O dólar iniciou a sessão desta sexta-feira (12) em alta, registrando um avanço de 0,14% por volta das 9h, negociado a R$ 5,4121. Este movimento reflete a cautela e a atenção dos investidores, que se voltam para uma série de fatores econômicos cruciais tanto no cenário doméstico quanto internacional. Após um breve “respiro” nos mercados na véspera, impulsionado por uma postura mais conservadora do Banco Central brasileiro, o foco agora se direciona para a divulgação do volume de serviços no Brasil e, internacionalmente, para os pronunciamentos de dirigentes do Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos. A interação entre as políticas monetárias globais e os indicadores econômicos locais é determinante para a precificação da moeda e o comportamento do Ibovespa, que abre em um ambiente de expectativas.
Cenário macroeconômico global e doméstico
Impacto das decisões de juros
A “Superquarta” mais recente do ano foi marcada por decisões divergentes, mas igualmente impactantes, dos bancos centrais de Brasil e Estados Unidos. No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) optou por manter a taxa Selic em 15% ao ano pela quarta vez consecutiva, consolidando-a no maior patamar em duas décadas. O comunicado oficial indicou que a taxa permanecerá elevada por um “período prolongado”, justificado pelas incertezas econômicas, a persistência da inflação e a resiliência da atividade econômica, sem sinalizar qualquer perspectiva de cortes iminentes. A Selic é a principal ferramenta do BC para combater as pressões inflacionárias, que afetam diretamente a população, especialmente a de baixa renda. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal medidor da inflação no país, registrou 0,18% em novembro, o menor para o mês em sete anos, acumulando 3,92% no ano e 4,46% em 12 meses. Com esse desempenho, a inflação voltou a se situar dentro do intervalo de tolerância do Banco Central, que estabelece uma meta de 3% com um teto de 4,5%.
Paralelamente, o Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, anunciou uma redução de 0,25 ponto percentual nas taxas de juros americanas, fixando-as na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, o menor nível desde setembro de 2022. Essa decisão, que veio alinhada às expectativas do mercado financeiro, representou o terceiro corte consecutivo nos juros do país em 2025. Na reunião anterior, em outubro, o Fed já havia reduzido a taxa na mesma proporção. No entanto, o comunicado do Fed para 2026 frustrou parte do mercado ao indicar a expectativa de apenas um corte nas taxas, quando analistas esperavam, no mínimo, duas reduções. A votação do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) não foi unânime: dos 12 membros, nove, incluindo o presidente Jerome Powell, votaram pelo corte de 0,25 ponto percentual. O diretor Stephen Miran defendeu um corte mais agressivo, de 0,50 ponto percentual, enquanto outros dois membros preferiram manter os juros inalterados.
Desempenho dos indicadores econômicos
Vendas no varejo e mercado de trabalho
A economia brasileira apresentou sinais ambíguos em relação ao consumo. As vendas no varejo do Brasil registraram um crescimento de 0,5% em outubro na comparação com setembro, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse resultado surpreendeu as expectativas da pesquisa Reuters, que projetava uma queda de 0,1%, e marcou o maior avanço do setor em sete meses. Na comparação anual com outubro do ano passado, o varejo também mostrou alta de 1,1%, contrariando projeções de recuo. O setor tem operado em um ambiente de crédito mais restrito devido à elevada taxa Selic, que limita o consumo. Contudo, um mercado de trabalho aquecido e a renda mais alta têm funcionado como suportes para parte das vendas. Dos oito grupos pesquisados pelo IBGE, sete registraram crescimento em outubro, com destaque para “Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação” (+3,2%). O único setor com queda foi “Tecidos, vestuário e calçados”, com recuo de 0,3%. A atenção se volta agora para o volume de serviços, outro importante indicador da atividade econômica doméstica, com estimativas apontando para uma alta modesta em outubro, perto de 0,3%.
