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Carol Santiago inicia base para Los Angeles 2028

© Wander Roberto/CPB/Direitos Reservados

A natação paralímpica brasileira, que enfrentou um calendário extremamente apertado nos últimos anos devido ao adiamento da Paralimpíada de Tóquio pela pandemia de covid-19, inicia um novo ciclo de preparação. Com competições importantes emendadas por quatro anos consecutivos, incluindo três Campeonatos Mundiais e os Jogos de Paris 2024, o foco agora se volta para Los Angeles 2028. Este período pós-Paris, embora aparentemente mais leve em termos de grandes eventos, é considerado crucial para o desenvolvimento de uma base sólida. A principal atleta feminina do país na natação paralímpica, Maria Carolina Santiago, de 40 anos, vê em 2026 um ano estratégico para testar e construir a velocidade e resistência necessárias, estabelecendo os fundamentos para o próximo grande desafio paralímpico.

Um calendário sem precedentes e seus desafios
A natação paralímpica global atravessou um período de desafios logísticos e competitivos sem paralelo, imposto, em grande parte, pelas consequências da pandemia de covid-19. O adiamento da Paralimpíada de Tóquio para 2021 desencadeou uma reestruturação profunda no calendário, resultando em uma sequência quase ininterrupta de quatro anos de competições de alta envergadura. Esse cenário exigiu dos atletas uma capacidade de adaptação e resiliência excepcionais, moldando a trajetória de muitos e redefinindo estratégias de treinamento e recuperação. Longe de uma desaceleração, o próximo ano, 2026, embora com um perfil de eventos distinto, mantém-se como um pilar fundamental na preparação para os Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028. É um momento de ajustes finos e construção de bases, conforme apontado pelos principais nomes da modalidade.

O impacto da pandemia e a sequência de eventos internacionais
O encadeamento de grandes torneios foi marcante: após Tóquio 2021, os nadadores enfrentaram os Jogos Paralímpicos de Paris em 2024, intercalados por três edições do Campeonato Mundial de Natação Paralímpica. O primeiro desses mundiais ocorreu em 2022, na Ilha da Madeira, Portugal, seguido pela edição de 2023 em Manchester, Inglaterra, e, mais recentemente, o de 2025 em Singapura. Essa sequência intensa de eventos globais, sem pausas significativas entre os ciclos, colocou uma carga considerável sobre a preparação física e mental dos atletas. Para 2026, a programação se mostra menos densa em termos de eventos de categoria máxima, focando nas etapas da World Series – o circuito mundial anual da modalidade – e nos Jogos Parasul-Americanos, a serem disputados nas cidades colombianas de Valledupar e Agustín Codazzi. No entanto, essa temporada de menor destaque global é vista, paradoxalmente, como uma fase de grande importância estratégica para o alinhamento e aprimoramento das bases que sustentarão o desempenho em Los Angeles.

A base para o futuro: 2026 como ano-chave
Para a nadadora Maria Carolina Santiago, um dos nomes mais proeminentes da natação paralímpica feminina brasileira, o ano de 2026 é mais do que um período de transição; é uma etapa estratégica e indispensável na construção da performance para Los Angeles 2028. A atleta pernambucana, que completa 40 anos, ressalta a importância de “fazermos a base do que queremos construir de velocidade e resistência para os Jogos”. Este ano será intensamente utilizado para experimentações e testes de programa de treinamento. A abordagem visa explorar novos métodos e ajustes, mantendo-se o mais próximo possível das variáveis que já se provaram eficazes. A ideia é otimizar o que funciona e integrar inovações sem comprometer os fundamentos que a levaram ao sucesso. Santiago destaca que “com certeza, vamos aproveitar as competições para testarmos o programa”, indicando que mesmo eventos de menor projeção, como as etapas da World Series e os Jogos Parasul-Americanos, terão um papel crucial nesse processo de avaliação e aprimoramento.

Redução de provas e otimização do desempenho
A trajetória de Carol Santiago na natação paralímpica é um exemplo de adaptação e excelência. Nascida com a Síndrome de Morning Glory, uma alteração na retina que a classifica na classe S12 (para atletas com baixa visão), ela migrou da natação convencional para a adaptada em 2018. Em um curto espaço de tempo, consolidou-se como um dos maiores ícones da modalidade, com um histórico de dez medalhas – sendo seis de ouro – conquistadas em apenas duas edições dos Jogos Paralímpicos (Tóquio 2021 e Paris 2024). Esses resultados a consagram como a maior campeã paralímpica do Brasil e a segunda mulher com mais pódios em Jogos, apenas três a menos que a velocista Ádria dos Santos.

Em Paris 2024, Santiago brilhou com ouro nos 50m e 100m livre, e nos 100m costas, além de duas pratas nos 100m peito e no revezamento 4x100m livre. Diante do desafio de Los Angeles 2028, a atleta e seu treinador, Leonardo Tomazello, implementaram uma mudança estratégica: a redução do programa de provas individuais de seis para três. A prioridade recai sobre as distâncias em que ela alcançou o topo do pódio na capital francesa, uma decisão que visa maximizar o foco e a performance nas provas de maior potencial de medalha. Essa estratégia já demonstrou ser eficaz. No Mundial de Singapura de 2025, Carol Santiago não apenas repetiu os ouros de Paris, garantindo o tricampeonato nos 100m costas e o tetracampeonato nos 100m livre, mas também conquistou uma quarta medalha de ouro no revezamento 4x100m medley, e uma prata no revezamento 4x100m livre. Este desempenho robusto valida a abordagem adotada para o próximo ciclo.

Reconhecimento e o pontapé inicial bem-sucedido
A excepcionalidade dos feitos de Maria Carolina Santiago transcende as piscinas, recebendo reconhecimento formal. Sua dominância e consistência a levaram a ser eleita a Atleta Feminina do Ano no Prêmio Brasil Paralímpico pela quarta vez, um feito notável que a isola como a maior ganhadora do troféu entre as mulheres. Essa é a segunda vez consecutiva que ela recebe a honraria, sublinhando sua posição inquestionável como referência no esporte adaptado brasileiro.

Refletindo sobre o período desafiador, Santiago descreve 2025 como “o ano mais difícil desde que entrei no movimento paralímpico”. No entanto, sua capacidade de transformar adversidades em oportunidades é evidente em suas palavras: “conseguimos transformar as dificuldades em desafios, enfrentar, vencer e performar, como performamos no Mundial”, celebrou a nadadora. Essa perspectiva positiva e combativa é um testemunho de sua mentalidade campeã.

A avaliação do desempenho no Mundial de Singapura de 2025 é vista pela atleta como um marco inicial crucial para o ciclo de Los Angeles. “O primeiro ano é sempre importante. Era um ano de Mundial, em que você pode avaliar exatamente o ponto em que está na preparação. O Mundial é o que temos mais próximo de uma Paralimpíada. Então, avalio como um pontapé inicial bem dado”, concluiu a multicampeã. Essa análise reforça a importância dos testes e ajustes que serão realizados em 2026, solidificando a base para o caminho que a levará à busca por mais pódios em 2028.

Acompanhe os próximos passos de Carol Santiago e da natação paralímpica brasileira na jornada rumo a Los Angeles 2028.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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