada pelos ataques, o temor de que a situação no país se agrave é uma realidade palpável. O músico expressa a dor de ter deixado seu país contra a vontade, movido pela crise financeira e a falta de oportunidades. “São meses que a gente vem com esperança do país voltar a ser melhor, ao que era. Tivemos que sair pois estávamos constantemente em crise,” explicou. A notícia recente apenas intensificou a saudade e o desejo de retornar, um desejo agora barrado pelas fronteiras fechadas e o caos generalizado. “Vai ser difícil para quem quer entrar e para quem quer sair”, lamentou.

Dificuldade de comunicação e busca por notícias

Enquanto Elvis conseguiu um breve contato com sua família, Victor Bermudez enfrenta um cenário de isolamento ainda maior. Sem um telefone celular, ele não conseguiu obter notícias de seus parentes, o que amplifica sua agonia. “Suponho que estejam bem, se Deus quiser,” disse Victor, expressando uma esperança que mal disfarça a profunda inquietação. Acompanhando a situação através das notícias disponíveis, ele presume que “há pessoas feridas, isso é de se esperar”, mas sua principal preocupação é a condição de sua própria família.

Victor detalhou a rotina de interrupção de comunicações em tempos de crise na Venezuela, um fator que agrava a angústia dos que estão fora. “Quando algo acontece com o governo, é isso que eles sempre fazem: bloqueiam todas as redes sociais, fecham todas as entradas e saídas do país. Então, não sei como eles estão agora,” relatou. Essa barreira de informação é um obstáculo adicional para os venezuelanos que buscam desesperadamente contato com seus entes queridos, tornando a espera por notícias ainda mais agonizante.

Perspectivas sobre o cenário político

As reações à ofensiva internacional são variadas entre os refugiados. Elvis Fermin reiterou que não desejava deixar a Venezuela, mas foi forçado a fazê-lo devido às severas dificuldades financeiras e à falta de acesso à educação. “Eu precisei sair do país, não consegui estudar lá, tudo tem que ser pago,” afirmou, destacando a injustiça de ter sido prejudicado por uma crise que não provocou. Ele manifesta um desejo profundo por justiça, acreditando que os responsáveis pela situação do país devem ser responsabilizados. “Para mim, se ele está errado, ele tem que pagar pelas coisas que fez com o nosso país. Muitas pessoas morreram de fome e eu peço para Deus que tenhamos justiça,” declarou o músico.

Já Franklin Blanco, outro venezuelano residente em Mato Grosso, expressou uma visão mais direta e até otimista em relação aos eventos. Para ele, a notícia da captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos foi um desenvolvimento positivo. “Os Estados Unidos vieram pela cabeça e a levaram. Agora faltam os outros, que caiam por conta própria,” afirmou Blanco, indicando uma expectativa de que a ação norte-americana possa desencadear uma mudança mais ampla no cenário político venezuelano, derrubando outros membros do governo atual. Essas diferentes perspectivas ilustram a complexidade dos sentimentos e esperanças que permeiam a comunidade venezuelana expatriada.

O cenário do ataque e as reações internacionais

Detalhes da ofensiva em Caracas

Na madrugada do sábado em questão, Caracas foi palco de uma série de eventos violentos que abalaram profundamente a cidade e seus habitantes. Pelo menos sete explosões foram registradas na capital venezuelana em um intervalo de aproximadamente 30 minutos, mergulhando diversas áreas em pânico. Moradores de diferentes bairros relataram ter sentido tremores, ouvido o barulho ensurdecedor de aeronaves voando baixo e presenciado a correria nas ruas. Em várias regiões, principalmente nas proximidades da base aérea de La Carlota, na zona sul da capital, houve interrupção no fornecimento de energia elétrica. Vídeos que circularam amplamente nas redes sociais mostraram colunas de fumaça subindo de instalações militares, enquanto aeronaves sobrevoavam a cidade a baixa altitude, intensificando a sensação de caos e ameaça iminente.

A declaração dos Estados Unidos

Em resposta aos acontecimentos, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou suas redes sociais para se pronunciar sobre o futuro da Venezuela. Ele afirmou que os Estados Unidos da América haviam “realizado com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, capturado com sua esposa, e retirado do país por via aérea.” Segundo Trump, a operação foi coordenada em conjunto com as forças de segurança americanas. O presidente americano não detalhou imediatamente o destino de Maduro e sua esposa, mas posteriormente mencionou que eles estariam a caminho de Nova York, a bordo de um dos navios da Marinha norte-americana posicionados no Caribe desde o final de 2025. Até então, o paradeiro do presidente venezuelano era desconhecido, e a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, declarou não saber onde Maduro estava, exigindo uma prova de vida do governo americano.

A resposta do governo venezuelano

O governo venezuelano reagiu imediatamente à ofensiva, emitindo um comunicado oficial no qual declarou que o país estava sob ataque. Caracas informou que o presidente Nicolás Maduro havia convocado forças sociais e políticas a ativar planos de mobilização em todo o território nacional. Em um decreto de emergência, foi declarado o estado de Comoção Exterior, com o objetivo de “proteger os direitos da população, o pleno funcionamento das instituições republicanas e passar de imediato à luta armada.” O comunicado enfatizou a necessidade de o país se unir para “derrotar esta agressão imperialista.”

O governo venezuelano alegou que o verdadeiro objetivo da operação americana seria o de tomar os recursos estratégicos do país, especialmente suas vastas reservas de petróleo e minerais. Acusou os Estados Unidos de tentar impor uma “guerra colonial” e forçar uma “mudança de regime” na Venezuela. Por fim, o comunicado oficial declarou que a Venezuela se reserva o direito de exercer sua legítima defesa e fez um apelo aos governos da América Latina e do Caribe para que se mobilizassem em solidariedade ao país, buscando apoio regional contra a intervenção externa.

Conclusão

A escalada do conflito entre Estados Unidos e Venezuela, culminando nos recentes ataques a Caracas, gera uma crise de múltiplas dimensões, com repercussões imediatas na vida de milhares de venezuelanos. Longe de casa, em solo mato-grossense, refugiados como Elvis, Victor e Franklin, personificam a angústia e a incerteza de um povo dividido entre a esperança de um futuro melhor e o temor de uma guerra em sua nação. A crise humanitária se aprofunda, e a busca por notícias e justiça se torna uma luta diária, enquanto o cenário geopolítico regional se torna cada vez mais complexo e imprevisível.

Para acompanhar as últimas atualizações sobre a crise na Venezuela e suas implicações, mantenha-se informado através de fontes confiáveis.

Fonte: https://g1.globo.com

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