Pedidos de auxílio-desemprego e balança comercial dos EUA
Nos Estados Unidos, os dados do mercado de trabalho e do comércio exterior também foram observados com atenção. O número de novos pedidos de auxílio-desemprego aumentou em 44 mil na semana encerrada em 6 de dezembro, totalizando 236 mil solicitações, um valor acima da projeção da consultoria FactSet, que estimava 213 mil. Já os pedidos continuados, que indicam o número de pessoas que seguem recebendo o benefício, diminuíram em 99 mil na semana passada, atingindo 1,838 milhão, abaixo da estimativa de 1,932 milhão.
Em relação ao comércio, o déficit comercial dos EUA recuou 10,9% em setembro na comparação com agosto, somando US$ 52,8 bilhões, segundo o Departamento do Comércio. Esse valor ficou abaixo das expectativas de analistas consultados pela FactSet, que projetavam um déficit de US$ 66,6 bilhões. As exportações americanas aumentaram 3% em setembro, alcançando US$ 289,3 bilhões, enquanto as importações avançaram 0,6%, totalizando US$ 342,1 bilhões.
Bolsas globais: Recordes e cautela
Wall Street e Europa: Otimismo com o Fed
Os mercados de Wall Street encerraram o dia anterior sem direção única, mas com índices notáveis. O Dow Jones e o S&P 500 atingiram recordes históricos, impulsionados pela valorização generalizada das ações. No entanto, o Nasdaq, que concentra empresas de tecnologia, registrou queda. A cautela surgiu após as previsões da Oracle, que sinalizaram um aumento nos investimentos em tecnologia de inteligência artificial (IA), levantando preocupações sobre custos e rentabilidade futuras. Esse fator amenizou o otimismo gerado pela postura menos “hawkish” (menos propensa a aumentar juros) indicada pelo Federal Reserve. Ao fechamento, o Dow Jones avançou 1,34%, para 48.704,01 pontos; o S&P 500 teve ganhos de 0,21%, para 6.900,99 pontos; e o Nasdaq recuou 0,26%, para 23.593,86 pontos.
As principais bolsas europeias também fecharam em alta, repercutindo positivamente o corte de juros do banco central americano e os comentários sobre a futura condução da política monetária. O índice STOXX 600 subiu 0,52%, o FTSE 100 de Londres teve alta de 0,49%, o DAX de Frankfurt avançou 0,68%, e o CAC 40 de Paris registrou ganho de 0,79%.
Ásia: Queda em meio a projeções chinesas
Na Ásia, a maioria das bolsas fechou em queda, influenciada pela decisão de juros nos EUA. No cenário doméstico, a atenção do mercado se voltou para a Conferência Central de Trabalho Econômico da China, que delineia a agenda econômica do país para 2026. Analistas esperam que a maior economia do mundo mantenha uma meta de crescimento de cerca de 5% para o próximo ano. O índice de Xangai registrou queda de 0,7%, enquanto o CSI300 recuou 0,86%, marcando o terceiro dia consecutivo de perdas para ambos. O índice Hang Seng de Hong Kong perdeu 0,04%. No Japão, o Nikkei recuou 0,90%. Outros mercados como o Kospi na Coreia do Sul (-0,59%) e o Taiex em Taiwan (-1,32%) também registraram quedas, enquanto o Straits Times em Cingapura destoou com alta de 0,28%.
Perspectivas para o mercado
O atual cenário financeiro global e doméstico é um complexo tecido de influências, onde a valorização do dólar no início da sessão reflete a sensibilidade dos investidores a dados econômicos e pronunciamentos de autoridades monetárias. A manutenção da Selic em patamar elevado no Brasil, contrastando com os cortes de juros do Fed nos EUA, cria dinâmicas específicas para o fluxo de capital e a confiança nos mercados emergentes. A resiliência das vendas no varejo brasileiro, apesar dos juros altos, e as flutuações nos indicadores de emprego e comércio dos EUA, somados aos desempenhos mistos das bolsas globais, desenham um panorama de constante reavaliação. A cautela em relação aos custos de inovação tecnológica e as projeções econômicas de potências como a China também adicionam camadas de complexidade, exigindo dos agentes de mercado uma vigilância contínua sobre as próximas notícias e análises para tomar decisões informadas em um ambiente de volatilidade.
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Fonte: https://g1.globo.com