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Petrobras e Braskem renovam contratos bilionários de matéria-prima

© Fernando Frazão/Agência Brasil

A Petrobras e a Braskem, uma das maiores petroquímicas do mundo, anunciaram recentemente a formalização de acordos de longo prazo para o fornecimento de matérias-primas essenciais. Estes contratos, que somam impressionantes US$ 17,8 bilhões, ou R$ 98,5 bilhões na cotação atual, asseguram o abastecimento por até 11 anos, garantindo a continuidade operacional e a competitividade da Braskem no mercado global. A renovação destes vínculos comerciais, que estavam próximos do vencimento, solidifica a relação estratégica entre as duas gigantes, com a Petrobras como principal fornecedora e detentora de uma participação acionária significativa na petroquímica. Os valores acertados foram cuidadosamente balizados por referências de mercado internacionais, reforçando a transparência e a solidez dos termos negociados.

Acordos de fornecimento estratégico

Os pactos comerciais entre Petrobras e Braskem abrangem três importantes categorias de produtos derivados do petróleo e gás natural, vitais para a cadeia de produção petroquímica. A abrangência geográfica e a diversidade dos insumos sublinham a complexidade e a relevância desses arranjos para a indústria brasileira.

Nafta petroquímica: base para as operações

Um dos pilares desses acordos é a venda de nafta petroquímica, um derivado do petróleo fundamental para a produção de diversos polímeros e químicos básicos. Este contrato prevê o abastecimento das unidades industriais da Braskem localizadas nos estados de São Paulo, Bahia e Rio Grande do Sul. O acordo estabelece uma quantidade mínima de retirada mensal, oferecendo, no entanto, a flexibilidade para a negociação de volumes adicionais a cada mês. Projeções indicam que o volume anual de nafta pode atingir até 4,116 milhões de toneladas em 2026, com um aumento potencial para 4,316 milhões de toneladas em 2030. O valor estimado para os contratos de venda de nafta é de US$ 11,3 bilhões, e sua vigência será de cinco anos, com início em 1º de janeiro de 2026, garantindo estabilidade para a produção de resinas e outros produtos petroquímicos.

Gás e hidrogênio para o complexo do Rio

Outra frente de negociação de alta relevância envolve a venda de etano, propano e hidrogênio, produtos essenciais para a unidade da Braskem situada no Rio de Janeiro. Para o período de 2026 a 2028, o contrato mantém a quantidade já estabelecida de 580 mil toneladas anuais em eteno equivalente. O fornecimento desses insumos terá como origem a Refinaria Duque de Caxias (Reduc), estrategicamente localizada na região metropolitana do Rio. A partir de 2029, estendendo-se até 2036, o acordo contempla um aumento significativo nessa quantidade, que passará para 725 mil toneladas anuais em eteno equivalente. Este volume adicional visa atender à expansão planejada da Braskem, atualmente em fase de projeto. O fornecimento será garantido tanto pela Reduc quanto pelo Complexo Boaventura (antigo Comperj), também na região metropolitana do Rio de Janeiro. Com vigência de 11 anos a partir de 1º de janeiro de 2026, este contrato está avaliado em US$ 5,6 bilhões, sublinhando a importância estratégica para o polo petroquímico fluminense.

Propeno: diversificação e volume

O terceiro e último acerto de fornecimento diz respeito ao propeno, um monômero fundamental para a produção de polipropileno, com origem em diversas refinarias da Petrobras. Os contratos estabelecem volumes específicos para cada unidade: até 140 mil toneladas por ano da Refinaria Capuava, em São Paulo, e 100 mil toneladas anuais da Reduc, no Rio de Janeiro. Além disso, foi contratada uma quantidade escalonada da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), no Rio Grande do Sul, que aumentará progressivamente ao longo dos anos: 14 mil, 24 mil, 36 mil, 48 mil e, finalmente, 60 mil toneladas anuais. O valor estimado deste contrato é de US$ 940 milhões, com vigência de cinco anos a partir de 18 de maio de 2026, complementando a gama de matérias-primas asseguradas para a Braskem.

O cenário societário da Braskem e os movimentos da Novonor

Além de sua função como fornecedora estratégica, a Petrobras possui uma participação societária relevante na Braskem, detendo 47% das ações com poder de voto. A empresa controladora atual da Braskem é a Novonor (antiga Odebrecht), que se encontra em processo de recuperação judicial, um mecanismo legal para renegociação de dívidas e reestruturação financeira com o objetivo de evitar a falência.

Desafios e reestruturação da controladora

A crise financeira que afeta a Novonor, e por consequência impacta a Braskem, é multifacetada, incluindo a condição de recuperação judicial e um cenário desafiador no mercado petroquímico internacional, que tem vivenciado uma baixa nos últimos tempos. Nesse contexto, a Novonor tem buscado ativamente vender sua participação na Braskem como parte de sua estratégia de reestruturação e para levantar fundos.

Novo investidor e potencial mudança de controle

Recentemente, em 15 de maio, a Braskem divulgou ao mercado que a Novonor havia firmado um acordo de exclusividade com um fundo de investimentos. Esse fundo, identificado como Shine e assessorado pela IG4 Capital – empresa especializada em recuperação de empresas e situações de dificuldade financeira –, se propõe a assumir as dívidas da Braskem. Em troca, o Shine receberia 50,111% das ações com poder de voto da companhia, tornando-se, assim, o novo acionista controlador da Braskem. Este movimento sinaliza uma potencial e significativa mudança na estrutura de controle da petroquímica brasileira.

A posição da Petrobras diante das mudanças

Diante das movimentações societárias envolvendo a Novonor e o fundo de investimento Shine, a Petrobras se manifestou publicamente, detalhando sua posição e os direitos que poderá exercer. A estatal está monitorando de perto a situação, dada sua relevante participação e seus interesses estratégicos na Braskem.

Análise e direitos estratégicos

A Petrobras informou que acompanhará atentamente os desdobramentos do acordo entre a Novonor e o fundo Shine. A estatal possui dois importantes direitos societários previstos no acordo de acionistas da Braskem, que poderá ou não exercer no momento oportuno. O primeiro é o direito de preferência, que lhe permitiria assumir a compra da Braskem, caso a Novonor decida vender sua participação, ou seja, adquirir a fatia da Novonor sob as mesmas condições ofertadas ao fundo Shine. O segundo é o tag along, uma prerrogativa comum no mundo dos negócios que permite à Petrobras vender sua parte na Braskem ao novo acionista controlador, sob as mesmas condições aplicadas à fatia majoritária. A empresa declarou que “analisará os termos e condições dessa potencial transação para, se aplicável e no momento oportuno, decidir sobre o eventual exercício, ou não, destes direitos previstos no acordo de acionistas”. Além dessas opções, a Petrobras também pode simplesmente optar por manter sua posição societária atual na Braskem. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, já expressou publicamente o reconhecimento do “potencial da petroquímica”, ressaltando a relevância estratégica da Braskem para a estatal.

Perspectivas futuras no mercado petroquímico

A renovação dos contratos de fornecimento entre Petrobras e Braskem por um valor próximo a R$ 100 bilhões marca um período de estabilidade e previsibilidade para ambas as empresas. Para a Petrobras, significa a garantia de escoamento de produtos de alto valor agregado, otimizando suas operações de refino. Para a Braskem, representa a segurança no abastecimento de matérias-primas essenciais para suas operações em um horizonte de até 11 anos, crucial para o planejamento de investimentos e a manutenção de sua competitividade em um mercado global desafiador. As movimentações no controle acionário da Braskem, com a potencial entrada do fundo Shine, adicionam uma camada de complexidade e expectativa, com a Petrobras em uma posição estratégica para influenciar ou se adaptar ao novo cenário. Independentemente do desfecho acionário, a continuidade dos contratos de fornecimento reforça a importância da Braskem na cadeia produtiva industrial brasileira e o papel central da Petrobras no suporte à indústria nacional de petroquímicos.

Acompanhe as próximas notícias sobre o mercado de energia e petroquímica para entender os impactos desses acordos e as movimentações societárias.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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